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Estado de Minas

Filipe Catto se inspira em Cássia Eller em seu novo disco, 'Tomada'


postado em 14/09/2015 07:33 / atualizado em 14/09/2015 10:41

Filipe Catto:
Filipe Catto: "Cantar Cássia me serviu como um laboratório de sonoridade, de estética, de interpretação" (foto: Gal Oppido/Divulgaçao)
 

Quando veio a Brasília com o show Catto canta Cássia, em abril, interpretando canções de Cássia Eller, Filipe Catto emocionou-se ao apresentar Rubens. Escrita na década de 1980, a letra de Mário Manga versa sobre dois homens que se amavam a seu modo, mas não podiam ficar juntos. O cantor não planejava, mas de maneira indireta, o discurso afiado conhecido na voz da célebre brasiliense marcaria sua carreira de modo definitivo. Viver Cássia nos palcos foi fundamental para a construção sonora de Tomada, segundo disco de inéditas do artista de 27 anos. O novo projeto sucede Fôlego, lançado em 2011.

Assim como a musa inspiradora, Filipe também mescla momentos de timidez e fala serena a uma postura decidida e feroz, evidente no mais recente álbum, lançado pela agência Natura de Música. “Cantar Cássia me serviu como um laboratório de sonoridade, de estética, de interpretação. Ao me ver dando voz a Rubens e Gatas extraordinárias, percebi que me interessava por esse pop de altíssimo nível que ela fazia, algo que tem desaparecido das grandes mídias. Cássia era da MPB, mas tocava na rádio. As músicas de Tomada têm essa tonalidade despojada”, comenta o artista porto-alegrense, que vive em São Paulo desde 2010. “Eliminei esse compromisso formal que tinha com a música brasileira. Fiquei mais leve”, comemora o artista, comparado a Ney Matogrosso pelo tom singular.

Na produção, portanto, nada mais acertado que convidar o hitmaker Kassin, e reafirmar a feliz parceria artística com o produtor Ricky Scaff, amigo de longa data. A mensagem do disco é clara— Catto celebra amores e paixões. Fugazes, eternas, efêmeras. Sem distinção de gênero. Exatamente por isso, apresenta uma versão de Amor mais que discreto, um “hino gay” gravado por Caetano Veloso em 2007, mas pouco conhecido do público. “É muito bom cantar essa música em primeira pessoa. Antigamente, em entrevistas, quando se perguntava ao artista gay se ele estava solteiro, ele dizia que não, que estava saindo ‘com uma pessoa’. Tivemos conquistas no Judiciário, fundamentais para poder falar abertamente sobre isso”, avalia o artista.

A postura preconceituosa de alguns parlamentares provocou o artista. Filipe sentiu que era o momento de se posicionar nas questões LGBT, mas de forma “amorosa”, e não combativa. “Falo de um amor livre de preconceitos, mas sem querer jogar o dedo na cara do outro. A arte é uma ferramenta poderosa para tratar diferenças e semelhanças. Foco nas semelhanças, no que temos em comum, que é amar sem medidas”, filosofa.

 

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