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Estado de Minas

'Ai como eu sou a cara do povo!', define o ator Rodrigo Sant'anna

Entre a mera diversão e o encargo de contribuições sociais, com a arte, o humorista faz o que mais sabe: fazer rir


postado em 15/02/2016 07:40 / atualizado em 15/02/2016 10:30

Rodrigo Sant´Anna, em cena da comédia Um suburbano sortudo(foto: Globo Filmes / divulgação)
Rodrigo Sant´Anna, em cena da comédia Um suburbano sortudo (foto: Globo Filmes / divulgação)

 

“Escreve isso: que, no longa Um suburbano sortudo, tudo que eu representei foi texto decorado, sem nada de improviso. Isso vai me enobrecer”, diverte-se o ator Rodrigo Sant’Anna, praticamente um estreante em termos cinematográficos. Multiplicado em personagens de mais uma comédia de Roberto Santucci — que assinou fitas como Até que a sorte nos separe e De pernas pro ar —, Sant’Anna tomou de assalto mais de 500 salas do circuito exibidor. Num hotel de São Paulo, a postos para entrevistas, ele porém descarta postura de astro.




Ainda que veja a personagem televisiva de Zorra Total Valéria como divisor de águas, o ator não renega os tipos que pavimentam a carreira de êxitos: “Todos contam um pedaço e têm algo de mim”. Nos bastidores de filmes com menor distribuição (e personagens menos vistosos), entre os quais O casamento de Gorete, A noite da virada e A esperança é a última que morre, o aprendizado, até hoje, foi recorrente. Em entrevista ao Correio, ele ensina algo do métier: “Improviso não se constrói. Vem do que o outro ator me dá. Contracenar é uma entrevista: a maneira de elaborar as respostas vem do que seja oferecido. Improviso é isso: é eu estar aberto para o outro”.

 

Qual a função do artista?

 

Cabe ao artista executar o trabalho dele com qualidade. Ele levar uma opinião, defender uma postura política isso já é algo de interesse pessoal. Na minha cabeça, existe um discurso que o papel do artista é transformar. Há transformação, sim, no meu trabalho. Já ouvi pessoas dizerem que "tinha uma pessoa da minha família com câncer, ficou internado no hospital, por um tempo. E naquela época assistia muito teu quadro no Zorra. Para ela era o passatempo dela”. Isso, para mim, é transformador. E não estou falando de posição política, sexual -- estou apenas fazendo meu trabalho, com verdade. E essa é a minha preocupação e meu dever com meu público.

 

Crise, como a que atravessamos, é um momento ideal para se emplacar humor?

 

Eu sou kardecista, e andava angustiado com a expectativa do filme, querendo corresponder aos sucessos anteriores do Santucci. Numa palestra que fui, o orador tava falando: se o sol estivesse um milímetro acima, a Terra congelaria e não existiria vida; se fosse um milímetro abaixo, os oceanos secaria. Existe uma matemática que vai além da minha vontade. Não cabe a mim compreender essa conjuntura da crise do Brasil. No meio dela, o Até que a sorte nos separe 3 já era um sucesso. É delicado entender o que desperta o interesse de um povo que recebe um salário que é vergonhoso e no que ele escolhe para prestigiar nas salas de cinema. Se ele me escolhe, fico muito feliz, mesmo, de coração.


Caminhando pelas ruas, você percebe que é amado pelos brasileiros?
Você me acha amável? (risos) Caramba, eu tô muito Marília Gabriela, hoje — Tudo devolvo com uma pergunta (risos). É difícil mensurar a quantidade de carinho que as pessoas têm por você. Sem dúvida, vejo isso nas ruas: as pessoas me abraçam, vem falar comigo. Elas me chamam pelos nomes dos meus personagens. Devolvem com bordões. Com a verdade que imprimo, as pessoas se identificam. A Valéria existe; o Edimilson, meu primeiro personagem no Zorra, existe; a Adelaide, uma pedinte que eu fazia, existe; o Jeferson (feito em Os suburbanos) existe. E o Denílson do filme, existe: por isso, não é escatológico, não é gratuito, nem politicamente incorreto. Ele é humano: e a gente é tudo isso.

 

O repórter viajou a convite da Downtown Filmes.
 

» Comédias brasileiras na telona

Fevereiro
Dia 25 – Amor em Sampa, de Carlos Alberto Riccelli e Kim Riccelli

Março
Dia 3 – Mundo cão, de Marcos Jorge Apaixonados, de Paulo Fontenelle
               
Dia 31 – Zoom, de Pedro Morelli O último virgem, de Rilson Baco e Felipe Bretas
               
Abril
Dia 7 – Amores urbanos, de Vera Egito

Dia 14 – Sinfonia da necrópole, de Juliana Rojas
Um namorado para a minha mulher, de Júlia Rezende

 

E mais: em maio, Doidas e santas, de Paulo Thiago; La  vinganza, de Fernando Fraiha; Uma loucura de mulher, de Marcus Ligoki Júnior e, em junho, A comédia dos deuses (de Toni Venturi)

 

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