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Estado de Minas

Alexandre Carlo e Kiko Peres relembram altos e baixos do Natiruts

Em entrevista, músicos recordam as atribulações da vida na estrada


postado em 31/01/2016 15:59

Banda completa duas décadas de carreira em 2016 (foto: Sony Music/Divulgação)
Banda completa duas décadas de carreira em 2016 (foto: Sony Music/Divulgação)
A maioria das bandas bem-sucedidas, não costuma passar incólume pelo sucesso e o Natiruts não foi exceção. As atribulações da vida na estrada, a imaturidade e outros motivos que os integrantes evitam se aprofundar causaram a saída de músicos da formação original, incluindo Kiko Peres (que retornou em 2013), Izabella Rocha, Bruno Dourado e Juninho. “Cada um vai ter os seus motivos, então, não adianta querer resumir os ‘porquês’ aqui. E hoje, tanto pra quem saiu quanto para os que ficaram, acredito que seja um assunto completamente superado”, explica Alexandre.

O guitarrista Kiko Peres relembra ao Correio um dos momentos mais tensos do Natiruts, um acidente de ônibus, em 2000, que o afastou por cinco meses da banda e o fez repensar a vida na estrada.

“Foi um período em que eu já estava me sentindo cansado da vida na estrada, com filho pequeno e comecei a repensar. Mas foi tudo muito amigável, tanto que fiquei próximo, coproduzi o quarto disco e até fiz alguns shows durante o período em que fiquei oficialmente fora”, recordou.

Apesar das baixas, a banda seguiu firme e lançou dois álbuns de estúdio: os álbuns/DVD ao vivo Reggae power ao vivo, Acústico no Rio de Janeiro (“esse lançamento permitiu que muita gente fora do Brasil conhecesse nosso trabalho”, lembra Alexandre) e Reggae Brasil, no ano passado.

Para as comemorações dos 20 anos da banda e do lançamento do primeiro disco, o Natiruts prepara o lançamento de um documentário, shows com a formação original da banda e um novo disco de inéditas, o primeiro desde 2009.

 

Entrevista /Alexandre Carlo

Quais são as melhores recordações do Natiruts quando a banda ainda não havia feito sucesso?

As composições me lembram muito meu bairro (Cruzeiro), a UnB, e a época em que a 109 Sul era o recanto boêmio da cidade. Os personagens que por ali passavam me inspiraram a compor canções como Surfista do lago Paranoá.

Qual foi o momento em que você percebeu que a banda poderia atingir projeção nacional?
Foi tudo muito rápido. Começou na fita demo que virou atração no DF. Depois, veio o disco Nativus, gravado e lançado de forma independente, e que nos levou, por exemplo, a números incríveis, como tocar para 4 mil pessoas no primeiro show em Porto Alegre. Quando chegamos à EMI, já éramos famosos em algumas capitais. Não tivemos aquele processo de sofrer as mazelas da estrada para chegar ao sucesso. Foi um fenômeno instantâneo, porém com conteúdo.

Em 20 anos de carreira, qual foi o melhor momento ou a maior conquista do Natiruts? Melhores momentos, foram muitos. Às vezes, penso o motivo de tanta coisa boa, de tanto respeito espontâneo das pessoas.A banda passou por diversas mudanças de formação. A que você atribui essas trocas de integrantes? Houve dificuldade em saber lidar com toda a fama e atenção?
Se não subiu à cabeça é porque não foi sucesso. Então foi humano e normal a gente ter assimilado aquele fenômeno de uma forma atribulada. As trocas de integrantes foram motivadas, principalmente, pela imaturidade. E os motivos e as razões, cada um vai ter os seus. Então, não adianta querer resumir os ‘porquês’ aqui. Hoje, tanto pra quem saiu quanto para os que ficaram, acredito que seja um assunto completamente superado.

O Brasil sempre teve várias bandas do estilo, mas nenhuma tão popular como o Natiruts. Qual é o diferencial do grupo?
Ha dois lados que caminham paralelamente,  se puderem nunca se encontrar, eu acho o ideal. Um, é o lado da música, lúdico, inspirador. E, o outro, é o lado do mercado, impiedoso, e, às vezes, cruel. Em termos musicais, a maior preocupação é não perdermos a essência do começo. Dentre tantos diferenciais que já criamos,  a grande sacada foi o DVD acústico, gravado no Rio de Janeiro. Isso fez com que a banda se tornasse conhecida por muita gente fora do Brasil.

Entrevista /Kiko Peres

Quais são suas melhores lembranças do Natiruts antes de a banda fazer sucesso?

Eu conheço o Luís Maurício (baixista) desde moleque, e o Bruno Dourado (percussão), conheci um pouco depois, jogando futebol. Ficamos amigos e quando me chamaram para substituir o André Carneiro na guitarra, pois ele estava se formando em engenharia na UnB e queria outra coisa para a vida dele, eu encarei apenas como mais um trabalho, não tinha grandes perspectivas. No primeiro ensaio, quando conheci Alexandre, fiquei impressionado com as composições dele. Quando eu falei que o pessoal iria querer aprender aquelas músicas comprando revistinhas de cifras, ele ficou meio desconfiado. No fim do ensaio, ele veio me perguntar se eu gostava de reggae mesmo, aí eu mostrei minha tatuagem do Bob Marley e, pronto, fui aceito! Outro momento legal aconteceu logo antes de irmos ao Rio de Janeiro começar a gravação do primeiro disco. Estávamos fazendo a divulgação do nosso trabalho de forma independente e tínhamos um show marcado no Cota Mil. No dia do show, estava um trânsito impossível ali no Setor de Clubes do Sul e eu me perguntei se haveria algum show de axé no dia. E não, era o nosso público! Foi bem legal ter uma dimensão do que estava acontecendo.

Quando você percebeu que a banda tinha chances de dar certo nacionalmente?
Foi uma junção de fatores. Em primeiro lugar, desde o começo, o clima na banda sempre foi muito legal, o astral muito bom. Em segundo, eu percebi que as bandas de reggae no Brasil tinham um instrumental bom, mas a voz sempre deixava a desejar, e o Alexandre, com as excelentes composições dele, era um cara diferenciado. Em terceiro, a velocidade com que as coisas aconteceram, com shows cada vez maiores, me fizeram acreditar no potencial do grupo.

Nestes 20 anos de carreira, qual foi o melhor e o pior momento do Natiruts?
A música Beija-flor ter ficado em primeiro lugar, no Rio de Janeiro, como a mais tocada, é uma boa lembrança, especialmente porque um executivo da gravadora da época havia falado que um reggae de raiz nunca seria sucesso e tocar nas rádios. Quanto ao sucesso e o pior momento, claro que tivemos problemas, éramos muito jovens, imaturos e estávamos lidando com aquele nível de sucesso, mas nunca chegou a ser algo que prejudicou a banda.

 

 

 

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