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Correio Braziliense

Professor lança romance ambientado na era pós-ditadura Vargas

No romance, Helio Brasil pinta um retrato da vida no seu bairro natal de São Cristóvão, na Zona Norte carioca, na época da redemocratização pós-Estado Novo


postado em 01/05/2017 18:08 / atualizado em 03/05/2017 16:41

Hélio descreve São Cristóvão com leveza e detalhes por meio da história de Jordão, casado com Leonor e pai do recém-nascido Felipe(foto: Editora Synergia/Divulgação)
Hélio descreve São Cristóvão com leveza e detalhes por meio da história de Jordão, casado com Leonor e pai do recém-nascido Felipe (foto: Editora Synergia/Divulgação)

Ladeira do Tempo-Foi (Synergia Editora), o novo romance do professor e arquiteto carioca Hélio Brasil, se passa na primeira metade da década de 1950, retratando uma era conturbada, logo depois da volta constitucional de Vargas e das incertezas no clima político brasileiro, e é voltado para os dramas cotidianos. A trama tem como personagem central Carlos Jordão, professor de história: “A trama traz interesse em razão do trânsito dos personagens pelas diversas situações”, comenta o autor.

 

Hélio, muito ligado ao bairro, pensou no romance como uma forma de outra vez homenagear São Cristóvão, palco de momentos importantes para a história do Brasil.“A memória que tenho de lá é muito dourada, pois, além de ter crescido no bairro, é um local muito rico, historicamente falando” conta.

 

Nascido na antiga rua General Canabarro (hoje Almirante Baltazar) — mesma rua na qual, inclusive, o pai nasceu e cresceu— Hélio descreve São Cristóvão com leveza e detalhes, na ficção Ladeira do Tempo-Foi, por meio da história de Jordão, casado com Leonor e pai do recém-nascido Felipe. O protagonista da ficção dá aula na fictícia escola de Santa Cordélia e acaba se envolvendo com Idália, que se abriga no porão da casa do professor com o filho Lula, que tem problemas de saúde desde que nasceu. A trama engrossa quando a atração entre ambos põe em risco seu casamento.

 

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Apesar de a ladeira ser parte fictícia do bairro, a importância histórica mostra-se bem real, devido à proximidade da Quinta da Boa Vista, primeira residência oficial de Dom João VI, que trouxe consigo a família real portuguesa em 1808, e se desdobrou, entre diversos eventos, na independência do Brasil.

 

Além disso, o bairro foi palco do outro romance de Hélio, A última adolescência (2004). “Este já conta histórias fictícias, que recriam minha passagem pela infância e adolescência por meio da perspectiva de um personagem fictício”, explica o autor, mostrando a força de sua ligação com o bairro.

 

Em 2004, a Relume-Dumará publicou São Cristóvão, memória e esperança, que voltou a ser editado na Coleção Cantos do Rio. Ao lado de outros autores abordando outros bairros cariocas, foi reeditado em 2016 pela Faperj, em Cantos do Rio, imagens literárias de bairros e localidades cariocas, reunindo 13 textos da coleção.


Estagiário sob a supervisão de Severino Francisco

Ladeira do Tempo-Foi
De Hélio Brasil/220 páginas. Ed. Synergia/R$ 40

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