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Correio Braziliense

Planeta dos macacos: a guerra demarca uma fria era, na saga dos símios

Com orçamento de US$ 150 milhões, o terceiro capítulo da saga de Planeta dos macacos investe na criação de um mundo sombrio que reserva desesperança e tragédia para o líder dos símios, o altivo César


postado em 03/08/2017 07:49

 
 
A objetividade, numa declaração dada à revista Entertainment Weekly, mostra o grau de apego do diretor Matt Reeves pelo universo fantasioso explorado por ele com o filme Planeta dos macacos: A guerra, a partir de hoje, nos cinemas: “Eu queria muito ser um macaco”. Depois de estrear como diretor da franquia, com Planeta dos macacos — O conflito (2014), Reeves investiu mais de três anos na produção da nova fita, com o propósito de assegurar unidade do material que ele não quis descolar por completo do universo dos longas-metragens setentistas que tiveram por base a criação literária do francês Pierre Boulle.
 
 
 
Fisgado, no passado, pelo trabalho de maquiagem de John Chambers, para os filmes com Charlton Heston; Matt Reeves, agora, reverte esta admiração com o que mais impressionava o espectador de Planeta dos macacos — A guerra: muito do sucesso está afirmado no poder de convencimento das expressões dos atores que ganham performances revestidas pela definição de efeitos digitais. Mestre nesta arte da captação de movimentos dos atores, o ator Andy Serkis (intérprete do protagonista símio César), recentemente, em São Paulo, insistiu justamente na valorização das intenções e emoções trazidas por atores, em meio à parafernália e trajes de captura de movimentos usados nos sets de filmagem.

Às vésperas da primeira incursão na adaptação de quadrinhos de heróis, com um novo Batman (Ben Affleck) previsto para 2019, o diretor de A guerra não se esquiva de comparações. Ele percebe Batman e César (o macaco líder da trilogia de cinema) como donos de denominador comum: tratam da superação de crises internas, num mundo imperfeito. No enredo do filme em torno de chimpanzés e afins, vale reforçar, predomina os ares de um planeta obscuro, às vias de estimular uma guerra irrefreável.

Desdobramentos do prevalecimento do medo e a ausência de empatia entre personagens estiveram, por sinal, entre os elementos destacados pelo ator Steve Zahn (um iniciante no elenco) para a revista The Hollywood Reporter, quando o tema foi o paralelo entre o mundo da ficção e a realidade dos atuais espectadores da fita. Uma bandeira dos Estados Unidos vandalizada está na antessala de uma das maiores ameaças dos macacos: o Coronel (completamente instável) interpretado por Woody Harrelson (de Assassinos por natureza).

Quem toma parte da trama, como espécie de ponte na integração entre humanos e macacos, é a menina Nova (Amiah Miller, do terror Quando as luzes se apagam) agregada a um grupo de bichos humanizados que pretendem buscar um lar alternativo em face a tanta destruição. Num jogo de solidariedade e de perdas, há espaço para a falta de humanidade de seres doentes, agressões gratuitas, traições, a instauração de uma espécie de campo de concentração para macacos e, claro, o poder de fogo (decisivo) da imprevisível ação da natureza.

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