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Correio Braziliense

'Capitão Fantástico' ironiza a sociedade de consumo

O filme estreia nesta quinta (22/12)


postado em 22/12/2016 08:37

Nas sucessivas entrevistas que deu no Festival de Cannes, em maio - na TV Festival e na apresentação de seu filme na seção Un Certain Regard/Um Certo Olhar -, Matt Ross explicou sempre a gênese de Capitão Fantástico. "Esse filme começou a nascer quando me tornei pai. Todo pai quer sempre o melhor para seus filhos. Eu também queria para os meus. Mas aí comecei a pensar - e se o melhor que acho não for o melhor para eles?" Capitão Fantástico terminou ganhando o prêmio de direção de Um Certo Olhar, atribuído pelo júri presidido por Isabella Rossellini. Na hora da premiação, Isabella lembrou-se do pai, o grande Roberto Rossellini. "Ele teve tantos filhos. Preocupava-se sempre em nos dar a melhor formação, o melhor exemplo. Creio que teria gostado desse filme."


Capitão Fantástico estreia nesta quinta (22/12). Além do prêmio de direção de Um Certo Olhar, chega credenciado pela indicação que Viggo Mortensen obteve para melhor ator de drama, no Globo de Ouro. Mortensen, o Aragorn da trilogia O Senhor dos Anéis, havia sido indicado anteriormente para melhor coadjuvante de drama, por Um Método Perigoso, de David Cronenberg. Seu nome aparece em todas as listas possíveis para o Oscar. O curioso é que também já foi indicado antes para o prêmio da Academia, e por outro filme de Cronenberg, Senhores do Crime. Em Capitão Fantástico, Mortensen é Ben Cash, que abre mão de uma carreira para se consagrar à criação dos numerosos filhos. Antiestablishment, Ben cria os filhos em contato com a natureza. Todos desenvolvem suas aptidões, e não é apenas uma coisa física. Também aprendem a argumentar, falam numerosas línguas. A grande diferença é que, vivendo em condições tão primitivas, no mato, não se integraram à sociedade do consumo.

 

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Suas necessidades são outras, nascidas do embate diário com o "mundo real". Quando as circunstâncias fazem com que a família precise voltar à civilização, o choque é inevitável. Para o jovem que vive conectado 24 horas nas redes sociais, os personagens de Capitão Fantástico são verdadeiros aliens. O diretor, aliás, contou coisas divertidas sobre a escolha de seu elenco jovem. "Eu me dei conta de que procurava mesmo por aliens Queria garotos e garotas com boa preparação física, com facilidade para aprender línguas e também para argumentar, e ainda queria que fossem não profissionais, mas desinibidos perante a câmera."

Quem é Matt Ross? Embora tenha estreado na direção, em 2012, com 28 Hotel Rooms, ele é mais conhecido como ator, tendo aparecido em A Outra Face, de John Woo, e O Aviador, de Martin Scorsese. Não se pode negar que tem ambição - Capitão Fantástico possui alguma possibilidade de aproximação com um livro clássico que virou filme, O Senhor das Moscas. Ross segue o caminho aparentemente mais difícil - diz que o desafio do cinemas é apresentar ideias por meio de ação, e é o que tenta fazer. O tipo de humor que ele apresenta no filme é representado pelo fato de os Cash não celebrarem Natal nem ano novo. Sua principal comemoração é um dia dedicado a Noam Chomsky, o linguista, filósofo, cientista cognitivo e ativista político reverenciado no meio acadêmico como pai da linguística moderna. No palco da Sala Debussy, durante a cerimônia de premiação, Ross agradeceu a Viggo Mortensen, dizendo que, sem ele, o filme não teria sido possível.

Não falava apenas no aspecto econômico, mas no que significava ter um ator como ele, que trafega com desenvoltura entre o cinemão e a produção independente. Matt Ross disse que, ao fechar com Mortensen, ficou de lhe mandar alguns livros-cabeça, de filosofia e sociologia, que gostaria que lesse, como preparação. Mortensen brincou que só mandasse a lista, porque muito provavelmente teria os livros, e os teria lido, como efetivamente ocorreu. Filho de um administrador de fazendas dinamarquês e de uma norte-americana inquieta, Viggo teve uma infância e adolescência itinerantes, rodando o mundo. Viveu dez anos na Argentina, onde aprendeu espanhol e adquiriu o hábito do mate. Esse pai meio hippie de Capitão Fantástico lhe serve como uma luva. "Adoro diretores que me propõem o que ainda não fiz", gosta de dizer Viggo Mortensen. "Ficar repetindo papéis e personagens é muito chato." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

Por Agência Estado 

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