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Estado de Minas

Arte indígena celebra identidade no Memorial dos Povos Indígenas

Projeto Moitará reúne artistas, escritores e cineastas em torno da temática indígena


postado em 18/11/2015 07:30 / atualizado em 18/11/2015 10:00


(foto: @angelaraymundo/Instagram)
(foto: @angelaraymundo/Instagram)

Quem passou pela frente do Memorial dos Povos Indígenas nos últimos dias se deparou com uma pintura singular, marcada por tons rubro-negros, que evoca os traços dos povos Xingu. A cor branca, predominante nas obras de Niemeyer, virou base para a arte indígena, que segundo o diretor do memorial, Álvaro Tukano, representa a sabedoria. “A pintura simboliza a mensagem que grandes sábios e sábias deixaram para nós, de que o mundo não acabou”. Segundo Álvaro, os traços estão ali para lembrar que os grandes sábios nos deixaram uma tarefa a cumprir, a de continuar a luta.

Ainda segundo o diretor, o formato redondo do museu lembra as crenças do povo Yanomami. Para eles, o céu é aberto e redondo, assim como a vista interna do memorial proporciona; e o lado astral, é a essência da sabedoria. “O povo Yanomami é muito pensador, está sempre subindo e descendo dos céus”, acrescenta Tukano.

Projeto Moitará


Até 17 de dezembro, a pintura estará na parte externa do memorial para demarcar a natureza tribal e convidar os brasilienses para participar do Projeto Moitará. “Poucas pessoas escrevem sobre suas raízes; quem escreve são pessoas muito cultas, simples e de resistência, que expõem a diversidade de culturas no Brasil”, diz Tukano. No projeto, que ocorre todas as quintas, às 19h, escritores, músicos, artesãos e cineastas, como Elly Karajá, Benki Ashaninka, Kariri Xocó e Caimi Waiassé debatem sobre a essência da cultura brasileira.

Segundo Álvaro Tukano, hoje, existem 304 povos indígenas com 274 línguas distintas. Os moradores de Brasília, por estarem na capital do país, têm a responsabilidade de ajudar a mostrar a importância desses povos para o resto do mundo. “Não é um índio para gringo ver em uma vitrine. Quem está vindo para cá são intelectuais para mostrar quem são eles”. Como lembra Tukano, a tradução do pensamento sustentável e do intelectual indígena deve ser do conhecimento de todos, para não haver preconceito e preservar as riquezas nacionais.


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