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Estado de Minas

Livro Cravo na carne - Fama e fome conta histórias dramáticas do faquirismo

Em 2013, o projeto ganhou o Prêmio Funarte Caixa Estímulo ao Circo


postado em 09/01/2016 07:36

Foi um show. Em 28 de janeiro de 1955, a gaúcha Rossana entrou na urna de cristal instalada numa sala de um edifício na Rua dos Carijós, no Centro de Belo Horizonte. A garota, de 24 anos, ficou trancada ali por 20 dias — sem comer, sob cacos de vidros, rodeada de serpentes e vestida de odalisca. Os mineiros pagaram para ver a estrela feminina do faquirismo no Brasil. “Enfrentando a morte para ganhar a vida” — esse era o slogan da moça. Em 2016, Rossana bem poderia estar fazendo performance em galerias de arte contemporânea.

Na primeira metade do século 20, jejum não era moda como nesses nossos tempos de esquálidas top models. Porém, a fome garantia o show. Em clima circense e dizendo-se inspirados em práticas ascetas orientais, faquires ganhavam fama e algum dinheiro ao se trancar em urnas transparentes, cobrando ingresso do respeitável público. Muita gente se comprazia em espiar, in loco, o martírio de homens e mulheres dispostos a passar semanas à base de água, limonada e laranjada, cercados por cobras.

Sensação da provinciana BH, Rossana é apenas uma das 11 personagens do livro Cravo na carne — Fama e fome (Editora Veneta), fruto da pesquisa realizada pelos paulistas Alberto Camarero e Alberto de Oliveira. Em 2013, o projeto ganhou o Prêmio Funarte Caixa Estímulo ao Circo. Histórias dramáticas, momentos divertidos, algumas doses de charlatanice e muita ousadia eram parte dos chamados espetáculos de “emoções baratas” em cartaz, dos anos 1920 a 1960, em saguões de teatro, foyers de cinema ou pavilhões de compensado erguidos nas praças e terrenos baldios.

Odalisca
Tudo começou com a ideia fixa do cenógrafo Camarero. Garoto, ele se impressionara com Verinha: vestida de odalisca, a moça aguentou dias trancada na urna transparente colocada dentro de um pavilhão, em Campinas. Durante anos, buscou notícias dela, sem sucesso. Em 2012, com ajuda da internet, achou a pista daquela figura fascinante. Em parceria com o historiador Alberto de Oliveira, Camarero resgatou não só a trajetória de Verinha — de quem acabou ficando amigo —, mas de outras faquiresas que fizeram sucesso no Brasil.

 

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