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Correio Braziliense

Em entrevista, a estrela maior Bibi Ferreira recorda a trajetória

Depois de passar por mais de 15 capitais, com o show, ela aporta em Brasília no dia 28 próximo, para apresentação no Centro de Convenções


postado em 15/05/2016 07:30

(foto: Wilian Aguiar/Divulgação)
(foto: Wilian Aguiar/Divulgação)

Tudo o que Abigail Isquierdo Ferreira não quer é exercer o papel de vovozinha. Aliás, a senhorinha de 93 anos ultimamente pouco tem parado em casa. Nos últimos meses, ela é vista nos aeroportos do país sempre pronta para mais uma viagem. E não é a passeio com turma da chamada melhor idade.

Explique-se: Bibi Ferreira — nome artístico que usa, desde que pôs os pés no palco pela primeira vez em 28 de fevereiro de 1941 —  está em turnê com o espetáculo em que interpreta canções do legado de Frank Sinatra.

Depois de passar por mais de 15 capitais, com o show, ela aporta em Brasília no dia 28 próximo, para apresentação Auditório Master do Centro de Convenções Ulysses Guimarães.Vai ser um retorno à cidade, onde já foi aplaudida várias vezes, inclusive nos musicais em que homenageou a francesa Edith Piaf e a portuguesa Amália Rodrigues.

Com o Bibi canta o repertório de Sinatra, essa figura icônica da cultura brasileira mostra total conhecimento da obra do sempre lembrado cantor norte-americano, recheada de clássicos criados por compositores como Cole Porter, Bert Kaempfert, Sammy Cahn, Paul Anka, Kelly Gordon, Bart Howard, Bill Halley e Tom Jobim.

O público vai ouvi-la soltar a voz, ainda firme e bem colocada, em canções como Night and day, Al the way, Fly me to the moon, Old man river, My way, Rock around the clock e Girl from Ipanema, entremeadas por comentários de Nilson Raman sobre a trajetória do homenagedo. Ela é acompanhada de um quinteto formado por talentosos instrumentistas. 

Entrevista / Bibi Ferreira 

Com 24 dias de vida, a senhora substituiu uma boneca em cena, na peça  Manhã de sol, de Oduvaldo Viana. Mas quando se deu, efetivamente, a estreia da atriz Bibi Ferreira no teatro?
Em 1941, através do meu pai, Procópio Ferreira, que foi pedir autorizacão para minha mãe, Aida Ferreira. Meu pai precisava de uma novidade para a nova temporada e um amigo sugeriu: Procópio, lança sua filha. E assim foi. Mas não perguntou nada para mim, falou apenas com minha mãe. Um dia me chamou e pediu que eu desse uma grande gargalhada, e eu dei. Ele respondeu: vai estrear!!!! E assim foi.

A partir de qual trabalho o seu talento passou a ser reconhecido pela crítica?
Meu meu pai ficou tão feliz com as críticas da minha estreia que mandou fazer um livrinho que distribuía para os amigos e para o seu público. 

Ao encenar o musical My fair lady, na década de 1960,  a senhora se tornou precursora dos musicais no Brasil. Esse espetáculo foi o seu primeiro grande sucesso?
Não. Fiz muitas comédias brasileiras, com sucesso. A moreninha, com um cenário rotativo que até hoje impressiona como produção, viajou por todo o país. Isso na década de 1950. Chamaram para fazer o musical por tudo que eu já fazia, pelo conjunto da obra, digamos assim.

Nos anos 1960, a senhora se destacou, também, como apresentadora de programa de televisão na TV Excelsior. Como foi a transição para o novo veículo?
Excitante e provocador, até inventarem o videotape. A tevê perdeu a espontaneidade. Fui fazer na tevê as coisas que já fazia no teatro, nas revistas, nos shows.

Ao talento da atriz e da apresentadora de tevê se juntou ao da diretora, na década de 1970, em espetáculos como Brasileiro, Profissão Esperança, de Paulo Pontes, com Maria Bethânia e Ítalo Rossi; e Deus lhe pague, de Joracy Camargo, com Walmor Chagas, Marília Pêra e Marco Nanini. Em qual dessas situações se sentiu mais confortável, na época?
Em todas. Antes de diretora, sou amiga. E, nos casos acima, todos os citados são amigos queridos. Mas você não citou a montagem do Brasileiro, com a Clara Nunes e o Paulo Gracindo. Fez tanto sucesso que ficou em cartaz seis meses no Canecão. Entre a montagem com a Bethânia e a com Clara, amadureci muito o espetáculo.

Paralelamente, na mesma década, a senhora brilhou intensamente em O Homem de  La Mancha, contracenando com Paulo Autran e Grande Othelo; e dando vida à guerreira Joana, em Gota d'água, de Paulo Pontes. Naquele período,  acredita ter vivido o grande momento de sua trajetória artística?
Não. Ainda ontem, ouvi de uma jornalista como consegui me superar com o Sinatra, depois de tantos anos cantando Piaf. Acho importante destacar o meu encontro com o Paulo Autran e o Grande Otelo, no Homem de la Mancha. Era um jogo de bolas altas, entende. Que talento aqueles dois. Gota d'água é a maior obra da dramaturgia brasileira. As músicas do Chico Buarque, a direção do Giani Ratto. Tudo certo. Mas com Piaf, só em São Paulo foram mais de 500 mil espectadores. Três turnês nacionais. Penso que até hoje é recorde de público em muitas cidades. Todos os meus concertos com sinfônica. É muito sério isso.

A popularidade e o prestígio alcançados, tempos depois, com os espetáculos em homenagem à francesa Edith Piaf e à lusitana Amália Rodrigues, era algo esperado?
Piaf foi um convite do produtor Pedro Rovai, de um texto que estava sendo montado mundo afora, da inglesa Pam Gem, naquele momento se comemorava 20 anos da morte da Piaf. Amália surgiu muito depois. Foi a Amália que sugeriu que eu a fizesse. Ela assistiu a Piaf em Portugal muitas vezes e declarou isso. Um dia, anos depois, recebi a visita do poeta português Tiago Torres da Silva, que assim que chegou me falou: “Amália continua a dizer que se alguém fosse fazer sua vida, gostaria que fosse você”. Aí resolvi fazer. Foi uma forma de homenagear Portugal e agradecer a todos os anos que vivi em Lisboa e trabalhei no Parque Mayer.

Aos 93 anos de vida e 75 de carreira, como sente ser aplaudida de pé pelas plateias do país  ao interpretar com total propriedade o repertório de Frank Sinatra?
O sucesso que faço hoje, não é menor de outras anos da minha carreira. Sempre fiz sucesso. (Estou procurando uma madeira para bater.....) E dia 1º de junho completo 94 anos de vida!


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