Publicidade

Estado de Minas

Conheça espaços gratuitos para leitura em Brasília

Projetos sociais, governamentais ou não, e iniciativas privadas de lojas relacionadas à leitura trazem alternativas gratuitas na hora de procurar livros


postado em 25/08/2015 07:31 / atualizado em 25/08/2015 14:28

"Essa proposta já foi copiada em vários outros países, inclusive a Unesco reconhece como um dos maiores incentivos à leitura" (foto: Monique Renne/CB/D.A Press-16/6/9)
 

“Um país se faz de homens e livros”, a frase dita por Monteiro Lobato, há cerca de um século, mesmo imersa em um mundo dominado pelas tecnologias, permanece atual. Mas onde as pessoas podem ter acesso a livros sem custo? Diferentemente do que se pode pensar, as opções vão muito além das bibliotecas, que, claro, são parte do roteiro. Projetos sociais, governamentais ou não, e iniciativas privadas de lojas relacionadas à leitura trazem para a população alternativas gratuitas na hora de procurar livros – e um espaço – para apreciá-los.

Uma iniciativa pioneira transformou as paradas de ônibus da Asa Norte em uma espécie de biblioteca itinerante. É o Projeto Parada Cultural – Biblioteca Popular, da ONG T-Bone. Com oito anos, ele é um exemplo que Brasília exporta para outras cidades e para o mundo, como forma de incentivo à leitura. Para fazer doações, basta deixar o livro no Acougue T-bone. Já para pegar emprestado não existe burocracia, cada um escolhe o livro que desejar e se sente a vontade para devolver quando quiser. “A rotatividade é de 100 mil livros por ano. Temos estantes em todas as paradas da W3 norte. Na nossa avaliação, isso é um sucesso”, comenta Luiz Amorim, idealizador do projeto.

 


“A maioria dos usuários preserva, mas claro não estamos imunes, existem os que depredam. Já ouvi até caso de quem pega os livros e revende”, relembra Amorim. Segundo o agitador cultural, o projeto ganhou proporções enormes. “Essa proposta já foi copiada em vários outros países, inclusive a Unesco reconhece como um dos maiores incentivos à leitura”, gaba-se. “Temos casos de pessoas que conseguiram estudar e passar em concursos com os nossos livros”, relembra orgulhoso.

Outro pioneiro é a Mala do livro. O projeto do Governo do Distrito Federal visa levar a leitura para as mais diversas áreas, como as estações do metrô, áreas rurais, penitenciárias, centros olímpicos, locais com baixo índice de desenvolvimento humano. “As malas chegam onde o poder público não alcança. Atualmente temos 300 malas – cada uma com capacidade para 200 livros aproximadamente – pelo DF, Entorno e até fora do Brasil”, comenta Yuri Barquette, Coordenador do Livro e da Leitura no DF.

 

O projeto não cria restrições quem desejar pegar o livro e devolver, não há nenhuma cobrança. “Apesar do modelo dar uma liberdade muito grande para os usuários temos um índice alto de devolução”, comenta. Segundo o coordenador, as pessoas entendem que os livros servirão para outras pessoas.

 

Bibliotecas

 

Claro que existe uma forma mais antiga de disponibilizar livros. As tradicionais bibliotecas não morreram e estão por toda a capital. A cidade conta com mais de 20 bibliotecas espalhadas pelas regiões administrativas, mas a situação ainda está longe de ser considerada ideal.

Com diversas bibliotecas, os locais administrados pelo GDF somam cerca de 500 mil livros, a maioria disponibiliza as obras tanto para empréstimo, quanto para ler no local. A proposta, segundo Yuri Barquette, é de que os livros sejam cadastrados, podendo haver uma interação on-line entre as bibliotecas, além de uma pesquisa rápida ao acervo. “A ideia é integrar todas as bibliotecas. Assim os usuários poderão inclusive devolver livros em bibliotecas distintas à que eles fizeram o empréstimo”, complementa.

 

O coordenador ainda comenta que existe m grande número de programas, porém a maioria é destinado para crianças ou idosos. “Jovens e adultos ficam sem apoio, e esta é uma idade que não deveria ser negligenciada”, comenta. Ele ainda aponta uma das possíveis soluções. “É muito importante que as bibliotecas tenham internet, por exemplo, além disso desejamos implantar um sistema on-line para facilitar a procura que os usuários estiverem fazendo”, diz.

 

Para finalizar, Barquette explica que o papel da biblioteca vai além de ser um local silencioso para estudos. “Existe essa cultura no Brasil, especialmente em Brasília, de que as bibliotecas são locais quietos e para estudar, mas elas são um equipamento social e cultural e devem ser utilizadas como tal”, conclui.

 

Na Iniciativa privada

 

A iniciativa privada também investe em espaços destinados para os leitores. O Sebinho, por exemplo, criou um ambiente onde cada um pode consumir os livros como desejar, seja sentado no café, pela loja ou em rodas de leitura. “Vemos que isso atrai um público para a loja, tem pessoas que vem estudar e tem quem nos procure para consumir literatura”, comenta o gerente do local, Henrique Alves Moreira.

Segundo Moreira, a loja procura incentivar a leitura. “Buscamos sempre motivar quem gosta de ler e quem ainda não tem o hábito. Fazemos eventos, encontros, vários tipos de ações relacionadas com a leitura”, afirma o gerente. Ele recomenda também as rodas da leitura feitas na casa, tanto as organizadas pelo estabelecimento, quanto as que o Sebinho cede apenas o espaço. “Os horários variam, quase todo sábado recebemos grupos de leitura, por exemplo. Pedimos apenas para que grupos grandes avisem com antecedência, para reservarmos o espaço”, explica Moreira.

Já um caso nacional onde essa política é empregada é na Livraria Cultura. O ambiente tem o objetivo de incentivar a leitura, o espaço na loja é disponível para quem deseja escolher um dos diversos livros e ler. Segundo a assessoria de imprensa da livraria, essa é a política desde o início. “Essa é uma característica das nossas lojas, elas são centros de entretenimento e cultura, todas têm espaços destinados para os clientes lerem”, informa a assessoria.

Outra grande loja que aposta em estimular a leitura dentro do seu espaço físico é a Fnac. Dentro da loja, os clientes são estimulados a testar todos os produtos. “É uma das premissas da loja que os clientes se sintam à vontade, como se estivessem em casa”, comenta o gerente Paulo Roberto Martins. Para ele, esta é inclusive uma forma de estimular a leitura. “Recomendamos apenas que os clientes tomem cuidado se forem levar algum produto para o café, pois o risco de acidentes aumenta”, alerta Martins.

 

Número

28

Quantidade de anos do projeto Mala do Livro

Número

37

Quantidade de paradas de ônibus na W3 Norte.

Número

18

quantidades de lojas da Livraria Cultura espalhadas pelo Brasil.

 

 

Roda de leitura

Uma vez por mês os interessados podem ir ao Sebinho para participar da Roda da leitura. Os livros são preestabelecidos e a lista para o ano todo está disponível no site da loja. Durante a roda, assuntos relativos ao tema da obra são abordados por quem quiser participar – a roda é aberta. Neste mês, o livro em pauta é A Desumanização, do autor Walter Hugo Mae, e a roda será realizada no dia 29, às 19h

 

Serviço:

Sebinho (406 Norte, Bloco C, lojas 30/34/44/72; telefone 3447-4444), aberto de segunda a sábado, das 9h às 22h.

Cultura (SGCV Sul, lote 22, Piso 2, loja 4; telefone 3410-4033 ou SHIN CA 4, lote A, piso superior, loja 101; telefone 2109-2700), segunda a sábado, das 10h às 22h; domingo das 14h às 20h.

Fnac (SAI/SO área 6580, piso 1, loja 149 P; telefone 2105-2000) segunda a sábado, das 10h às 22h; domingo das 14h às 20h.

T-Bone Acougue Cultural (312 Norte, Bloco B, loja 27; telefone 3274-1665), aberto de segunda a sexta,das 8h30 às 18h; e sábado, das 8h30 às 13h.

 

Confira os endereços e telefones de algumas das bibliotecas da cidade

Bibliotecas

 

Braille “DorinaNowill” (CNB 01, Área especial 01, Centro Cultural; telefone 3901-3549)

Carlos Drummond de Andrade (QNN 13, Módulo B, Área Especial – Ceilândia; telefone 3372-3150)

Águas Claras (Rua Ipê Amarelo, lote 01; telefone 3383-8959)

Brasília (512/513 Sul; telefone 3245-5022)

Candangolândia (Rua dos Transportes, Área especial, número 1; telefone 3301-2686)

Cruzeiro (Área Especial, Quadra 3; telefone 3345-0634)

Gama (Antigo IFB, ao lado da rodoviária do Gama; telefone 3484-9922)

Guará (Área Especial do CAVE Casa da Cultura; telefone 3383-7278)

Itapoã (Quadra 61, Área especial; telefone 3369-9400)

Núcleo Bandeirante (Praça Padre Roque, 3ª avenida; telefone 3486-1623)

Paranoá (Quadra 05, conjunto 3, Área Especial D, antigo Fórum; telefone 3369-3350)

Recanto das Emas (Quadra 805, área especial; telefone 3333-2773)

Recanto das Emas (Quadra 302, lote 6, Avenida Recanto das Emas; telefone 3332-3179)

Santa Maria Norte (EQ 215/315, Lote B – ao lado do CIC; telefone 3394-1264)

Riacho Fundo I (Área Central 03, lote 05; telefone 3399-4088)

Samambaia (QS 407, conjunto G, lote 1 – Samambaia Norte; telefone 3459-4983)

Santa Maria Sul (Área Especial 204 – Salão Comunitário; telefone 3393-9067)

São Sebastião (Quadra 101, Área Especial – Residencial Oeste; telefone 3335-9036)

Sobradinho I (Área Reservada 05, Quadra 8; telefone 3387-0428)

Sobradinho II (Área Especial 13 ao lado da Universal; telefone 3483-3151)

Machado de Assis (CNB 01, Área especial, Taguatinga Centro; telefone 3563-6198)

Vicente Pires (Rua 4, Área Especial Setor Habitacional; telefone 3383-7526)

Biblioteca Nacional (Setor Cultural Sul, Lote 2 – Esplanada dos Ministérios; telefone 3325-6237) 

 

 Para assinar, clique aqui 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade