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Estado de Minas

Começa hoje o 66º Festival Internacional de Cinema de Berlim

O cinema brasileiro só tem um filme concorrendo a um Urso, o curta-metragem 'Das águas que passam'


postado em 11/02/2016 07:33

(foto: Kevin Winter/AFP-14/11/15)
(foto: Kevin Winter/AFP-14/11/15)

Berna (Suíça) — O 66º Festival Internacional de Cinema começa praticamente hoje de manhã, quando serão apresentados à imprensa os sete membros do júri da Competição Internacional, presidido pela atriz Meryl Streep. Depois da exibição dos 18 filmes selecionados, Meryl Streep anunciará dia 20, à noite, os premiados com os ursos de Ouro e de Prata. Na abertura, tão logo termine esse contato direto com os jurados, a imprensa terá o privilégio de assistir ao filme ainda inédito dos Irmãos Cohen, Ave Cesar!

A diferença este ano será o clima ostensivo de controle e de segurança na sede da Berlinale, como é chamado o festival, e nos cinemas de Berlim com filmes das diversas mostras. Todos os jornalistas foram alertados para restringirem ao máximo seus objetos de trabalho, caso contrário poderão ter acesso proibido.

Embora a imprensa alemã fale em festival “morno”, muitos astros e realizadores de prestígio pisarão no tapete vermelho, como George Cloney no filme de abertura; Spike Lee, levando seu filme Chi-Raq e promovendo o boicote ao próximo Oscar; o controvertido Gérard Dépardieu numa coprodução franco-belga; Isabelle Huppert, numa coprodução francoalemã; Nicole Kidman, num filme literário com Colin Firth; Michael Moore com seu novo documentário. Em recuperação nos Estados Unidos por conta de uma pneumonia, o diretor deverá se encontrar com a imprensa dia 16, quando também falará do seu apoio a Bernie Sanders, candidato democrata à presidência dos EUA.

Para o diretor do festival, Dieter Kosslick, a questão dos refugiados, que agita a Alemanha, e o 30º aniversário do prêmio Teddy Award, para filmes com temas homossexuais, terão destaque. Ele lembra que o começo do festival, em 1951, ocorreu quando a Europa vivia ainda as consequências da Segunda Guerra e problemas de refugiados. Muitos filmes tratarão das razões das guerras, geradoras dos movimentos de migração. Kosslick quer “um festival mostrando solidariedade decorrente da chegada de mais de um milhão de imigrantes à Alemanha”. Refugiados sírios e do Oriente Médio terão barracas para venderem especialidades da região ao público do Festival, com o objetivo de se criar um clima de integração.

Neste ano em que o livro de Hitler, Minha luta, caiu no domínio público, a questão do nazismo volta a ser atual e o filme Sós em Berlim, de Vincent Perez, com Brendan Gleeson e Emma Thompson, trata do tema, na competição internacional.

O Brasil no festival
O cinema brasileiro só tem um filme concorrendo a um Urso, é o curta-metragem Das águas que passam, de Diego Zon. Dois filmes estão na mostra Panorama, em que só há o Prêmio do Público, obtido no ano passado por Que horas ela volta, de Anna Muylaert, que retorna a Berlim com Mãe só há uma. O outro filme brasileiro na Panorama é Antes o tempo não acabava, coprodução com a Alemanha, de Sérgio Andrade e Fábio Baldo. Há também o documentário Curumin, de Marco Prado.

Dois filmes brasileiros estão na mostra Fórum: Muito romântico, de Melissa Dullius e Gustavo Jahn; e Ruína, de Gabraz Sanna, mais uma instalação de Raphael Grizey, A mina dios vagalumes.

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