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Correio Braziliense

Livro relata viagem de Robert Louis Stevenson

O jovem intrépido escocês estava em Monastier, decidido a percorrer as mal traçadas trilhas, a pé e sozinho


postado em 17/09/2016 07:33

Robert Louis Stevenson: animado pelo espírito de audácia(foto: ocaisdamemoria.com/Reprodução)
Robert Louis Stevenson: animado pelo espírito de audácia (foto: ocaisdamemoria.com/Reprodução)


“Num lugarzinho chamado Monastier”, assim começa o livro-relato e a viagem de Robert Louis Stevenson (1850-1894) pelo Centro-Sul da França. Chamada Cevenas, a região francesa percorrida pelo escritor é um trecho do atualmente famoso Vale do Loire, mais ou menos ao sul de Lyon e ao Norte de Montpellier. Mas era 1878 e não havia grandes cidades. Não havia nem cidades. Eram vilarejos pastoris em um interior montanhoso e isolado da França.

O jovem intrépido escocês estava em Monastier, decidido a percorrer as mal traçadas trilhas, a pé e sozinho. O fato era assaz insólito à época, mas o espírito de aventura, a determinação e a autoconfiança do jovem de 28 anos eram pungentes. Assim, partiu para uma caminhada de 12 dias e 200 quilômetros pelas montanhas e vales de Cevenas. Claramente, já tinha a consciência e determinação de ser escritor e o objetivo era transpor a experiência da viagem para um livro.

E Stevenson optou por ser direto no relato, inicialmente. Descreveu a lida proposta, sem delongas. Preparou-se e, antes de iniciar o percurso, teve que constituir companhia para realizá-lo: encomendou um primordial saco de dormir e comprou uma burra. 

Stevenson, então um jovem literato burguês e protestante da Escócia, publicaria obras famosas. A ilha do tesouro, clássico de aventura editada em livro, após parcialmente lançada em periódicos, saiu em 1883. O de maior repercussão ao longo do tempo, porém, foi O médico e o monstro, de 1886. Mas há vários outros relatos, infelizmente pouco divulgados no Brasil.

As concepções criativas do autor fazem jus à sua história pessoal de aventureiro. Em determinado momento do relato, já enfurnado entre as montanhas, cria uma definição perfeita sobre viagem: “De minha parte, não viajo para ir a algum lugar, mas para ir. Viajo por viajar. A grande questão é mover-se; sentir as necessidades e os percalços da vida mais de perto”.

 



Os relato é curioso por expressar, de forma absolutamente sincera, as impressões do autor. No início, não esconde sua rabugisse com a companheira de viagem, com os poucos passantes que lhe cruzam a trilha ou com alguns habitantes dos lugarejos que visita. Aos poucos, porém, a imersão no ambiente se impõe e vai transformando a visão do viajante e sua relação com o que o cerca. A mudança de tom se acentua à medida em que avança, sua descrição a respeito do que experiencia se alonga e se torna mais reflexiva, com digressões, associações, e metáforas.

A edição da Carambaia é primorosa, com a capa recriando a pele de um burro, mapa do terreno percorrido e belo projeto gráfico. Ao volume se soma ainda um erudito prólogo do jornalista e escritor francês Gilles Lapouge, no qual analisa brilhantemente toda a obra a partir da relação entre o escritor e a burra Modestine. Uma pérola.

Viagem com um burro pelas Cevenas
Robert Louis Stevenson Carambaia
144 páginas
R$ 87,90
 

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