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Correio Braziliense

Poder político é arma para a vingança em Marseille, primeira série francesa

Todos os capítulos do seriado com Gérard Depardieu estão disponíveis no serviço


postado em 18/05/2016 09:02

 

 

Porta de entrada da Netflix na França - a primeira produção original do serviço de streaming no país -, a série Marseille recrutou um dos rostos mais expressivos da dramaturgia local para garantir um efeito positivo dentro e fora das fronteiras francesas.

O ator Gérard Depardieu é, a bem da verdade, o destaque do seriado cuja trama guarda similaridades com outra obra do próprio canal, a exitosa House of cards. Ele encarna o prefeito Robert Taro da cidade portuária às vésperas de se aposentar e passar o bastão ao afilhado quando é traído e decide lutar pelo cargo.

A priori, a série se aproxima da luta por poder deflagrada por Frank Underwood (Kevin Spacey, de House of cards) após ser preterido nos espólios de uma campanha politica bem-sucedida. Mas há uma diferença entre as duas séries: na norte-americana, o poder é um fim em si mesmo, e a ambição de Frank e da mulher, Claire (Robin Wright), mira a conquista e a manutenção das benesses políticas, independentemente das causas defendidas.

Em Marseille, o poder é usado como meio para se sobressair diante do inimigo e atende a questões de foro íntimo - inclui vingança e até interesses genuínos, como melhoria das condições da cidade.

 

 

 

A trama resvala em entraves contemporâneos próprios da Europa (como a situação dos imigrantes, relegados a condições inferiores socialmente e empurrados para a delinquência pela falta de oportunidades) e de localidades onde o poder econômico entra em conflito com o urbanismo (há uma polêmica disputa entre empresários, políticos e população pelo direito de modificar e utilizar o porto para a construção de um cassino).

Gérard dá vazão ao papel de prefeito encurralado, mas o interesse público nele soa sincero. O antagonismo cabe a Lucas Barre (Benoit Magimel), mas a atuação dele peca pelo apelo excessivo ao erotismo: o personagem parece um Don Juan ambulante e usa o sexo para dirimir conflitos.

Assim como em House of cards, a questão sexual está presente. Mas, em Marseille, ela perpassa com mais intensidade as relações entre os demais personagens, com a liberdade experimentada pelos mais jovens, embora às vezes sem conexão direta com o propósito central da trama - como visto em House, onde o sexo é elemento de troca entre o político e a jornalista, o escritor e o casal presidencial.

Apesar dos deslizes, Marseille é uma série aprazível - tanto pelo conteúdo quanto pelas paisagens deslumbrantes e pela abordagem dos costumes da cidade francesa.

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