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Estado de Minas

Claudia Giudice conta em 'Uma vida sem crachá' como sobreviver a demissão

Em tempos de instabilidade econômica, a autora conta como buscar um plano B


postado em 03/09/2015 07:30

De uma grande metrópole ao litoral baiano: Claudia Giudice mostra, na prática, como se recuperou após ser desligada de uma grande empresa(foto: Sérgio Zális/Divulgação)
De uma grande metrópole ao litoral baiano: Claudia Giudice mostra, na prática, como se recuperou após ser desligada de uma grande empresa (foto: Sérgio Zális/Divulgação)

Era uma segunda-feira comum. Uma tarde de agosto como outra qualquer. A rotina de trabalho se parecia com a de sempre. Mas há dias, Claudia Giudice, que ocupava o cargo de diretora na maior editora do país, estava se perguntando o que faria se perdesse o emprego. Como uma espécie de premonição. Viver sem folha de ponto, e-mails corporativos, planejamento orçamentário, metas a cumprir. O fantasma da demissão parecia assustador. Até que aconteceu. No ano passado, a executiva perdeu o emprego de forma sumária entre uma série de cortes adotados na empresa onde trabalhou por mais de 20 anos. Em vez de se lamentar, Giudice decide tocar um sonho antigo: administrar uma pousada no litoral norte de Salvador. O que era plano B, virou o plano A. Da experiência, surgiu o blog A vida sem crachá, que, agora, sai em livro pela editora Agir.

Com taxa de desemprego batendo recordes no Brasil e no mundo, aumenta a quantidade de produtos culturais com coluna dorsal semelhante ao livro da escritora e empresária. São histórias de profissionais que se viram desempregados e, aparentemente, sem rumos. Alguns, com mais de três décadas de experiência e prestes a se aposentarem. A corda bamba é generalizada. No entanto, o tom trágico acaba por aí. Com criatividade e um pouco de inovação, estas pessoas tomaram outro rumo. Assim como a jornalista, escritores e artistas, por opção ou falta dela, abandonaram uma carreira sólida em busca do novo.

Em entrevista ao Correio, Claudia explica que nem nas piores expectativas poderia imaginar que “a situação econômica do país influenciaria na criação do livro”, em que fala mais de experiências pessoais do que de corporativismo e economia. A trajetória foi se desenhando de maneira empírica. Claudia não tinha um plano estratégico. “Minha preocupação em boa parte da obra era me concentrar no depois. Superado o luto da demissão, o que fazer da vida?”, indagou-se. “Percebi que o plano B não necessariamente significava abrir um negócio próprio, mas procurar outra forma de tocar a carreira, de me remunerar. Afinal, é possível viver sem crachá, mas não sem o mínimo de dinheiro”, afirma. “Ao sair de uma grande empresa, percebi que dava para me sustentar com menos, que não precisava de altos salários”, acrescenta.

(foto: Sérgio Zális/Divulgação)
(foto: Sérgio Zális/Divulgação)
A vida sem crachá

A dor de perder o emprego e a experiência de dar a volta por cima com um plano B. De Claudia Giudice. Agir, 192 páginas. Preço médio: R$ 30.

A procura de um plano B? Leia dicas de Claudia Giudice.

Em A vida sem crachá, Claudia Giudice fornece importantes conselhos pessoais e profissionais a quem se encontra em momentos de transição. “Estou livre. Estou perdida” foi um dos sentimentos permeados por dualidade que ela registra na obra. Ao Correio, a escritora dá algumas dicas a quem está pensando em investir no plano B.

>> Pensar no que se gosta é meio caminho andado. Procure algo que você entende, e tenha preparo para começar a pesquisar sobre aquele assunto. Qualquer tipo de plano B exige muito conhecimento para que depois dê certo.

>> O grande erro das pessoas é fazer um investimento sem pesquisa. Quando se compra um apartamento, é preciso levar vários fatores em consideração. No caso do plano B, pense do mesmo jeito: você vai viver daquilo pelos próximos anos.

>> Não existe aquela fantasia que não há patrão. Quando se é o único responsável por suas escolhas, é preciso trabalhar muito. No próximo feriado, em 7 de setembro, eu estarei de plantão na pousada, onde preparo quase tudo, inclusive o suco do café da manhã dos hóspedes.

Sem crachá, mas plena

Mais que uma obra de autoajuda profissional, o livro recém-lançado por Claudia Giudice levanta pontos importantes para entender a atual conjuntura brasileira. A jornalista, para citar um exemplo, foi demitida aos 49 anos, meses após conseguir a aposentadoria. “Existe uma questão a tratar que é a longevidade. Uma pessoa com 50 anos não vai parar de trabalhar, porque ainda tem muitos anos de vida. Algumas têm filho pequeno, e precisam sustentá-los. Não é como no passado, quando, com essa idade, já se estava pronto para colocar o pijama”, observa.

“Outro dia, li em um blog que recomendava 20 livros para conferir antes de pedir demissão. Um deles contava a história de uma arquiteta que decidiu pedir as contas porque percebeu que se continuasse trabalhando no mesmo escritório, nunca teria dinheiro suficiente para comprar os apartamentos que projetava. Este é um daqueles momentos em que repensamos a carreira”, exemplifica.

Ideias como o consumo sustentável e a mobilidade urbana, temas recorrentes na sociedade contemporânea, também tem mais a ver com o estar desempregado do que se imagina. “Quando se perde o emprego, começamos, logo de cara, a reduzir os custos pessoais. Para isso, começamos a repensar o consumo. Essa autoindulgência te leva para uma revolução no pensamento. As pessoas começam a olhar para o lado e percebem que há uma economia paralela acontecendo ali, bem na frente delas .”

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