Diversão e Arte

Berlim, filme relembra massacre na Candelária

Onde estão os moleques de rua sobreviventes do massacre da Candelária? Filme alemão retornará ao Rio com a criadora do Projeto Uerê, uma das primeiras a reagir na noite do massacre.

Rui Martins - Especial para o Correio
postado em 01/02/2016 14:53

Militante de direitos humanos Yvonne Bezerra de Mello, que criou o projeto Uerê

Berna (Suíça) - Um filme documentário alemão, Zona Norte, na mostra Panorama do Festival de Berlim, da realizadora alemã Monica Treut, é um retorno, 23 anos depois, à Candelária onde foram assassinados oito menores pela polícia carioca, com a militante de direitos humanos Yvonne Bezerra de Mello, que criara, logo depois do massacre, alternativas educacionais e uma associação em favor dos moleques de rua, o Projeto Uerê, aplicado no Complexo da Maré.

Yvonne foi a tia que Sandro Nascimento, antigo menor sobrevivente da chacina da Candelária, chamou ao ser preso, depois de ter atacado um ônibus e feito os passageiros como reféns. Nesse episódio, foi assassinada uma professora, uma das reféns e o jovem sequestrador Sandro acabou morrendo ou sendo morto, no trajeto do carro de polícia para a delegacia.

A cineasta Monica Treut já havia feito Guerreira da Luz, há quinze anos, logo depois do massacre da Candelária, um documentário alemão (Kriegerin des Lichts (Warrior of Light) sobre moleques de rua e sobre o Projeto Uerê, de Yvonne Bezerra de Mello, também exibido na época na mostra Panorama.

O projeto Uerê tenta recuperar, por meio da educação, crianças de rua com poucas chances na vida ; e se sustenta com doações e apoio de empresas. ; Num país de realidade distorcida como o nosso, Yvonne pode ser considerada marginal, protetora de bandido mirim. Numa sociedade menos míope, ela seria apenas uma mulher capaz de gestos extraordinários. ; escreveu, na época, a revista Marie Claire brasileira.

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