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Correio Braziliense

Brasilienses apostam na criação de festivais para valorizar cenário

Cega rega acontece na UnB com show de Dona Cislene, Alarmes, Lupa, Dead Fish e Selvagens à Procura de Lei


postado em 08/06/2017 07:30 / atualizado em 08/06/2017 09:36

A banda Dona Cislene tem optado por organizar festivais nos momentos de lançamento de disco(foto: Tropi Press/Divulgação)
A banda Dona Cislene tem optado por organizar festivais nos momentos de lançamento de disco (foto: Tropi Press/Divulgação)



Uma banda independente e autoral costuma enfrentar alguns empecilhos na hora de expor o trabalho. O principal deles é a desconfiança do mercado. “Muitos ainda acham que bandas independentes não tem capacidade de encher uma casa (de shows) e de fazer o dinheiro circular. O desafio de toda banda autoral é exatamente esse: mostrar que essas pessoas estão erradas”, analisa Múcio Botelho, vocalista e guitarrista do grupo Lupa.

Com esse objetivo, a banda brasiliense Lupa, formada por Botelho, João Pires (bateria), Lucas Moya (baixo), Victor Cavalcanti (guitarra) e André Pires (teclado), criou no ano passado o festival Lupercália, que chegou à segunda edição neste ano com realização em maio no Espaço Cultural Canteiro Central, no Setor Comercial Sul. “Uma nova cena de bandas exige uma nova forma de se apresentar e de se relacionar com seu público. Ainda existem muitos espaço fechados para grupos autorais em Brasília. Essas casas não se abrem para novas bandas, que criam novos meios de divulgar suas músicas e realizar eventos”, completa Botelho.

A segunda edição do Lupercália contou com bandas do Distrito Federal, como forma de fomentar a cena local, mas também grupos convidados de outros estados, como São Paulo e Goiás. “Temos a intenção de expandir o festival e fazer outras edições, inclusive, fora de Brasília”, adianta o vocalista do grupo.

Sempre festival
A banda Dona Cislene é outro exemplo de grupo que opta por realizar seus próprios festivais. Desde o lançamento do primeiro álbum, o grupo organiza esse tipo de evento. “O nosso primeiro festival foi o Good vibe, bem no momento do lançamento do primeiro disco. Na época, a gente não tinha estrutura, fazia tudo meio que sozinho”, conta Bruno Alpíno, vocalista do grupo.



Para fazer o show de lançamento do segundo disco, Meninos & leões, a banda, que ainda tem Guilherme de Bem (guitarra), Pedro Piauí (baixo) e Paulo Sampaio (bateria), decidiu seguir esse mesmo caminho traçado no passado. “A gente tinha dois caminhos. Ou a gente fazia um show de lançamento só da Dona Cislene com mais alguma banda, que era a ideia inicial ou podíamos fazer algo mais ambicioso para fomentar a cena de Brasília”, lembra.

A escolha foi pela segunda opção e assim nasceu o Cega rega, que terá a primeira edição amanhã, a partir das 20h, no Centro Comunitário da Universidade de Brasília. Com produção da Dona Cislene em parceria com a produtora Zeroneutro, o evento terá bandas locais, como a própria Lupa e Alarmes, e convidados de fora, Dead Fish (ES) e Selvagens à Procura de Lei (CE). “Decidimos fazer um festival para tentar realizar edições em outros anos. Estamos fazendo na raça, colocando nossa grana, fazendo todo o corre”, explica Bruno Alpino.

Neste ano, outro grupo que apostou nesse formato foi o duo Apráticos, composto por Flávio Delli e George Costa. Com intuito de promover o próprio trabalho e também valorizar um movimento intitulado como aprático — em que a arte é valorizada sem automatização —, a dupla criou o festival MovA, realizado de maio a junho na cidade.


Cega rega
Centro Comunitário da Universidade de Brasília (Scen). Amanhã, às 20h. Com shows de Dona Cislene, Alarmes, Lupa, Dead Fish e Selvagens à Procura de Lei. Entrada a R$ 40. Valor de meia-entrada e segundo lote. À venda no site www.sympla.com.br. Não recomendado para menores de 16 anos.



Iniciativa anterior
Há mais de 10 anos, a banda Móveis Coloniais de Acaju promove o festival Móveis Convida. No ano passado, o evento chegou à 17ª edição, sempre com a intenção de valorizar o cenário independente e também local.

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