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Estado de Minas

Dançarinos da cidade contam o que é preciso para se tornar um bboy ou bgirl

No dia mundial do Hip Hop, a capital recebe o festival Periferia 360°


postado em 10/11/2016 07:30 / atualizado em 10/11/2016 14:49

(foto: Osny Moreira/Divulgação)
(foto: Osny Moreira/Divulgação)


Conhecida como uma das maiores referências da dança breaking no país, Brasília abriga grandes nomes  da cena nacional, tornando essa linguagem artística cada vez mais forte no Distrito Federal. Bboys e Bgirls de diferentes estilos e trajetórias se empenham para aprimorar cada vez mais seus passos e o nível dos campeonatos. Além de manter viva e expandir a cultura hip-hop, as disputas de dança representam um local de encontro entre os elementos dessa cultura e criam um ponto de convergência para diferentes gerações em um ambiente de confraternização, diversão e preservação da cultura.

Fabiana Balduína, mais conhecida como FaBgirl, faz parte da cena breaking do DF há 15 anos e ajudou a criar o grupo BsBGirls (Brasil Style Bgirls) em 2003, um dos mais tradicionais formados apenas por mulheres. A bgirl acredita que Brasília tem uma boa representatividade no país e conta que seu grupo já viajou para diversos estados e países para se apresentar e competir. “Tivemos a oportunidade de sermos as primeiras brasileiras a representar o Brasil no mundial na Alemanha por dois anos consecutivos (2008 e 2009) e na França (2011). Todas as viagens foram enriquecedoras e só agregaram para nosso trabalho aqui no Brasil, é sempre bom poder conhecer outras culturas e trabalhos com o breaking”, declara a dançarina.

O preparo para aprimorar o trabalho na dança é constante e passa por fortalecimento muscular, treinos específicos de movimentos do break e cuidados com a alimentação, além das criações coreográficas e táticas de batalhas. Fabiana conta que a avaliação é feita de maneira ampla, mas determinadas competições ou jurados podem se concentrar mais em alguns pontos, como movimentos de força ou a forma como os dançarinos vão usar o repertório que têm. A bgirl é também idealizadora e produtora do Batom batle, um festival nacional de dança breaking com foco em gênero. “Atualmente, é a maior competição da América latina na categoria Bgirling (dança breaking praticado por mulheres). Nesse ano, teremos também a Mostra batom 2016, que contará com 10 trabalhos coreográficos de diferentes estados, para aqueles que não curtem competir, mas querem estar presentes no evento”. O objetivo da mostra é criar possibilidades de atuação, além das competições e expandir o espaço de exposição destes trabalhos criativos.

Outra representante das bgirls brasilienses é Thayara Brito, que começou a praticar breaking em 2006 e criou o grupo feminino Bots, que volta a praticar a dança neste ano. A dançarina se dedica e treina muito para conseguir a melhor performance e  afirma que o movimento vira um estilo de vida. “O grupo de bgirls sempre foi minha família, acho que isso acontece muito no meio, todo viram famílias, criam uma conexão forte”. A brasiliense ressalta que o movimento é muito forte na Ceilândia e, hoje em dia, diversos estilos de danças urbanas são incorporados ao breaking.

 

Tradição

O bboy Japão organiza o festival Periferia 360º: disciplina para participar
O bboy Japão organiza o festival Periferia 360º: disciplina para participar

 

Jonathan Dias, conhecido como Japão, está no ramo há 11 anos e afirma que o cenário brasiliense é um dos mais disputados do Brasil. Para ele, o movimento hip-hop ganha maior reconhecimento atualmente e expande sua verdadeira essência: a união. O bboy organiza diversos eventos no Distrito Federal, como o Periferia 360º, que acontece neste fim de semana. “No início, as batalham ocorriam para as gangues pudesse resolverem as desavenças ou até mesmo para conquistar territórios e respeito. Atualmente, as batalhas servem para dar continuação e a originalidade do movimento as competições vão além de conquistar só a vitória e sim defender seu nome, sua origem, sua Crew (Grupo)”.

Alan Papel começou a dançar na década de 1990 e conta que o cenário era bem diferente do atual, com menos espaços para treinos e pouca estrutura. Atualmente, os dançarinos da cidade mostram um cenário nacionalmente forte e representam a criação brasiliense ao redor do país. “Hoje, a dança de rua já é mais conhecida, se tornou popular entre os jovens e atrai gente diferente, com interesses diversos”, afirma o Bboy. 


O bboy brasiliense Alan Papel(foto: Ana Rayssa/D.A Press)
O bboy brasiliense Alan Papel (foto: Ana Rayssa/D.A Press)

Papel já ganhou 30 competições e em uma de suas viagens internacionais teve a ideia que deu origem ao projeto do festival Quando as ruas chamam, que tem entre seus objetivos promover a inserção social através da arte e ajudar artistas a consolidar suas carreiras. No ano passado o projeto ganhou o 1º Prêmio de Breaking Latino Americano na categoria de melhor evento da América Latina.

“Hoje me inspira bastante bboys especiais que possuem algum tipo de deficiência. Acho o maior exemplo de superação de limites”, afirma Alan.

O dançarino conta que em seus projetos e eventos produzidos pelo DF trabalha sempre para que todos os dançarinos sejam bem acolhidos e que a sensibilidade dos dançarinos seja sempre evidenciada. “Queremos ser valorizados mas não podemos distorcer nossa história, não queremos ser produtos comercializados por marcas. Corte suas raízes e estará morto.”

 

 


Festival
O festival Periferia 360° terá suas principais atividades e shows, no dia Mundial do Hip Hop no sábado e no domingo no Museu da República, com início das atividades as 13 horas, recebendo atrações de vários estados e o Distrito Federal com mais de 50 atrações entre bboys, grafiteiros, djs, poetas e rappers.  Quando as ruas chamam 3ª edição será realizada em 9,10 e 11 de dezembro e recebe artistas de todo Brasil e alguns países como França e Bolívia no Sesc de Ceilândia.

 

 

 

 

 

 

 

 

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