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Estado de Minas

Crianças Selvagens: fotógrafa recria histórias reais

As imagens foram encenadas por modelos e chama atenção para casos onde crianças cresceram junto a animais


postado em 16/10/2015 19:15 / atualizado em 16/10/2015 19:25

Histórias de crianças que cresceram rodeadas por lobos, cachorros e macacos são relatos que causam espanto e alimentam a criatividade de muita gente. Por isso, a fotógrafa alemã Julia Fullerton-Batten quis explorar no seu último trabalho, intitulado de Feral Children ("Crianças Selvagens"), histórias reais dessas crianças. As fotografias contaram com produção e modelos que encenaram as histórias de 15 crianças.

Os casos retratados aconteceram em diferentes países e algumas crianças ainda estão vivas, após processo de reintegração social. Quando encontradas, muitas não sabiam falar, estavam subnutridas ou traumatizadas.

Em entrevista à BBC, a fotógrafa conta que há duas situações para essas histórias: quando a criança se perde na selva e aquelas que são negligenciadas em suas próprias casas.Infelizmente, muitas dessas histórias têm como pano de fundo, traços de violência e pobreza, como relatou a antropóloga britânica Mary-Ann Ochota, que prestou consultoria para o trabalho. Ochota conheceu três das crianças vivas e auxiliou para que as fotos ficassem o mais "real" possível.

A fotógrafa relata que as histórias dessas ciranças estão longe das animações como Tarzan e Mogli - O Menino Lobo. Essas crianças tiveram de disputar comida e aprender a sobreviver em ambientes hostis.

Conheça alguns dos comoventes relatos:

Oxana Malaya, Ucrânia, 1991

(foto: Reprodução/BBC Brasil)
(foto: Reprodução/BBC Brasil)


A menina ucraniana viveu dos dois aos oito anos em um canil com cachorros, quando foi encontrada. Oxana latia, cerrava os dentes e andava de quatro. Por causa do pouco convívio com humanos, as únicas palavras que a menina conhecia eram "sim" e "não". "Seus pais eram alcoólatras e, uma noite, a deixaram para fora de casa. Em busca de calor e aconchego, a pequena Oxana foi para o canil e se aninhou junto aos vira-latas", conta Fullerton-Batten à BBC.

Agora com 30 anos, Oxana passou por terapia intensiva e aprendeu habilidades sociais e verbais básicas, e vive em uma clínica em Odessa, onde trabalha com animais.

Marina Chapman, Colômbia, 1959
(foto: Reprodução/BBC Brasil)
(foto: Reprodução/BBC Brasil)


A menina colombiana tinha 5 anos de idade quando foi sequestrada do pequeno vilarejo onde morava, e abandonada na floresta. Ela passou a viver com uma família de macacos-pregos por cinco anos, quando foi descoberta.

Ela comia raízes, frutos e bananas que o bando deixava cair. Dormia em buracos nas árvores e andava como os macacos. Ela fez amizade com os macacos e foi adotada. "Os macacos não lhe davam comida. Ela é quem teve que aprender a sobreviver, copiando o comportamento deles. No fim, eles se acostumaram com ela e a tratavam como igual, inclusive catando seus piolhos", relata a fotógrafa.

Chapman escreveu um livro autobiográfico, A Garota Sem Nome, de onde a fotógrafa tirou a ideia para fazer o trabalho.

Shamdeo, Índia, 1972
(foto: Reprodução/BBC Brasil)
(foto: Reprodução/BBC Brasil)


O menino de 4 anos foi encontrado em uma selva na Índia em 1972. Ele tinha pele escura, dentes afiados, calos nas mãos e brincava com os filhotes de lobos. Shamdeo gostava de caçar galihas, comer carne crua e também terra. Ele nunca aprendeu a falar mas se comunicava por sinais.


Sujit Kumar, Fiji, 1978
(foto: Reprodução/BBC Brasil)
(foto: Reprodução/BBC Brasil)


Sujit foi preso no galinheiro após seus pais notarem um comportamento disfuncional. Sua mãe se matou e o pai foi assassinado. O avô que assumiu sua criação, o manteve no galinheiro. Ele tinha oito anos quando ele foi encontrado no meio de uma estrada, cacarejando e batendo os braços. Ele bicava sua comida e fazia ruídos clicando a língua.
Ele foi enviado para um asilo e viveu amarrado na cama por mais de 20 anos, devido ao comportamento agressivo. Hoje, tem mais de 30 anos, foi resgatado por Elizabeth Clayton que cuidou dele. Sujit fundou uma ONG para ajudar crianças carentes.

Madina, Rússia, 2013
(foto: Reprodução/BBC Brasil)
(foto: Reprodução/BBC Brasil)


A menina rússa viveu entre cachorros do nascimento até os três anos de idade. Em 2013, ela foi encontrada por assistentes sociais, e vivia nua, rosnava e andava de quatro. A menina compartilhava comida, brincava e dormia com os cachorros.

A mâe de Madina tinha apenas 23 anos, mas apresentava problemas com álcool depois que o pai da criança saiu de casa.

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