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Estado de Minas

Mulheres conquistam espaço nas picapes de Brasília; conheça algumas DJs

Nomes como Unicornians e New chicks on the block estão na lista


postado em 14/12/2015 07:22 / atualizado em 14/12/2015 16:52

Mulheres como as Unicornians têm ganhado espaço na discotecagem em Brasília com profissionalismo, qualidade e inovação(foto: Patrícia Gontijo/Divulgaçao)
Mulheres como as Unicornians têm ganhado espaço na discotecagem em Brasília com profissionalismo, qualidade e inovação (foto: Patrícia Gontijo/Divulgaçao)

C4Ju4n4, Donna, Unicornians, Ana Ramos, Janna e New chicks on the block são alguns dos nomes que estão mudando o cenário predominantemente masculino da discotecagem em Brasília. Cada vez mais presentes na cena cultural, as DJs mulheres têm quebrado o esteriótipo de que “está ali porque é bonitinha ou gostosinha, de que alguém a colocou em cima do palco, de que não tem técnica, pesquisa musical e mal sabe ligar os cabos do próprio equipamento”, como explica Fernanda Duarte, a DJ C4ju4n4. Primeira mulher a tocar favela bass na capital - um ritmo derivado do funk “proibidão” e do trap - ela é um dos nomes que se destacam nas line-ups.

 

O coletivo New chicks on the block (NCOB) caiu de paraquedas. DJs há pouco mais de um ano, as amigas Nice Moanna, Tatiana Fonseca e as irmãs Manuela e Mariana Acioli começaram a tocar de brincadeira. “Tínhamos alguns amigos DJs e eles nos chamavam para aprender nas festinhas que tocavam para conhecidos”, conta Nice.

 

Já o duo Unicornians está imerso na música desde a infância, quando Ananda Streit começou a tocar piano clássico e Athena Ilse aprendeu violão. As amigas juntaram-se para discotecar há quase dois anos pela afinidade de gostos, mas não tinham a pretensão de se profissionalizar. Elas se lançaram em concursos de caça-talentos de algumas festas e, logo que conquistaram certo prestígio, também começaram a produzir festas.

 

Tem cada vez mais mina aparecendo na cena, fazendo seu corre, querendo participar, tanto como DJ quanto na produção. E essa coragem de botar a cara no sol é linda!”, afirma a DJ Ana Ramos. Ela ressalta que, até pouco tempo atrás, Brasília tinha poucas mulheres cujos nomes eram lembrados e, agora, existem várias.

 

Mesmo assim, a igualdade está para acontecer. “Inúmeras DJs são impecavelmente mais talentosas, tocam tracks bem melhores que muitos DJs homens, mas continuam na sombra deles”, destaca Ana.

O preconceito

Contra o preconceito que afirma ter sofrido para se inserir no meio, a DJ C4ju4n4 decidiu criar a própria produtora, formada exclusivamente por mulheres. “Sempre quis produzir e nunca credibilizaram, acreditaram ou ouviram minhas ideias, justamente por ser mina”, conta. Hoje, a ANTD tem feito sucesso com a festa que deu nome ao empreendimento: As novinhas tão Disney.

 

Sinto que as pessoas, em geral, tendem a respeitar e a valorizar mais o sexo masculino como profissionais”, comenta Athena. Como exemplo, ela cita os seguranças e técnicos de som, que costumam aceitar mais facilmente demandas vindas de homens. A parceira de picape, Ananda, conta que já passou por situações de desconforto e insegurança enquanto organizava uma festa. “Tenho a sensação de que mulheres no comando podem deixar alguns homens incomodados. Isso é muito ruim porque desmotiva o nosso trabalho”, explica.

 

A DJ Ana Ramos também conta que já foi barrada pelo segurança da festa onde iria tocar por não acreditar que estaria ali a trabalho. “Produtores já me destrataram e me diminuíram e DJs homens me subestimaram”,  conta. Ela lembra que o desrespeito pode vir, também, de mulheres que tocam há mais tempo.

 

Respeito conquistado

 

Para conquistar espaço em algumas das festas mais bombadas de Brasília, a maioria das DJs contou com o apoio de amigos e conhecidos do meio. “Não foi uma caminhada só nossa e, felizmente, ninguém nunca nos virou as costas”, conta a DJ Nice. Assim também foi com veterana Donna, que começou a tocar há 15 anos, quando quase não havia mulheres comandando as picapes.

 

Após um ano de prática com toca discos de amigos, foi a única mulher de Brasília selecionada para o curso da Red Bull Music Academy. Mas o reconhecimento só chegou quando Donna montou a própria pista na extinta Festa Ambulantes e tocou ao lado do DJ Celsão, precursor da discotecagem de black music no Distrito Federal.

 

Na época, a DJ não tinha condições de comprar um toca discos e, por isso, tocava no CDJ, um aparelho que mixa CDs. Ela conta que foi um período complicado para ser reconhecida. “Ou você tocava em vinil ou era desprestigiado. Eu não tinha nome e tocava no CDJ”, conta. Hoje, ela é uma das pouquíssimas mulheres que trabalham com os bolachões em Brasília.

 

Parceira de projetos e de treinos, a DJ Janna também é uma delas. Há quatro anos na cena, foi a primeira mulher a tocar trap na cidade, mas garante que conquistar um espaço sozinha não é tarefa simples, especialmente no hip-hop: “Ainda rola uma resistência para as mulheres serem tratadas de igual pra igual”. Juntas, as DJs estão envolvidas em um projeto que deve chegar em fevereiro de 2016: a festa Boombap, cujo nome é onomatopéia para a base do hip-hop underground.

 

Para manter o respeito e se destacar nas line-ups, todas elas ressaltama importância de pesquisar lançamentos, de treinar técnicas de mixagem, de aguçar os ouvidos e estudar música. Também é comum o interesse pela mistura de músicas conhecidas com outras nem tanto. “Tocar o que todo mundo já ouve é fácil. Bom mesmo é colocar uma música pela primeira vez”, conta a DJ Nice.

 

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