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Estado de Minas

Filme Filhos de Bach se inspira em casos ouvidos no Caje, em Brasília

O longa-metragem é uma coprodução entre Brasil e Alemanha e deve estrear en narli de 2016


postado em 14/12/2015 07:22 / atualizado em 14/12/2015 07:22

(foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)
(foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)

Uma experiência brasileira, reforçada por um projeto brasiliense, fez o diretor alemão Ansgar Ahlers perceber que havia um roteiro interessante envolvendo jovens de centros de detenção de menores e a música. Em 2006, durante a filmagem de um curta em uma favela — uma encomenda de uma associação de assistência a pessoas com hanseníase —, ele ouviu falar de um coral comunitário para crianças carentes e como o projeto ajudava os jovens de meios desfavorecidos. Ahlers se deu conta então da existência de muitos projetos com o mesmo formato e começou a pensar em um roteiro no qual um alemão aposentado, ex-professor de música, herda uma partitura original de Bach e precisa ir atrás do legado em Ouro Preto. No interior de Minas, ele acaba por dar aulas de música para jovens e adolescentes de um centro de detenção.

Filhos de Bach
levou oito anos para sair do papel e virar filme em uma coprodução entre Brasil e Alemanha. A estreia deve ocorrer no fim de março, mas o filme já foi apresentado no Festival do Rio, no Festival de Cinema de Emden-norderney, no qual ganhou três prêmios, e em outras três competições na Alemanha. Foi em Brasília, durante uma visita ao Caje, que o diretor encontrou parte da inspiração para o roteiro. Enquanto visitava a cidade em 2007, Ansgar, que é casado com uma brasiliense, soube de um projeto cultural desenvolvido pela então diretora do centro, Heloisa Viana. Ela criou o Adolescente nota 10, do qual fazia parte uma série de atividades musicais inseridas em um programa de ressocialização de jovens apreendidos. Heloisa acredita no poder da música para a reinserção social. “O homem vive da arte, toda a representação que ele faz vem da arte. E com isso você traz o menino para a origem dele, porque ele não nasceu daquela forma. É como se ele se sentisse se esculpindo, se reencontrando”, explica Heloisa.

A partir dessa ideia, Ansgar desenvolveu um roteiro profundamente enraizado na música e nas experiências semelhantes às do Caje em todo o país. “Muitas pessoas não acreditam no futuro de jovens que estiveram detidos. Eu queria fazer uma história para acreditarem que esse futuro é possível. Eu realmente apoio as histórias dos filmes que faço. Isso é importante para mim, inclusive quando escolho o elenco”, conta o diretor. No filme, Pablo Vinicius faz Fernando, menino órfão que vai morar em reformatório após perder o pai e ser abandonado pela mãe. O jovem da Rocinha ficou emocionado quando leu o roteiro pela primeira vez.

Natural de Mossoró, ele, que nunca conheceu o pai, foi para o Rio de Janeiro com a tia depois de perder a mãe. Foram os projetos sociais com atividades artísticas que levaram Pablo, 16 anos, para o cinema e a tevê. Ele foi selecionado para o longa 5XFavela em 2010 e participou da série Preamar, da HBO, em 2012. Também está no elenco de Gonzaga — De pai para filho. “Quando li o roteiro com Pablo pela primeira vez e falei do personagem principal, ele começou a chorar porque viu muita semelhança entre a história do órfão Fernando e a dele”, lembra Ansgar.

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