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Estado de Minas

Guiomar de Grammont lança livro sobre desaparecidos da ditadura

Escritora mineira participa do movimento "Fica Chico", na UnB


postado em 18/11/2015 07:30

 

 

Guiomar de Grammont: narrativa sobre a angústia de uma família(foto: Neno Vianna Sorrindo/Divulga?ao)
Guiomar de Grammont: narrativa sobre a angústia de uma família (foto: Neno Vianna Sorrindo/Divulga?ao)

 

O novo romance da escritora mineira Guiomar de Grammont é corajoso e toca em um assunto delicado: os registros, memórias de desaparecidos políticos da ditadura do Brasil. O desafio é mexer no vazio da impossibilidade de resgatar tais registros. É ficção que, mais do que se espelhar na realidade, esbarra na sensibilidade de uma vida que precisou lidar com a perda de um familiar nesse período. Palavras cruzadas será autografado hoje, na Livraria do Chico, na UnB.

O lançamento é parte do movimento “Chico fica!”, que tem mobilizado a comunidade acadêmica desde que ameaçaram retirar o quiosque onde a Livraria do Chico está instalada há 40 anos. Para movimentar ainda mais o espaço, Chiquinho — como é conhecido entre alunos e professores — resolveu criar o Quartas Memoriais, que pretende debater um livro a cada mês. Guiomar é a primeira convidada. Ela é escritora, dramaturga e professora da Universidade Federal de Ouro Preto.

Em Palavras cruzadas, as feridas se tornaram cicatrizes e desapareceram, pouco a pouco. Como os nomes dos personagens, que vão sendo esquecidos pouco a pouco. Com mistério, suspense, e revelações apresentadas progressivamente, o livro trata da presença do ausente, enfim, da angústia de uma família que jamais pôde enterrar um de seus filhos. Em uma leitura contemporânea do drama de Antígona, a jornalista Sofia busca o irmão, Leonardo, desaparecido na Guerrilha do Araguaia. Ela faz entrevistas e investigações e viaja a Cuba e ao local onde a guerrilha ocorreu, tentando preencher vazios para descobrir o que teria acontecido com o irmão.

A narrativa fluida é tecida principalmente por meio dos relatos de desaparecidos políticos que Sofia vai tendo em mãos. A personagem se confronta com a cruel realidade dos guerrilheiros e seu dia a dia de fome, lutas, medos, anseios, fuga e tortura.

Lucidez e história
Palavras cruzadas oferece uma narrativa baseada em documentos sobre a Guerrilha do Araguaia e também sensível, literária. Fascina a descrição do desafio da sobrevivência na floresta amazônica em situação-limite, sem poder fazer fogo para cozinhar alimentos. É angustiante, mas também impossível não continuar seguindo, como Sofia, os relatos dos guerrilheiros e as próprias divagações da personagem, pois a vida parece ter parado após a morte do irmão, mas nunca para. “É uma história que fala sobre a derrrocada da utopia e tem uma perspectiva muito mais contemporânea sobre a guerrilha. Mostra o autoritarismo, discute essas questões”, explica Guiomar.

"É uma história que fala sobre a derrrocada da utopia e tem uma perspectiva muito mais contemporânea sobre a guerrilha"
Guiomar de Grammont

Palavras cruzadas
De Guiomar de Grammont. Record, 240 páginas. R$ 29,50

Lançamento
Hoje, às 18h30. Livraria do Chico — Universidade de Brasília (Câmpus Universitário Darcy Ribeiro, ICC Norte)

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