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Correio Braziliense

A compositora Adriana Calcanhotto faz compilação da jovem poesia brasileira

'É agora como nunca' reúne 41 autores nacionais


postado em 26/02/2017 07:00

A cantora Adriana Calcanhoto foi responsável pela seleção dos autores para a antologia(foto: LeonardoAversa/Divulgacao)
A cantora Adriana Calcanhoto foi responsável pela seleção dos autores para a antologia (foto: LeonardoAversa/Divulgacao)


Adriana Calcanhotto lê bem menos poesia do que gostaria. Se pudesse, leria todos os dias. Talvez, ela pondera, na aposentadoria. “Que não está longe”, avisa. “Mais do que completar, a poesia me dá a noção de que não é possível completar-se.” E como uma biblioteca de poesia nunca está completa, Adriana quis conferir como se colocam as vozes dos jovens poetas brasileiros, nascidos entre as décadas de 1970 e 1990. O resultado está numa compilação de 41 autores reunidos em É agora como nunca – Antologia incompleta da poesia contemporânea brasileira. Organizado por Adriana, o livro faz um apanhado do que a compositora considera como mais relevante na produção recente.

Na lista de Adriana entraram algumas apostas que têm movimentado a cena da poesia carioca, como Alice Sant’Anna, Bruna Bieber, Fabrício Corsaletti, Ana Martins Marques e Victor Heringer, mas também alguns nomes menos conhecidos. O critério, a organizadora admite, foi totalmente pessoal. “Não há no livro nenhum poema de que eu não goste”, avisa. “Porque, que eu saiba, não existe uma antologia com esse recorte e tive vontade de ver o resultado da poética desses autores que leram (ou não leram, mas têm idade para isso) Eucanaã Ferraz, Arnaldo Antunes, André Vallias e mesmo poetas posteriores a eles.”

Para Adriana, pelo menos uma característica comum perpassa os poemas da antologia: o verso livre, ela constatou, é uma preferência absoluta entre os jovens poetas. A liberdade e a diversidade criativa marcam a poesia contemporânea brasileira e isso diz algo sobre essa geração. “A internet explodiu muitas barreiras. Os poetas escrevem e publicam sem editor se quiserem. Com a velocidade com que as coisas se dão, isso me faz lembrar o verso de Oswald de Andrade em Escapulário: …a ‘poesia de cada dia’”, diz Adriana. “O poeta escreve e publica com a urgência que sentir necessária. Publicar um livro impõe um delay, um tempo de produção, de feitura mesmo do livro, que pode funcionar para alguns poemas, mas não para outros que querem falar do agora, já.”

Adriana montou o livro da mesma forma como organiza os roteiros dos shows: pelo ritmo e por critérios subjetivos que ela não sabe explicar, mas que fazem sentido durante o processo. “É um processo que exige algum tempo, eu monto e abandono por um tempo, deixo decantar. Quando retomo gosto muito de algumas coisas e acho outras completamente errada’, mas não me pergunte por quê”, conta. A comparação com o show e com a música é natural para a cantora. Ela acredita que os dois estão ligados desde sempre, desde antes da existência da escrita e do próprio livro. “Sempre andaram juntos e, para nossa sorte, continuam”, acredita. Adriana ainda não viu o livro. Ela está em Portugal e vai passar o semestre por lá, como professora da Faculdade de Letras na Universidade de Coimbra. Na ementa do curso está justamente a ligação entre música e poesia, um laço que a cantora faz sempre questão de apertar.

(foto: Divulgação/Companhia das letras)
(foto: Divulgação/Companhia das letras)

É agora como nunca – Antologia incompleta da poesia contemporânea brasileira
Organização: Adriana Calcanhoto. Companhia das Letras, 144 páginas. R$ 34,90

 

 

 

 

 

 

 

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