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Correio Braziliense

Estreia hoje Logan, última oportunidade de ver Wolverine nos cinemas

Na produção, o protagonista descobre figura intrigante da personagem Laura Kinney. O filme tem sido bem recebido pela crítica


postado em 02/03/2017 07:33 / atualizado em 02/03/2017 09:42

(foto: 20th Century Fox/Divulgação)
(foto: 20th Century Fox/Divulgação)

No meio do caminho do mais estimado, mas menos paciente, integrante dos X-Men, existe um elemento bastante inesperado: é o fator 23, mais precisamente, o Mutante X-23 — que teve origem nos quadrinhos X-Men: Evolution, obra que desestabilizou certezas do rude Wolverine. X-23, uma espécie de filhote de Wolverine, está na trama de Logan, com respeitoso destaque.

Na trajetória cinematográfica autônoma do herói da Marvel, passados X-Men Origens: Wolverine (2009), filme mais relevante pelos desdobramentos de bastidores, Logan, que estreia hoje nos cinemas, vem regado a radicalismo (visual, com violência mais explícita) e a clima de obra definitiva, dada a intenção do ator Hugh Jackman (na pele do herói, desde 2000) de pendurar as chuteiras.

“Sempre senti que existia uma história mais profunda sobre o personagem”, observou, numa recente passagem pelo Brasil, o astro Jackman, que esteve, entre outros eventos, no desfecho do Festival de Berlim. Com o distanciamento de 16 anos, o ator australiano deixa o papel que o consagrou, e curiosamente, no Brasil, se encontrou com o dublador de Wolverine, Isaac Bardavid (famoso como o irascível feitor Francisco da novela Escrava Isaura), que também deixa de dar voz ao personagem. Um dado engraçado presente na trama de Logan é o uso da metalinguagem: o próprio enredo apela para as histórias em quadrinhos, no aparar de algumas arestas da aventura.



Antes mesmo da dissolução dos X-Men — estágio que, por sinal, reverbera no enredo de Logan, com o personagem central, solitário e acusado até de dependência de drogas —, Logan já era autossuficiente, ao menos nos quadrinhos. Criado em 1974, ele foi projetado pelo autor Len Wein (e desenhado por Herb Trimpe) com a intenção de ser um desafio substancial para o incontrolável Hulk. Sem acentuados traços de humanidade (e mais distante do uniforme amarelo com o qual desenhista John Romita lhe consagrou), em Logan, o herói canadense conserva a ferocidade de quem participou do Projeto Arma-X, e no qual o corpo dele foi fundido com camadas de adamantium, seguindo episódios descritos na decisiva história escrita por Barry Windsor-Smith.

Cowboy


Em Logan, aquele velho personagem que teve o mérito da imortalidade aceso, depois da participação na série dos quadrinhos Guerras Secretas, tem muito da originalidade resgatada, a ponto de o roteiro do filme, assinado pelo diretor James Mangold e pelos parceiros Michael Green e Scott Frank, traçar um paralelo com o solitário cowboy protagonista de Shane — Os brutos também amam (1953). Depois de assegurar, pela direção, prêmios como o Oscar tanto para Angelina Jolie (Garota, interrompida) e para Reese Witherspoon (Johnny e June), o cineasta Mangold entrega a Hugh Jackman o maior desafio e o papel de uma vida em Logan.

Atualmente, no aguardo pela finalização do longa The greatest showman, um musical em que dá vida ao famoso animador de circo itinerante P.T. Barnum, Hugh Jackman, aos 48 anos e com sua altura de quase 1,90m, pode se esbaldar no prestígio de, em Logan, ter alcançado a personificação do personagem inspirado no carcaju australiano (ou glutão, como alguns preferem), que, nos quadrinhos, se resumia ao 1,60m, mas transbordava fúria.

Você sabia?

A mutação de Wolverine proporciona os seguintes poderes: sentidos aguçados, capacidades físicas melhoradas, garras retráteis (de ossos originalmente, depois de adamantium) fator de cura que o permite se curar de qualquer dano, resistir a qualquer veneno e doença. Ele também desacelera o envelhecimento de Logan, e permite o organismo dele suportar o metal em seus ossos.

Duro, acabado e do mundo


Por demais atuante, nas regulares voltas ao passado, em X-Men: Dias de um futuro esquecido, o Wolverine, na envelhecida versão, avança para um futuro nada promissor, em Logan. Tendo por companhia o demente Professor Xavier (Patrick Stewart, retomando o papel) de quase 90 anos, o herói que, por anos, se intitulava James Howeltt, descobre, meio ao acaso, a figura intrigante de Laura Kinney (a desinibida Dafne Keen). Bastante isolados da civilização, juntos apenas ao mutante Caliban (Stephen Merchant), Professor Xavier e Logan se recolhem numa fronteira mexicana, enquanto planejam uma reclusa vida no mar.

Chofer de ocasião, o super-herói que até foi reduzido a pó na série de quadrinhos que formaram A morte de Wolverine (publicada nos Estados Unidos, em 2014), está no limiar da derrocada física. Trêmulo, administrando os remédios indicados pelo mestre Xavier, Logan ainda demonstra capacidades únicas como as de expurgar as balas alojadas no peito, mas — no mundo paralelo de Logan — está longe da figura ativa do especial Origem: o despertar da Fera (2001), de autoria de Paul Jenkins e Andy Kubert.

Entre os mais violentos produtos da Marvel para cinema, Logan, que é ambientado em 2029, não poupa em apresentar pedaços de cabeça estourados e crânios quicantes. Para além das espirituosas brincadeiras, que equiparam o protagonista a Freddy Krugger, e para a expressão da obsessão de Logan com as poucas posses, entre as quais o invejável carro Chrysler, ao som da soturna música Hurt, com Johnny Cash, o herói faz história no cinema, na aventura que coloca crianças como coisas a serem patenteadas e dignas de direitos autorais. Misteriosa, a trama apresenta ameaças reais a Logan: o manipulador e aristocrata Donald Pierce (algo ciborgue, interpretado por Boyd Holbrook) e o doutor Zander Rice (papel do veterano Richard E. Grant).

Outras estreias


Um limite entre nós

O longa que deu o primeiro Oscar a Viola Davis conta a história de Troy Maxson (Denzel Washington). Aos 53 anos, Troy trabalha como catador de lixos e tem um profundo rancor por, em razão do racismo, não ter sido jogador de baseball. Por essa razão, ele entra em confronto com o filho Cory (Jovan Adepo), que quer ser esportista.

Santoro — O homem e sua música

O documentário conta a história  de Claudio Santoro, um dos mais importantes compositores e maestros da música erudita no país. O filme traz, além de imagens de arquivo, depoimentos de familiares, amigos e especialistas sobre Santoro e registra, também, execuções de algumas de suas principais obras.

Waiting for B.
O que vale a pena fazer para ver o ídolo de muito perto? O documentário conta a história de fãs que se reuniram em São Paulo, no ano de 2013 para assistir a um show de Beyoncé. O filme mostra o cotidiano de quem chegou a ficar dois meses em frente ao estádio do Morumbi e fez rodízios para garantir um lugar perto da diva pop.

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