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Estado de Minas

Cheio de polêmicas o filme Chatô, de Guilherme Fontes, estreia em Brasília

O diretor se diz realizado com o longa, mesmo com os atrasos e contratempos


postado em 26/11/2015 07:30 / atualizado em 26/11/2015 11:40

(foto: Vira Comunicação/Divulgação)
(foto: Vira Comunicação/Divulgação)

Em 1994, quando Guilherme Fontes decidiu comprar os direitos do livro Chatô, o rei do Brasil, de Fernando Morais, para transformá-lo em filme, não imaginou que daria início a uma jornada de duas décadas. Tanto que, mesmo antes de estrear, o filme já havia entrado para a história da indústria cinematográfica brasileira.

O ano seguinte, 1995, assombraria Fontes por muito tempo. Na época, o projeto de produzir e dirigir um filme parecia promissor. Acostumado a papéis de destaque nas novelas e no cinema, estava entusiasmado com sua estreia como diretor. Havia conseguido patrocínio de várias empresas e cerca de R$ 8 milhões via Lei Rouanet e Lei do Audiovisual. Mas o longa sobre Assis Chateaubriand, que deveria estrear em 1997, teve o prazo esticado para 1999. A partir dali, a produção em si virou uma saga que renderia um filme à parte.

Confira as sessões do filme aqui


Foram 20 semanas de gravações, no total, distribuídas entre 1999, 2002 e 2004. Mas os comentários e as notícias que se espalharam, desde então, chamavam a atenção para as milionárias dívidas do filme e para as acusações de desvio de dinheiro. Guilherme explica que demorou apenas três anos para captar 80% do filme e 15 anos para conseguir os 20% restantes. Ele nega a dívida de R$ 80 milhões com o Tribunal de Contas da União e já entrou com recurso.

Mesmo em meio a tantos atrasos e contratempos, o diretor de Chatô sente-se realizado por não ter se desviado de seu objetivo. Confiante, revela que não esmoreceu. “Eu já sabia que ia chegar onde cheguei hoje, em relação ao filme”, falou ao Correio.

Império
Assis Chateaubriand, o Chatô, sempre foi uma figura controversa, mas de importância seminal. Magnata das telecomunicações do país, foi dono de um verdadeiro império jornalístico, que reuniu dezenas de jornais, revistas e estações de rádio. Foi também pioneiro da televisão no Brasil, criando a TV Tupi em 1950.

Para seu primeiro filme, Guilherme Fontes buscou inspiração no clássico Cidadão Kane, de Orson Welles; em Martin Scorsese, Federico Fellini e no Cinema Novo. Além do próprio Fontes, o roteiro contou também com colaboração de João Emanuel Carneiro (autor das novelas Avenida Brasil e A Regra do Jogo) e do norte-americano Matthew Robbins, indicado por Francis Ford Coppola.

Hoje, 20 anos depois, o milionário projeto vai, aos poucos, perdendo o ar de lenda urbana e ganhando as telas de cinema do país. A estreia, no último dia 19, ocorreu primeiramente no Rio de Janeiro e em São Paulo. Agora é a vez de Brasília.

O livro homônimo de Fernando Morais serviu de base para Chatô, o rei do Brasil. Mas Fontes optou por não obedecer a uma cronologia e também abriu mão do realismo. A narrativa, anárquica e ágil, foi escolha do diretor, desde o começo: “O ideal, a forma, o estilo. Tudo isso já estava decidido dentro de mim”.

Marco Ricca, o protagonista, encarna o complexo Chatô. No elenco, também se destacam Andréa Beltrão, Paulo Betti, Letícia Sabatella e Leandra Leal. Os comentários estão positivos. Entre lentos avanços e muitos retrocessos, o filme sobreviveu bem ao tempo. A maioria das críticas tem elogiado Chatô e ressaltado seu mérito.

“Quando a lenda for mais forte que a realidade, imprima-se a lenda.” A frase, celebrizada no clássico O homem que matou o facínora (1962), de John Ford, poderia até se aplicar ao filme de Fontes. Mas o diretor conseguiu provar que seu projeto não era lenda. “Fui vitimado pelo meu próprio personagem”, conta Guilherme. “A produção virou lenda, o filme virou lenda, o diretor virou lenda.” Mas, para seu triunfo, o mito se tornou, finalmente, realidade. “Fui brindado com essa recepção positiva da crítica, praticamente unânime”, orgulha-se ele.


Entrevista/ Guilherme Fontes
Como você conseguiu manter uma unidade em sua obra, ao longo de 20 anos de produção?

É exatamente assim que eu sou. Eu me propus a concluir bem meu projeto, mesmo tendo que esperar. Não tinha como concluir de qualquer jeito e perder a unidade original. Essa coerência já estava prevista, pois sempre achei que o filme tinha muita atualidade. Então, esse não foi um grande drama.

Diante de tanta expectativa em relação ao lançamento do filme, em algum momento ficou inseguro quanto ao resultado?
Não vou negar, fiquei apreensivo, como acontece antes de qualquer estreia. Mas eu via e sentia que o filme estava sendo bem recebido nas cabines que havia feito. E isso me deixava a cada dia mais animado.

O filme passeia entre a realidade e a ficção, em vários momentos. Como foi transitar, tratando-se de um personagem tão controverso como Chatô?
De certa forma, facilitou muito. Pude ir conduzindo o espectador e fazendo com que ele aceitasse aquele personagem complexo. Dessa forma, achei um meio de torná-lo mais humano, mais próximo, mais errático.

Depois de tantos anos de luta para lançar Chatô, tem vontade de dirigir outros filmes?
Claro! Tenho mais três projetos na manga. Penso em dirigir um filme sobre religião, um sobre a chegada das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) no Rio de Janeiro, e um outro sobre surfe urbano.

Como você lida com as acusações de desvio de dinheiro que marcaram a produção do filme?
Lido com extrema tristeza, porque todos estavam errados. Houve uma falácia, uma invenção que surgiu na Zona Sul do Rio de Janeiro, se espalhou e acabou virando lenda. Essa discussão sobre prestação de contas é uma coisa natural. Mas, por inveja, ciúme e maledicência, transformaram em perseguição.

 

Confira o trailer

 

 

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