Não é difícil encontrar entre os fãs do Batman quem afirme que o vilão do longa, Batman: o cavaleiro das trevas, o marcante Coringa de Heath Ledger, ganhou o filme. O personagem, lapidado no perfil psicológico é um dos melhores exemplos de vilões do cinema e traz à tona diversas conflitos internos e problemas psicológicos. Mas esses vilões que roubam os filmes dos mocinhos, que deveriam ser os protagonistas, não são incomuns. Basta ver o exemplo do icônico Darth Vader, um dos vilões mais amados da história do cinema. Por que esse encantamento por esses personagens tão cheios de falhas e tão maldosos?
A psiquiatra e membro da Associação Brasileira de Psiquiatria Helena Moura arrisca uma resposta. Segundo ela, as imperfeições nos personagens os tornam muito mais interessantes. ;Não existe uma pessoa só boa ou só má. Colocar esse conflito nas telas faz com que nos identifiquemos com os personagens. Os torna mais humanos;, afirma. Para Helena, as produções também vem se aprimorando em colocar essas características. ;Talvez os filmes estejam conseguindo tornar o conflito psicológico mais acessível para o público. Apesar de ser muito mais fácil trabalhar com um herói 100% bom e um vilão 100% mal, isso não é tão interessante quanto personagens conflituosos;.
[SAIBAMAIS]
Esse conflito, segundo Helena, é importante para criar a empatia com o personagem. ;Gostar desses personagens com essas características é muito humano. Talvez, as pessoas se perguntem como esse personagem ficou desse jeito, talvez acreditem que ele possa mudar. Mas é claro que nós nos identificamos e que a curiosidade de saber o que aconteceu com essas figuras os torna interessantes;, explica.
Claro que existem vilões que trazem problemas psicológicos sem entrar em conflito. ;Ramsay Bolton, de Game of thrones, é um exemplo de pura maldade. Vemos nas cenas o prazer que o personagem sente em torturar e maltratar suas vítimas;, relembra. Segundo ela, nesse caso, é mais difícil a identificação e esses personagens acabam sendo marcantes pela maldade de suas ações. ;O triste é que essa realidade sai das telas. Nas duas versões desses personagens, tanto o conflito interno, quanto a maldade pura, podem acontecer na vida real;, lamenta.
;Não existe uma pessoa só boa ou só má. Colocar esse conflito nas telas faz com que nos identifiquemos com os personagens. Os torna mais humanos; Helena Moura, psiquiatra, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria.
Os Coringas do cinema
Sem o Coringa, o que seria do Batman? Aparece de maneira óbvia nas histórias, a dependência que o vilão tem do herói assim como a recíproca dessa afirmativa também é verdadeira. O vilão faz o Homem-Morcego ver suas partes mais sombrias e assustadoras. ;Uma característica que o Coringa deixa evidente, especialmente na atuação de Heath Leadger, é a necessidade de colocar suas vítimas em uma tortura psicológica;, detalha Helena. Ela afirma que o vilão coloca suas vítimas de frente para escolhas ou realidades duras e cruéis.
;O coringa de Jack Nicholson ainda é um personagem mais engraçado, ele usa a ironia e as piadas. Ele é um personagem questionador, ainda é possível rir dele. Já o Coringa do cavaleiro das trevas, é um personagem denso;
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