Publicidade

Estado de Minas

Mostra do Filme Livre, recheada de fitas alternativas, combate machsimo

Inédito na cidade, "Clarisse ou alguma coisa sobre nós dois" demonstra o fervor dos filmes de Petrus Cariry


postado em 25/04/2016 11:33

(foto: Petrus Cariry / Divulgação)
(foto: Petrus Cariry / Divulgação)
 


Já debutante, com 15 primaveras, a Mostra do Filme Livre traz um recorte bem original do painel alternativo na produção de cinema, com filmes gerados em todas as regiões do país. “Os cineastas selecionados para a mostra 'nascem' sozinhos. Mas talvez nós sejamos indispensáveis para que, sim, eles vissem que há luz no fim do túnel: pessoas e eventos sérios com interesse em ver e difundir tais filmes para que tenham mais e melhores oportunidades, vistos com dignidade e qualidade”, explica um dos curadores do evento, Guilherme Whitaker.
A participação limitada de Brasília, na programação, chama a atenção, ao que prontamente Guilherme destaca: “Recebemos pouquíssimos filmes de DF e acabamos selecionando apenas o longa A capital dos mortos 2 -- Mundo morto, do Thiago Belotti. Achamos a produção deste ano muito fraca, com filmes vazios e sem muita originalidade”.
Em terreno diametralmente oposto – de fartura produtiva e originalidade calibrada –, o diretor cearense Petrus Cariry exibirá hoje, a partir das 20h30, na cidade, o inédito longa Clarisse ou alguma coisa sobre nós dois. “É um filme denso, com clima psicológico intenso, e encerra o que denominei de 'trilogia da morte'. Além de existencial, ele toca em feridas profundas da alma e mostra um trauma que marca de forma intensa o inconsciente de Clarisse (Sabrina Greve). Há um conflito que se traduz na conturbada relação com os pais (o pai, interpretado por Everaldo Pontes), uma relação marcada pelos interesses econômicos e o desamor”, explica o realizador que já competiu a prêmios em edições anteriores do maior emblema de cinema da capital – O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.
Dentro de um circuito de festivais amplo, que vai do Festival Internacional de Kerala (Índia) ao Festival Internacional de Cinema do Uruguai, do Festival de Cinema do Rio de Janeiro ao Fantaspoa (dedicado a filmes de fantasia e horror). “Não tenho preconceitos e acho que um filme é para ser exibido em todos os espaços. A Mostra do Filme Livre aloja exibições bacanas de todas as tendências e de todos os formatos. Os debates que surgem também são muito interessantes, observa o diretor.
Uma das questões pertinentes segue a corrente do empoderamento da mulher, tema que pode ser afunilado, perante o recorrente machismo, geralmente acirrado no Nordeste. “Acho que o Nordeste é tão machista quanto o Sudeste, o Centro-Oeste, o Norte e o Sul. O Brasil é machista, e tem uma das elites mais atrasadas do mundo. Se a elite pudesse, decretava a volta da escravatura em nome da eficiência do grande mercado. Realmente trabalho dentro de uma perspectiva de reconhecer a importância da mulher brasileira e da sua luta por mais liberdade e dignidade na vida”, conclui Petrus Cariry.


15ª Mostra do Filme Livre

Até 2 de maio, com entrada franca. Excepcionalmente, amanhã não haverá sessão.


DUAS PERGUNTAS // Guilherme Whitaker, curador do evento

Quais critérios para agrupar tanta diversidade na mostra?

Desde 2002, valorizamos obras que fujam do lugar-comum narrativo, com originalidade que ultrapasse mero entretenimento. Ousadia e o revirar da linguagem têm valor. Os curadores realizam filmes independentes e sabem das restrições nas exibições e dos perrengues que acompanham produções sem grana, mas com gana. A MFL é um grande recorte desta produção nativa: recebemos mais de 1300 filmes e selecionamos 180. Neste ano, mostraremos mais de 30 longas, quase todos inéditos no DF. Há também sessões cujo enfoque não está na linguagem experimental, como é a Mostrinha Livre, reservada para o público infantil, no fim de semana, às 11h.

O fomento de iniciativas individuais segue como objetivo?

Cremos que, ao exibirmos os filmes, estamos fazendo parte da vida deles e, de certa forma, incrementando valorização e reconhecimento por outros festivais. Saí daí o estímulo a quem faz filmes sem precisar de verbas públicas, editais e/ou leis de incentivo. Quase 90% dos filmes inscritos e selecionados têm este perfil independente, meio caseiro, em critério não excludente. Temos a maior mostra do cinema independente brasileiro, com 200 filmes que circulam por seis meses. Além dos quatro CCBBs, circuito de cineclubes, que em 2015 chegou a mais de 60 cidades para um publico de 2700 pessoas). Temos uma vitrine da gigantesca produção nativa nacional.


Autores
recorrentes
na mostra


Coletivo Alumbramento (CE)
Grupo Teia (MG)
Canibal Filmes (SC)
Allan Ribeiro (RJ)
André Novais (MG)
RC Ballerini (DF)
Cavi Borges (RJ)
Luciano Vidigal (RJ)
Gustavo Spolidoro (RS)
Dellani Lima (MG/SP)

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade