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Correio Braziliense

Conheça as instrumentistas que fazem parte da cena local

Mesmo minoria, as instrumentistas se fazem presentes nas rodas e apresentações musicais pela cidade


postado em 23/01/2017 07:13

Larissa Conforto dá aulas para garotas interessadas em bateria intuitiva(foto: Pedro Arantes/Divulgação)
Larissa Conforto dá aulas para garotas interessadas em bateria intuitiva (foto: Pedro Arantes/Divulgação)
 


“A vida sempre me negou de ter a música como profissão”. A afirmação da baterista Larissa Conforto, da banda Ventre, poderia fazer parte da história de muitas instrumentistas. O desencorajamento, situações de machismo velado e a surpresa ao ver a habilidade de cada instrumentista são passagens repetidas muitas vezes na vida de mulheres que escolheram a carreira musical.

Para a maioria delas, o aprendizado começou na infância, em escolas especializadas ou na própria casa, com a influências dos pais. Esse é o caso de Larissa Umaytá, percussionista que seguiu o caminho do pai na música. Hoje, com 20 anos e formada no Clube do Choro, ela dá aulas e se apresenta no duo Tempo Forte. “Existe uma carência muito grande de mulheres instrumentistas, é um trabalho duro, longo”, diz.

Thanise Silva começou a tocar flauta aos 8 anos e já se apresentou nas melhores casas da cidade, como o Feitiço Mineiro e o Clube do Choro. Atualmente, toca com o grupo Choro pra Cinco e com Fernando César, reconhecido músico brasiliense. Mesmo estudando música desde a infância, frequentemente ouve que “toca que nem homem”. Apesar disso, é otimista com o futuro. “Acho que vai ter mais espaço para a mulher no mercado”.

Mesmo minoria, as instrumentistas se fazem presentes nas rodas e apresentações musicais pela cidade. Violonista, Juçara Dantas tem 14 anos de experiência no instrumento e é figura carimbada nas rodas de choro pela cidade. Formada em música e pesquisadora, Juçara diz que “as pessoas estão vendo nada mais que o resultado do meu esforço e é isso que eu quero levar”.

Depois de dois anos na flauta transversal e sete anos de guitarra na Escola de Música de Brasília, Mariana Sardinha se encontrou como cavaquinista no Clube do Choro. Atual estudante de música na UnB, a instrumentista de 29 anos faz parte de alguns grupos como o Seresteiras, Sambadelas, SaiaBamba e do bloco carnavalesco Essa boquinha eu já beijei. Mariana afirma que percebeu alguns olhares surpresos durante as apresentações. “O fato de ter o conhecimento teórico, dar uma canja, improvisar pode surpreender algumas pessoas”, afirmou.

Envolvida no mundo do rock, Larissa Conforto costuma enfrentar dificuldades parecidas no cotidiano de seu trabalho. Aos 13 anos, era a única garota na aula de bateria, quando cresceu entrou na escola de música Villa-Lobos, no Rio de Janeiro. Aos 18 anos, já tinha contrato assinado com uma gravadora e fazia shows pelo país. Apesar disso, diz que nunca sai relaxada para trabalhar. “Você sai de casa todo dia pronta para uma guerra, para uma batalha, você nunca sai relaxada pra tocar, pra passar som, porque sabe que vão te tratar mal”, explicou.
“Eu sempre tenho que provar para alguém não que eu sou boa, mas que eu sou capaz de tocar meu instrumento”, contou Larissa. Apesar do cotidiano dolorido, a baterista gravou sete discos em 2016 e diz que há ainda um longo caminho pela frente para a igualdade de gênero, também dentro da música.

* Estagiário sob a supervisão de Vinicius Nader

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