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Correio Braziliense

Escultor Giacometti é revivido em filme no Festival de Cinema de Berlim

O filme 'Último Retrato' é baseado em um livro de depoimento pessoal do escritor e crítico de arte norte-americano James Lord


postado em 12/02/2017 11:21 / atualizado em 12/02/2017 11:30

Berlim - Mais um filme biográfico em Berlim, desta vez do pintor e escultor suíço Alberto Giacometti, depois do biopic sobre o guitarrista Django Reinhardt. Dirigido pelo inglês Stanley Tucci, o filme 'Último Retrato' (Final Portrait) é baseado num livro de depoimento pessoal do escritor e crítico de arte norte-americano James Lord.

Foi o próprio Giacometti quem desejou fazer um retrato a óleo do escritor, que passou a frequentar o atelier do pintor na expectativa de precisar posar um máximo de uma semana. Entretanto - e foi isso que levou Stanley Tucci a fazer o filme - a pintura era sempre interrompida pelas razões mais diversas, obrigando James Lord a adiarseu retorno a Nova Iorque e ficar muito tempo em Paris.

Isso teve, porém, um resultado positivo, pois o escritor e crítico se tornou um assíduo frequentador do atelier do artista, um hiper ativo e excêntrico, além de fumante inveterado, que interrompia frequentemente suas atividades, não conseguia terminar suas obras, por vício de perfeição, e não dava nenhum valor ao dinheiro recebido por seus desenhos, pinturas e esculturas, deixando somas importantes em qualquer lugar do atelier dentro de simples envelopes. Nesse mesmo caos eram colocadas suas obras.

Bem diferente, portanto, de Picasso e Salvador Dali, conhecidos por catalogarem suas obras e saberem negociá-las por altos preços.

Admirador de mulheres, Giacometti mantinha uma relação tumultuosa com sua esposa e, nos seus últimos anos de vida, tinha uma relação afetiva com uma prostituta, Caroline, com a qual era pródigo em matéria de presentes, oferecendo mesmo um carro esporte, enquantosua esposa se queixava de ter apenas um casaco. O artista tinha também o hábito de interromper subitamente seu trabalho para ir ao bordel, onde era conhecido e bem recebido.

Um dos melhores filmes do início do Festival, filmado com duas câmeras móveis e que contou com a colaboração de um pintor admirador de Giacometti para garantir um máximo de autenticidade na decoração do atelier reconstituído.

Rui Martins está em Berlim, convidado pelo Festival Internacional de Cinema

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