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Estado de Minas

Pintor Cícero Dias ganha documentário com direção de Vladimir Carvalho

"Ele é um capítulo da arte brasileira moderna. Há quem associe a flutuação da pintura dele com a de Marc Chagall", conta o diretor


postado em 03/04/2016 07:45

Vladimir Carvalho e Raymonde, viúva de Cícero Dias, sob o fundo do quadro Recife lírico(foto: Arquivo Pessoal )
Vladimir Carvalho e Raymonde, viúva de Cícero Dias, sob o fundo do quadro Recife lírico (foto: Arquivo Pessoal )

Num retrospecto, o cineasta paraibano Vladimir Carvalho se dá conta de que o mais recente longa dele — o documentário Cícero Dias, o compadre de Picasso — constitui uma trilogia do modernismo. “O longa O homem de areia, de 1981, foi sobre José Américo de Almeida, que abriu o ciclo do romance social do Nordeste. Sob a influência dele, agiu o José Lins do Rego, retratado em O engenho de Zé Lins (2007). E agora, no campo das artes plásticas, veio o Cícero Dias”, analisa. O novo filme integra a mostra competitiva do 21º Festival É Tudo Verdade, num primeiro momento, com projeções em São Paulo e no Rio de Janeiro, neste mês.

“Faço por onde para não perder a curiosidade: com um mínimo de energia, você é estimulado pelo próprio mundo — e isso é recíproco”, observa o diretor, aos 81 anos. Sem concessões à direita ou à esquerda, como diz, Vladimir tão somente pretendeu o entendimento de Cícero, “agente de choque entre o velho e o novo, numa condição que suscita perplexidade ou equivocada rejeição”. Cícero Dias, o compadre de Picasso aguçou o espírito quixotesco do diretor,  que evitou pedir dinheiro ou encarar editais. “O longa é genuinamente independente: não teve um centavo do poder público e contou apenas com parte da finalização do Canal Brasil. A produção foi minha, que sou um professor aposentado, e não mais do que isso”, confirma.

Preocupado com a memória que desaparece, Vladimir se dedicou ao primeiro filme do artista nascido em Escada (Pernambuco). “Ele é um capítulo da arte brasileira moderna. Há quem associe a flutuação da pintura dele com a de Marc Chagall. Optei por enfocar ele, por fases. Tem aquela, solar, lírica, com ares surrealistas, nos anos entre 1920 e 1930. Depois, ele representou a decadência de uma classe, com ambientes da família patriarcal”, diz.

Na percepção do diretor, Cícero lançou mão de um imaginário que apreendeu a poesia impregnada no ambiente pernambucano. “Mesmo no abstracionismo, ele manteve as cores do Recife: na frutaria, nas paisagens vegetais — tudo aquilo foi esquematizado no geometrismo regional”, pontua Carvalho que, no passado, exerceu a crítica estética, numa coluna de jornal chamada No ofício das artes.
 
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