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Correio Braziliense

Festclown traz programação repleta de riso, cores, brincadeiras e reflexão

A entrada do evento é franca e a classificação indicativa é livre


postado em 18/05/2017 07:30

Artetude, Irmãos Saúde: no circo há espaço para o homem mais forte, o mais hábil equilibrista e o palhaço que tropeça(foto: Diego Bresani/Divulgação)
Artetude, Irmãos Saúde: no circo há espaço para o homem mais forte, o mais hábil equilibrista e o palhaço que tropeça (foto: Diego Bresani/Divulgação)


A brincadeira e a verdade do palhaço entram em cena nesta semana com a edição especial do Festclown, que comemora 15 anos de um dos festivais de palhaçaria mais reconhecidos no país. Palhaços de diferentes regiões do Brasil e outros países se juntam a artistas locais entre os dias 17 a 21 de maio, totalizando 31 apresentações de 21 companhias. Diversas vertentes, estilos e épocas se misturam nos palcos que montam um verdadeiro mosaico da arte do palhaço contemporâneo. Entre textos, acrobacias, cores e música o objetivo central é o mesmo: despertar o riso e alegrar os espectadores.

Além dos espetáculos, o festival oferece diversas oficinas, com o objetivo de aproximar cada vez mais a criação do público. Rogero Torquato, idealizador do Festclown, lembra que o palhaço é importante em todas as épocas, sendo um meio de brincar ludicamente com os fatos e as ideias dominantes. “O palhaço se atualiza sempre, sua fonte de inspiração é o cotidiano. No seu trabalho ele cria muito por meio do comportamento da sociedade”.

Para Luiz Carlos Vasconcelos, que trabalha com o palhaço Xuxu desde 1978, basta olhar para as ruas para entender a importância do palhaço no mundo atual. “É cada vez mais essencial que algumas criaturas tomem para si o dever voluntário de fazer o outro rir. O palhaço desperta vários aspectos, o lúdico, o poético e ainda melhora o equilíbrio imunológico com o riso”, afirma. O palhaço de Luiz Carlos nasceu a partir de sua própria essência, mostrando algumas de suas características mais fortes. “É uma expressão muito verdadeira. Ele trabalha com equilíbrio, música, instrumentos, mas o princípio básico é fazer as pessoas se comoverem, se divertirem”, afirma Luiz. O espetáculo leva no nome o principal bordão de seu palhaço: “Silêncio total”!

Enquanto isso, os brasilienses Ankomárcio e Ruiberdan, conhecidos como Irmãos Saúde,  completam 15 anos de estrada e palhaçaria por todos os cantos do país. Com o Circo Teatro Artetude, inspirado principalmente na cultura popular, eles levam ao festival seu famoso Clownbaré. Para Ankomárcio, a arte do palhaço surgiu como uma possibilidade de expressar, entre outras coisas, sua desilusão com as desigualdades. O palhaço aparece como a figura que possibilita o erro e mostra que há diferentes alternativas de se viver. “O palhaço é um símbolo de que também é possível assumir seus erros e fragilidades. Somos vencedores em alguns dias, em outros não e o palhaço é isso, aquele que tropeça”.

Tradição e transformação
Maria Gomide nasceu numa trupe circense, a Carroça de Mamulengos, que surgiu em Brasília e completa 40 anos em 2017. “Podemos apresentar fragilidades, inocência, o ridículo, o vulgar e o divino do ser. Diga do que ris e assim conheço quem és. O palhaço nos faz conhecer melhor quem somos”, afirma. Sua palhaça, Maria Flor, trabalha com a comicidade poética inspirada nos palhaços de tradição popular.

Enquanto isso, Lily Curcio, do grupo Seres de luz teatro, lembra que em tempos de transformação e quebra de paradigmas, o palhaço contribui para além de sua capacidade de despertar o riso. Sua palhaça, Jasmin, privilegia a linguagem gestual.

“Não tem nada melhor que trabalhar com o próprio material, no caso do palhaço ele funciona com um grande imã, atraindo o espectador para o seu mundo, transformando a realidade por uns minutos, mostrando que podemos ser vulneráveis, estúpidos e também errar infinitamente”, destaca. No Festclown, ela contracena com o mestre italiano da Clowneria clássica Leris Colombaioni, no espetáculo Spaghetti. Reunindo todos esses elementos, o Festclown valoriza o palhaço que faz da comicidade uma maneira de olhar o mundo e lembra ao público que o riso deve estar sempre presente.


Festclown 15 anos
De 17 a 21 de maio, no Complexo da Funarte e unidades do Sesc Gama, Ceilândia e Taguatinga Norte, além da Torre de TV. A entrada é franca e a classificação indicativa é livre. Confira a programação completa no site do Correio.

 

 

 

 

 

 

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