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Estado de Minas

Rede do Bem: Jovens se afirmam socialmente por meio da dança

Meninas entre 6 e 18 anos vindas de regiões carentes têm o balé como arma para fugir da marginalidade


postado em 12/04/2016 07:30

Anna Gabriella, 14 anos, conta que sonha ser bailarina profissional e estudar na escola Bolshoi(foto: Vitor Bandeira/Divulgação)
Anna Gabriella, 14 anos, conta que sonha ser bailarina profissional e estudar na escola Bolshoi (foto: Vitor Bandeira/Divulgação)
 

Na pontinha dos pés, meninas de comunidades carentes do Distrito Federal fazem do sonho de ser bailarina a dedicação para serem boas alunas e viverem longe da marginalidade. Por meio da ONG Dançar é Arte, crianças nascidas em famílias de baixa renda fazem de passos do balé, como plié, tendu e jeté, ferramentas de crescimento social. Segundo a idealizadora do projeto, Kátia Moraes, o objetivo da ONG é estimular a educação com o olhar da cultura. “Quando eu era pequena, queria fazer balé, mas meus pais não tinham condições. Por isso só consegui realizar essa vontade quando meu pai conseguiu uma bolsa; hoje, ajudo crianças com essa realidade a alcançar sonhos”, acrescenta a professora.

Há 16 anos no cenário brasiliense, a ONG, que fica na DF006, começou tímida, mas hoje atende 150 jovens da Granja do Torto, Vila Estrutural, Varjão, Ceilândia e Paranoá. "Como profissional do balé resolvi fazer a diferença e me impressionei com a proporção que o projeto alcançou", ressalta a professora. Segundo Kátia, o balé clássico resgata a diversidade de estilos da identidade cultural brasileira e abre um leque de oportunidades quando trabalhado ao lado do rendimento escolar. “Para frequentar o local é necessário bom rendimento na escola; tem mães que até usam a dança como moeda de troca para as tarefas diárias”, completa.

Para Kátia, mesmo com todas as dificuldades financeiras, o trabalho é prazeroso e tem a alegria das crianças como maior pagamento. "O balé realmente faz a diferença na vida dessas meninas; tenho ex-alunas que dão aula em três ou quatro escolas e já sustentam as famílias com a dança”, conta emocionada. Para a dançarina, o balé é uma forma de desenvolvimento, que, além de trabalhar a parte motora, auxilia no equilíbrio e pensamento crítico. "Costumo dizer para as minhas aulas que a bailarina é a mulher mais inteligente do mundo, porque ela pensa antes de fazer os passos, e antes de fazer qualquer coisa na vida a gente precisa pensar e avaliar."

 

"O projeto procura fazer com que o aluno seja ser o melhor humano possível, sendo um bom parceiro e respeitando o próximo", destaca Kátia, já que muitas das crianças que fazem parte da ONG vem de uma realidade violenta e, nas aulas, elas tem a oportunidade de aprender os valores de uma vida tranquila e se inspirar na delicadeza da dança para seguir caminhos saudáveis. "Quando as meninas saem da comunidade em que vivem e se vestem de princesas entram em mundo mágico; o Dançar é Arte é uma realidade que transforma a realidade das crianças", explica.


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