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Correio Braziliense

Festival Sundance quer mobilizar e provocar sobre mudanças climáticas

Lançado em 1985 para contrabalançar o domínio dos estúdios de Hollywood, o festival celebra os novos talentos e impulsa projetos de cineastas americanos independentes


postado em 17/01/2017 15:45

O Festival de Sundance, meca do cinema independente, onde a cada ano surgem algumas joias que reaparecem no Oscar, começa na quinta-feira com uma ênfase especial na questão das mudanças climáticas.

Na sua 33ª edição, o festival anual, que foi criado pela lenda do cinema Robert Redford e acontece nas montanhas do estado americano de Utah, conta com 118 filmes.

A edição deste ano "demonstra que a arte pode mobilizar, provocar e conectar as pessoas através do mundo", disse Redford, de 80 anos, em um comunicado.

Lançado em 1985 para contrabalançar o domínio dos estúdios de Hollywood, o festival celebra os novos talentos e impulsa projetos de cineastas americanos independentes.

A projeção de "Manifesto", onde a estrela australiana Cate Blanchett interpreta 13 personagens diferentes recitando célebres manifestos artísticos, será um dos pontos altos do festival, que termina em 29 de janeiro.
 

"A Ghost Story" de David Lowery, com Rooney Mara e Casey Affleck, que acaba de ganhar um Globo de Ouro e é um dos favoritos ao Oscar, também é um dos filmes mais esperados, assim como "Landline", uma comédia com John Turturro e Edie Falco. 

O filme "The Yellow Birds", do francês Alexandre Moors, sobre dois soldados no Iraque que enfrentam as consequências de uma horrível tragédia, põe em cena a estrela em ascensão Alden Ehrenreich ao lado de Toni Collette e Jennifer Aniston.

Pela primeira vez, Sundance terá uma seção dedicada a um tema de grande atualidade, as mudanças climáticas, com 14 filmes programados.

"Meu compromisso pessoal contra as mudanças climáticas começou há mais de 40 anos", ressaltou Redford.

"Se queremos evitar os piores cenários devemos atuar de modo audaz e imediato, da mesma maneira que ante a indiferença, a apatia e a oposição", acrescentou.

"An Inconvenient Sequel" é a sequência, dez anos depois, do documentário de Al Gore sobre o meio ambiente "An Inconvenient Truth" (2006), e que apresenta em imagens as consequências do aquecimento global.

Realizado por Bonni Cohen e Jon Shenk, o filme acompanha o ex-vice-presidente americano enquanto faz uma campanha a favor de um futuro sustentável para a Terra. 

No futuro

Redford costuma repetir que o festival deve ficar fora da política, mas trata-se de um preceito difícil de se cumprir a poucos dias da entrada do republicano Donald Trump na Casa Branca, principalmente porque o magnata negou que as mudanças climáticas sejam reais.

"Trumped: Inside the Greatest Political Upset of All Time" (Trumped: por dentro da maior virada política de todos os tempos), oferece uma visão dos bastidores da surpreendente vitória do presidente eleito sobre a democrata Hillary Clinton. 

Outros documentários selecionados abordam assuntos como a morte não explicada da rainha de concurso de beleza americana JonBenet Ramsey aos seis anos, em 1996, assim como a queda do jornal on-line Gawker, processado por publicar um vídeo sexual do ex-lutador e ator Hulk Hogan, a crise na Síria e o grupo extremista Estado Islâmico.

Nos últimos anos, filmes que estrearam no festival - há mais de 100 este ano - ganharam elogios da crítica, e muitos diretores, como Quentin Tarantino e Steven Soderbergh, construíram sua reputação lá. 

Revelações recentes do festival que provaram ser grandes sucessos de crítica incluem "Indomável sonhadora", "Whiplash - em busca da perfeição", "Swiss army man" e "O diário de uma adolescente".

No ano passado, o festival lançou produções como "Manchester à beira-mar", o filme pelo qual Casey Affleck levou seu Globo de Ouro e que é um dos favoritos ao Oscar de 2017.

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