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Estado de Minas

Confira entrevista com o ator Breno Nina

O artista é uma das estrelas do aclamado filme brasiliense O último cine drive-in


postado em 06/09/2015 07:15 / atualizado em 04/09/2015 19:54

"O poderoso no filme Cine Drive-in é isso: pessoas mantém vivo aquilo que amam. Penso nisso: o que é importante na vida? É ser o presidente dos Estados Unidos? É ser rei de não sei onde? Importante mesmo é o que elegemos para este posto, na nossa subjetividade" (foto: Arquivo Pessoal)

 

A base de Breno Nina, ator que contracena com Othon Bastos em O último cine drive-in é em São Luís; mas a formação dele, em grande parte, se deveu aos esforços nos corredores da Universidade de Brasília. Foi lá que ele, premiado melhor ator, conheceu a atriz com quem divide a cena em Plano sobre queda: ninguém menos do que Camila Márdila, a brasiliense que levou prêmio no último festival de Sundance. Em comum, além da participação no curta Procedimento Hassali ao alcance do seu bolso, Márdila e Breno Nina têm o fato de contribuir para uma nova imagem da capital: a do talento. Comprometimento político, aprendizado, humildade e simpatia, igualmente, se equilibram, ao conhecermos Breno Nina, o maranhense de afiado português, que, em 2011, se mudou para o Rio. Nesta entrevista, ele fala sobre a trajetória de desafios e conquistas.

Como foi o começo de tudo? Por que artes cênicas?
Foi no teatro, em São Luis, na minha escola Colégio Educator. Até hoje, tenho muito respeito por Sérgio Elal, que foi meu primeiro diretor. Lembro-me de uma performance dele, adiantando para os alunos que a escola ofereceria curso de teatro. Bem ali, aconteceu uma grande coisa na minha vida. O trem pegou uma bifurcação, o que me definiu muito. Fomos bem-sucedidos, no grupo de teatro escolar, muito apoiado. Fiz o curso de comunicação na UnB, onde cheguei aos 17 anos. Estive dois anos no Rio, mas passei sete na UnB. Quando eu vim a Brasília para fazer comunicação, segui com o teatro, na Companhia da Ilusão, do Alberto Bruno. Trabalhei com o Bernardo Felinto numa peça que a gente fez e apresentou no Centro Cultural de Brasília. Na publicidade, fiz muitos amigos no audiovisual. Dirigi um curta, no meu projeto final. Trabalhei com várias pessoas de Brasília: a Luciana Martuchelli, depois, com o Hugo Rodas. Rodas, para mim, foi daqueles momentos que dividem águas, pelo nível de profundidade. Ele tem um projeto de extensão na UnB, com o grupo de A Macaca, em que apresentei a peça A sala.

Quem você, recentemente premiado, admira, entre os atores?
Eu me sinto muito honrado pelo prêmio em Gramado, pelo fato de ser de São Luís. Um ator — descontando o Othon Bastos, que já é essa lenda — é o Irandhir Santos, e ele, para mim, é uma curva fora da reta. Numa noite de tempestade escura, Irandhir é um farol que lança uma luz para quem quer caminhar em segmento artístico razoável. Eu me inspiro no trabalho dele: acho que nele tem algo que quero manter comigo. Tu falaste sobre esse prêmio abrir portas para tevê: estive nela, com Cheias de charme. Vi como a coisa funciona. No aprendizado, espero que Irandhir me inspire — queria muito conhecê-lo e trabalhar com ele. Mas espero é me manter instigado a estar na profissão, pelos personagens desafiadores, com colaboração numa bela obra de arte.

Como solidificou a sua formação?
Na extensão da UnB, tínhamos três horas de treinamento, de verdade. Hugo Rodas é um mestre que te modifica para o resto da vida. Não há como definir o método. Ele repassa aprendizado de vida. Não era nem entrega, nem troca corporal, nem voz: era tudo. Há precisão, perfeição e nível de exigência instigantes. Tentávamos atingir o impossível. Nas críticas, ouvia puxões de orelha para ter mais controle de corpo, maior domínio. E eu, meio desengonçado (risos). E o Hugo me ensinou a trabalhar o domínio do corpo. Acessei aquilo, por ele. Antes, veio a Luciana Martuchelli, com trabalho superimportante de cursos de cinema. Me deu base, e parti para a companhia Inspiração. Em paralelo, comecei a fazer curtas na faculdade.

Alguns de repercussão?
O Procedimento Hassali ao alcance do seu bolso, que é do Saulo Tomé, é um curta da UnB pelo qual tenho muito carinho. Um dos curtas com prêmios e que achei especial foi A menor distância entre dois pontos, com o Sérgio Sartório, que eu dirigi com o Elias Guerra. Na trama, na Ponte JK, dois homens-bomba iam fazer um ataque terrorista, só que interpretavam errado o código e confundiam as coisas (risos). O filme foi para a Mostra Brasília (2010), no 43º Festival de Brasília, e a gente ganhou o prêmio de melhor curta digital. Eram uns 89 filmes na Mostra Brasília, e ficamos muito felizes!

 

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