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Correio Braziliense

Show celebra os 90 anos de Tom Jobim

Os amigos João Bosco, Toquinho e Joyce Moreno se apresentam no Centro de Convenções Ulysses Guimarães


postado em 25/03/2017 07:30

João Bosco, Joyce Moreno e Toquinho: homenagem ao Maestro Soberano(foto: Paulo Henrique Cruz/Divulgação)
João Bosco, Joyce Moreno e Toquinho: homenagem ao Maestro Soberano (foto: Paulo Henrique Cruz/Divulgação)
 

 

Garota de Ipanema, a segunda música mais ouvida no mundo — a primeira é Yesterday, de John Lennon e Paul McCartney — fez de Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim uma personalidade internacional. No Brasil, a faceta mais conhecida desse carioca do bairro da Tijuca é a de ser um dos pais da bossa nova, movimento que tem como outros pilares Vinicius de Moraes e João Gilberto.

O lirismo e as sofisticadas construções harmônicas e melódicas deram contorno de forma indelével à obra de Tom Jobim, levando-a a ser reconhecida como uma das mais ricas e profícuas da música popular brasileira. Mas, na trajetória do Maestro Soberano — como o chamou o parceiro Chico Buarque de Holanda —, há outros traços que o distinguiram, como o de um militante ecológico.

Uma outra virtude de Tom, destacada por companheiros de ofício, que o tomaram como referência, é a do mestre generoso, sempre disposto a acolher a quem dele buscava uma aproximação. Foi assim, por exemplo, com a cantora e compositora Joyce Moreno, e os cantores e compositores João Bosco e Toquinho — coincidentemente, todos também exímios violonistas.

Eles são protagonistas do espetáculo Tom Jobim — 90 Anos, que, em turnê pelo país, volta a Brasília para apresentação hoje, às 21h, no Auditório Master do Centro de Convenções Ulysses Guimarães. Durante 90 minutos, individualmente e em duo, vão revisitar o legado do compositor, ao interpretar clássicos como Água de beber, Águas de março, Chovendo na roseira, Desafinado, Eu sei que eu vou te amar, Garota de Ipanema, Samba de uma nota só e Wave. 

No roteiro, obviamente, não pode faltar Chega de saudade, uma espécie de hino bossa-novista, que leva os três a juntarem as vozes, no sempre aguardado bis, que leva os espectadores a fazer coro, no momento de maior interação entre palco e plateia. Muitos hão de se lembrar que foi esse samba, composto por Tom Jobim e Vinicius de Moraes, interpretado por João Gilberto, o responsável pelo surgimento do movimento que propôs a modernização da MPB.

Toquinho acredita que, para homenagear Tom Jobim, antes de tudo, é necessário ter um envolvimento com ele.“Somos herdeiros das belezas criadas por Tom e torna-se emocionante poder evidenciá-las num espetáculo de conteúdo musical insuperável”. Já João Bosco enfatiza: “Nós precisamos tocar sempre Tom Jobim para que a música dele possa continuar sendo uma referência e uma luz em nosso caminho na música”. Para Joyce, interpretar as canções do maestro “significa, humildemente, devolver a este mestre, amigo, mentor, um pouco do muito que recebemos dele”.


Tom Jobim – 90 Anos
Show com João Bosco, Toquinho e Joyce Moreno hoje, às 21h, no auditório master do Centro de Convenções Ulyses Guimarães (Eixo Monumental).Ingressos: R$ 50 (poltrona superior), R$ 70 poltrona B), R$ 80 (poltrona A), R$ 140 (poltrona lateral). Pontos de venda: G2 do Brasilia Shopping e FNAC do ParkShopping. Não recomendado para menores de 12 anos.


Depoimentos

“Considero Tom Jobim um gênio e, mesmo sem querer, se aprende com ele observando a simplicidade sofisticada característica de suas composições. Sem dúvida, ele está contido nos fundamentos de meu violão. Em 1977, tive o privilégio de integrar o quarteto, ao lado de Tom Vinicius e Miúcha, que apresentou histórico show no Canecão (Rio de Janeiro). Foi um espetáculo grandioso, com o qual ficamos oito meses em cartaz, lotando todas as noites. Aí, pude conviver mais de perto com Tom e desfrutar de toda sua genialidade como músico e de seu temperamento carregado de humor e sabedoria. Ele tinha um senso de humor inteligente, de uma suave ironia. Tom é único e inconfundível em tudo que fez, desde os primeiros arranjos que marcaram o início de sua carreira e nas parcerias com Vinicius, Newton Mendonça e Chico Buarque; e até nas canções em que se revela também um exímio letrista. Sua música contém todos os fundamentos da estrutura melódica da bossa nova, que revolucionou universalmente a noção de ritmo, melodia e poesia numa composição musical. Além de sua genialidade como analista de seu tempo, dotado da ironia perspicaz e sedutora que alimenta a alma de quem ouve e esclarece o presente de forma a evidenciar o futuro. Ninguém como Tom soube registrar numa frase, e são várias delas, a relação do homem com a natureza das coisas.” 
Toquinho


“Tom Jobim foi meu padrinho na gravação do Disco de Bolso, idealizado pelo jornal O Pasquim e produzido por Sérgio Ricardo. Na época , 1972, o maestro gravava pela primeira vez Águas de Marco, música inédita que teria uma importância histórica na carreira dele. Anunciava assim o advento de Matita Perê, disco que indicava o início da trajetória de sua incursão ao interior da mata brasileira. No Lado B desse compacto simples eu gravava a também inédita Agnus sei, parceria minha com Aldir Blanc. Tom representa tudo aquilo que nós temos de melhor. É o Brasil que mostramos ao mundo com orgulho e prazer.” 
João Bosco


“Minha relação com Tom Jobim é a de uma aluna com um mestre — mas também a de uma amiga com um amigo muito querido e divertido. Tom era uma figura quase paterna para nossa geração de compositores. Mas sem solenidade ou hierarquia. Tom é um dos maiores compositores do século 20, em plano mundial. Em qualquer parte do planeta, a qualquer momento, você vai encontrar alguém tocando uma música dele. Um clássico contemporâneo.” 
Joyce Moreno

 

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