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Correio Braziliense

Diálogo brasiliense com o design gráfico ganha espaço na bienal

São trabalhos que vão de experiências colaborativas e intervenções urbanas a jornalismo social, que movimentam a vida cultural da cidade


postado em 04/08/2017 11:22 / atualizado em 04/08/2017 12:35

Projeto Motim: intervenções artísticas nas ruas da cidade(foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)
Projeto Motim: intervenções artísticas nas ruas da cidade (foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)
 
Três projetos de design gráfico produzidos em Brasília estão entre os 50 premiados da mostra principal da 12ª Bienal Brasileira de Design Gráfico. São trabalhos que vão de experiências colaborativas e intervenções urbanas a jornalismo social, que movimentam a vida cultural da cidade.

Após se formar em design gráfico em 2011 na Universidade de Brasília (UnB), Henrique Eira fundou o estúdio Marujo e, por lá, trabalhou até 2014. Em seguida, começou mestrado no Institute of the Arts (Calarts, Estados Unidos). Durante esse tempo, idealizou a mostra autoral Cartazes colaborativos volume one, em parceria com a norte-americana Aamina Ganser, como forma de contrapor as tendências modernistas ensinadas nas universidades brasileiras.

“No começo, convidamos três colaboradores para uma entrevista. A maneira deles responderem era de forma visual, dentro do cartaz. Assim, começou o projeto com três obras. A cada semana, uma pessoa desenvolvia o cartaz, até completar o ciclo de oito semanas”, explica Henrique. Cartazes colaborativos volume one tem como objetivo mostrar as transições que acontecem durante a vida. “O projeto aborda o tema transição. As entrevistas levaram a um processo de pensar a respeito da própria vida”, conta.

Urbano

Natural de São Paulo, o designer Felipe Honda mudou-se para Brasília aos 11 anos e formou-se em design gráfico no Centro Universitário Iesb. Hoje dirige a Feira de Mercado Independente de Produção. “Por ser um lugar de publicação independente, isso permite que os autores sejam puros na linha de pensamento, sem se restringir a uma editora específica. A feira carrega o tom de transgressão, no sentido de questionar a sociedade moderna”, afirma.

Com o irmão, Leandro Honda, Felipe desenvolveu os cartazes do projeto Motim como forma de publicidade antiga para trazer uma nova concepção. “A gente usou o lambe-lambe para quebrar o padrão de divulgação artística na internet e para fazer com que as pessoas se questionem a respeito da arte urbana”, comenta.

Os cartazes espalhados por Brasília, segundo Felipe, são indícios da arte contemporânea: “Os movimentos urbanos se empoderam da cidade. Até um determinado tempo, a arte estava nos museus, hoje, está nas ruas. A arte urbana é a arte contemporânea de Brasília. O acesso é livre, uma parede na W3 é lugar para intervenção artística, seja bela ou não.”

Da rua

Radicado em Brasília há três anos, o designer gráfico chileno Cheo Gonzales mudou-se para a capital federal contratado pela agência Fermento Promo como diretor de arte. Gonzalez foi premiado na bienal com projeto gráfico da revista Traços, criada em 2015 com o objetivo de valorizar a cultura da cidade e acompanhar pessoas em situação de risco. É uma revista feita “da rua para a rua”, segundo Gonzalez, que caracteriza Brasília como uma grande cidade pequena.

A missão da Traços é recuperar o jornalismo social e divulgar a cultura urbana de Brasília. O designer explica que o formato de vendas é também uma forma de projeto social. “Os moradores de rua vendem o produto a R$ 5, R$ 4 ficam para eles e com mais R$ 1 eles compram outra revista. Não queremos que peçam esmola, damos a oportunidade de eles obterem dinheiro por meio do trabalho”, garante.

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