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Estado de Minas

Animações que concorrem ao Oscar dialogam com público infantil e adulto

Filmes como 'Divertida mente' e 'O menino e o mundo' têm temática que esbarra em assuntos densos, como a psique humana


postado em 28/01/2016 06:01 / atualizado em 27/01/2016 18:07

Animação da Pixar, 'Divertida mente' entretém crianças e provoca reflexões em adultos (foto: Walt Disney Company /Divulgação)
Animação da Pixar, 'Divertida mente' entretém crianças e provoca reflexões em adultos (foto: Walt Disney Company /Divulgação)
Com estreia hoje, o longa-metragem de animação Anomalisa surge como representante de uma tendência consolidada entre os indicados ao Oscar na mesma categoria. São películas que, independentemente da técnica de desenho e finalização utilizada, se destinam a um público híbrido ou, em grande parte, se voltam a adultos, contrariando o senso comum de que esse tipo de produção é prioritariamente criado para crianças.
 
Dialogar com o público em narrativas que alcançam diferentes níveis é elemento comum no filme de Charlie Kaufman e de Duke Johnson e nos concorrentes na Academia, como O menino e o mundo (de Alê Abreu, único representante brasileiro na cerimônia), Divertida mente (já considerado uma obra-prima dos estúdios Pixar) e Quando estou com Marnie (do estúdio japonês Ghibli).
“A Pixar, por exemplo, tem esta dinâmica de trabalhar com camadas. Funciona bem para crianças, tanto que meu filho de 2 anos adorou Divertida mente, mas é superdenso em sua discussão, pode ser analisado da ótica da psicanálise. O que está acontecendo é que essa tendência está aparecendo mais, e o ano foi propício a esse tipo de produção”, pontua Fonteles.

“Quando falamos abertamente de algo, o ser humano tem uma tendência a se autorregular. O lúdico e a metáfora têm driblam essa resistência, vão direto ao ponto. Por isso, muitos diretores usam desenhos animados para falar de assuntos sérios”, acredita a psicóloga Patrícia Simone, que avalia a relação entre a psique e a sétima arte no blog Psicologia e cinema.

“Esta tendência de animações com temas duros, como a morte e a perda, questão em filmes como Procurando Nemo, é algo que observo há algum tempo. Eles tocam o inconsciente, não vão pelo caminho da lógica, pelo cognitivo”, avalia. “Divertida mente, por exemplo, faz uma crítica sutil a esta era em que as pessoas não podem ficar tristes, tomam antidepressivos e se drogam para ficarem alegres, não enfrentam suas dores. De alguma forma, eles estão passando mensagens que servem a crianças, mas se prestam principalmente a adultos”, acredita a especialista.

Dicotomia 

Marco na história recente da indústria cinematográfica, a categoria animação levanta a discussões desde 2001, quando foi criada. Um marco aconteceu uma década antes, quando, em 1991, A Bela e a fera foi premiado como melhor filme. Até então, poucas eram as animações que sobreviviam à esmagadora competição na mesma categoria. Há quem a veja como um trunfo para quem vive dos traços, e quem a veja como uma categoria subvalorizada e que diminui as chances de bons filmes de animação concorrem em outras categorias.
 
“Há, sim, uma dualidade. Divertida mente tinha chances de ser indicado como melhor filme, além de melhor animação, o que levanta dubiedade da categoria, tirando-lhe a chance de concorrer com filmes live action ou com blockbusters. Mas, ao mesmo tempo, abrem-se portas a filmes que não tinham tantas oportunidades de concorrerem, de aparecer, como O menino e o mundo”, afirma Maurício Fonteles. “No Festival de Cinema de Brasília, aconteceu o contrário. Há uns dois anos, a categoria animação foi abolida”, lamenta o diretor da OZI Escola Audiovisual.
 

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