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Correio Braziliense

Depois de bombar no Instagram, Amores Anônimos vira livro

Obra baseada no projeto que tem 40 mil seguidores mostra o afeto de desconhecidos


postado em 18/10/2016 07:28

Em Amores Anônimos, perfil no Instagram e agora livro, toda forma de amor é válida(foto: Capote Books Contente/Divulgação)
Em Amores Anônimos, perfil no Instagram e agora livro, toda forma de amor é válida (foto: Capote Books Contente/Divulgação)
 

Mãos dadas, beijos, carinhos, abraços. Às vezes, uma mão boba que não agride o olhar. Cenas de afeto com paisagens do mundo como pano de fundo — do Brasil a Lisboa, de Nova York ao Japão — integram o Instagram Amores Anônimos, que acaba de virar livro pelas mãos da jornalista Dani Arrais e da designer Yana Parente. Em uma época em que muitas pessoas se utilizam da rede para propagar discursos de ódio, a publicação vai em sentido oposto e exala amor. De todos os tipos, cores, crenças e credos.

Com prefácio do ator e escritor Gregório Duvivier, a obra foi lançada no fim de setembro e nasceu a partir de ideia criada em 2013, quando Dani Arrais e Luiza Voll, sócias numa empresa de conteúdo digital chamada Contente, iniciaram um projeto batizado de Instamission. Uma dessas missões atendeu pelo nome de #amoresanônimos, depois que Dani, em viagem, retratou um casal asiático que se beijara depois do que parecia ter sido uma discussão de relacionamento, a clássica DR. Uma cena que poderia estar em um filme romântico, mas sem melodrama.



Poética, a imagem inspirou outros usuários da rede a compartilharem demonstrações de amor alheio. O convite não valia para selfies e também não se trata de voyeurismo. São relações reais expostas na tela, com casais dos mais diversos gêneros e idades. “Serviu como um incentivo para que as pessoas mirem o celular para o outro, não só para si. Uma abordagem para que as pessoas vivessem o dia de maneira mais leve, ‘catando’ coisas boas por aí e construindo uma internet com olhar mais empático e amoroso”, explica Dani Arrais.

 

(foto: Gui Poulain/Divulgação)
(foto: Gui Poulain/Divulgação)


Duas perguntas /Dani Arrais




Há quem diga que a geração Y, grande usuária das redes sociais, não quer se apegar, que vivemos tempos de amores fluidos. O projeto contesta essa ideia?
No fundo, existem várias configurações de amor. Há quem queira vender a ideia de que nós, jovens, não queremos nos apegar e temos dificuldade de nos relacionarmos, mas o amor é o tema mais universal que existe, reverbera em nós. Todo mundo quer o amor. Você pode querer o tradicional ou alternativo, mas espera dividir um pouco da vida com alguém. Quem está apaixonado e vê nossas fotos marca o namorado na publicação, quem não quer estar em um padrão de relacionamento, menciona os amigos. É interessante ver o comportamento das pessoas nos comentários. Fico impressionada como vivemos, hoje, a era da selfie. Basta ver uma pessoa que viaja. Diante de um monumento incrível, nas fotos, ela precisa estar junto a ele, se fazer presente. Nosso convite é oposto, para olhar para o outro, se surpreender com o que a rua tem a te contar. Essas cenas dão essa sensação, elas ajudam a subverter isso. O mundo está difícil, mas se você prestar atenção no outro, ainda pode ter solução.

Por que transformar o projeto do “Insta” em livro?
A ideia é registrar porque as fotos começaram a ficar lindas, e a internet tem um tempo rápido. Um post dura dois, três dias, e como há tanta beleza, queria guardar isso de alguma forma. Estamos naquele momento de pensar que web é maravilhosa, mas as conexões que se estabelece no mundo físico também são. Diante da imensidão das fotos, quisemos mostrar para mais gente, estourar a bolha, e atingir outras pessoas.




Três iniciativas virtuais que dão vez aos invisíveis


Retrato Negro
A iniciativa do fotógrafo carioca Wendy Andrade é empoderar rostos de negros desconhecidos, postando uma foto por dia no site retratonegro.rio, até 13 de maio de 2017. A escolha da data de encerramento da postagem das imagens não foi aleatória: é quando se comemora a abolição da escravatura.



Humans of New York
Com 17 milhões de fãs no Facebook, a página nasceu em 2010 com o intuito simples, mas encantador, de mostrar quem são e como pensam os nova-iorquinos. O catálogo informal dos habitantes da cidade a torna mais humana, mostrando que a vida que pulsa em meio ao concreto.



Humans of Brasília
Criado com inspiração no Humans of New York, a Humans of Brasília é bem mais modesta. Tem pouco mais de 1.500 fãs e, assim como a página em que se espelhou, apresenta fotos de habitantes do quadrado acompanhados por uma legenda ou textos curtos, em que contam um pouco de suas vidas.

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