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Correio Braziliense

Pintar o rosto ou usar máscaras pode ser uma estratégia no mundo do rock

A tática existe desde os anos 1970 e, para muitos, é também uma jogada de marketing


postado em 13/06/2016 07:30 / atualizado em 13/06/2016 09:17

Ney Matogrosso: rosto maquiado para manter a privacidade na época dos Secos & Molhados(foto: Arquivo CB/D.A Press)
Ney Matogrosso: rosto maquiado para manter a privacidade na época dos Secos & Molhados (foto: Arquivo CB/D.A Press)


É do artista se expor, ser visto, ser reconhecido... Mas por que alguns insistem em não dar as caras? Quais motivos levam uma pessoa pública se esconder por trás de máscaras ou maquiagens exageradas? Na música, as respostas para essas indagações são variadas e sempre envoltas de um certo exotismo visual. Kiss, Gorillaz e Secos & Molhados são alguns nomes consagrados no universo musical que optaram, em algum momento da carreira, pelo “segredo” de suas verdadeiras identidades.

Bento Araújo é jornalista e editor da poeiraZine, uma publicação bimestral independente sobre música e que já tem mais de 10 anos de existência. Na sua opinião, as razões que levam um artista a ocultar a face sob máscaras ou sob camadas de maquiagem teatral mudaram com o tempo. “Se a gente pegar lá no começo, no início dos anos 1960, antes do Kiss até, era uma coisa artística, para chocar e chamar a atenção”, conta ele.

O que mudou? De acordo com Araújo, o ocultamento hoje em dia seria algo mais comercial, uma jogada de marketing. “A partir da época de 1970, com o início do glam rock, usar maquiagem pesada ficou uma coisa quase comum. Hoje é um negócio mesmo”, comenta Araújo. David Bowie foi um dos queridinhos do glam rock, além de Alice Cooper com sua pose gótica.

Um dos adeptos dessa onda, Ney Matogrosso, figura muito forte no cenário da música brasileira, afirma que o marketing não foi o principal fator para ocultar seu rosto dos fãs, mas a privacidade. “Eu comecei (a maquiar o rosto) porque ouvi dizer que artista não podia andar na rua, que artista não tinha privacidade. Eu só tinha 31 anos, eu não queria abrir mão da minha privacidade”, conta ele, em entrevista para o Correio. Uma das marcas dos Secos & Molhados eram os rostos cobertos com maquiagens brancas, inspiradas no kabuki, um dos estilos tradicionais de teatro do Japão. As roupas eram extravagantes, misturando elementos andrógenos e indígenas. “Eu era o único que se pintava, aí os outros começaram também. Ficava estranho só eu pintado e eles não. Assim, dava mais união visual pra banda”, conta Ney.

A novidade visual foi inusitada no Brasil da década de 1970. O próprio Ney relembra: “Que eu saiba, não havia mais nenhum artista que fizesse isso. Tinha o Kiss, mas eles vieram depois”. O primeiro álbum, foi lançado em 1973, pela Continental e chegou a vender mais de 700 mil cópias.

Se, para o ex-vocalista dos Secos & Molhados esconder o rosto era um sinônimo de liberdade fora do palco, para a banda americana Kiss, a pintura facial marcante e garantiu que eles fossem lembrados na cena musical americana.

 

 

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