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Correio Braziliense

Artistas de Brasília brilham em peças e musicais de Nova York

Jovens saem do Brasil em busca do sonho de se apresentar na Broadway


postado em 12/09/2017 06:30 / atualizado em 12/09/2017 12:31

Melissa Kruger se divide entre a dança, o teatro e o canto desde os 15 anos e se mudou há 2 para NY(foto: arquivo pessoal)
Melissa Kruger se divide entre a dança, o teatro e o canto desde os 15 anos e se mudou há 2 para NY (foto: arquivo pessoal)
 

Para dar vazão ao sonho de estudar e trabalhar com no mercado artístico e expandir seus horizontes culturais, artistas de Brasília partem rumo a Nova York para trabalhar com teatro e musicais. Em comum, a vontade de enriquecer a bagagem com novas técnicas e aprendizado, além de experimentar a performance nos palcos de um dos maiores centros teatrais do mundo.

Na cidade mais populosa dos Estados Unidos, os teatros se espalham a cada esquina, variando em tamanho, visibilidade e estilos de montagem. As oportunidades são muitas, assim como os espaços e os concorrentes. Entre os brasilienses que saíram do país em busca do objetivo de fazer carreira nas artes cênicas estão: André Torquato, Melissa Kruger, Rafaela Raposo e Renata Soares.

 

 

 

Melissa Kruger se divide entre a dança, o teatro e o canto desde os 15 anos e se mudou há 2 para NY. A ideia era se dedicar de maneira integral à carreira artística e aprimorar seus estudos na área. O treinamento nova -iorquino é intenso e Melissa afirma que a competição é brutal, ainda que as possibilidades sejam muitas. "Apesar da dificuldade, conheci diretores e profissionais incríveis que me deram ótimas oportunidades de mostrar o meu trabalho", conta a atriz.


Ela já particiou de montagens off broadway (produções de menor orçamento) como Cabaret, Urinetown e protagonizou a peça Eurydice. A formação acadêmica para abrir caminhos no novo país foi feita na New York Film Academy e na escola de dança Peridance. "Por enquanto, eu quero morar por aqui, eu construí uma rede de relacionamentos muito boa e gosto do rumo que minha carreira está tomando. Mas, sem dúvida, eu adoraria fazer parte da arte no Brasil, que cresce a cada dia  e me deixa tão orgulhosa".

A artista lembra que iniciar a carreira como imigrante nos EUA não é fácil, a competição é ainda mais acirrada e outros aspectos são levados em conta, como o sotaque. "Nós, imigrantes, trabalhamos em dobro e as pessoas daqui gostam de quem trabalha duro. Tenho outros empregos para me sustentar, mas trabalho diariamente com arte, tem audição constantemente e milhares de oportunidades por dia", destaca.

 


André Torquato se formou em interpretação para teatro, tevê e cinema na Lee Strasberg Theater and Film Institute
André Torquato se formou em interpretação para teatro, tevê e cinema na Lee Strasberg Theater and Film Institute

 

O jovem veterano André Torquato começou seus trabalhos profissionais em 2009, aos 15 anos, com o musical A noviça rebelde, em São Paulo. Ele saiu do Brasil há 4 anos e se formou em interpretação para teatro, tevê e cinema na Lee Strasberg Theater and Film Institute. Atualmente, trabalha principalmente em espetáculos de regional theater (peças ao redor dos EUA) e já foi convidado para uma produção na Nova Zelândia.

André Torquato destaca que gente de todo o mundo tenta carreira em NY, o que deixa a concorrência acirrada. "O sonho da Broadway não é conquistado por todos que fazem parte da comunidade artística, mas também não é necessário. Regional Theaters e as National Tours são uma ótima opção para se viver de teatro", destaca.

O ator lembra que grande parte dos artistas no país tem um emprego alternativo para ajudar com as contas, e o trabalho artístico é feito de maneira simultânea, ainda que com forte dedicação de tempo, treinamento e estudos. "Minha vida profissional mudou, principalmente, porque meu lado pessoal cresceu com a mudança".

Foco nos estudos

 

Renata Soares se mudou para aprimorar suas técnicas e focar nos estudos
Renata Soares se mudou para aprimorar suas técnicas e focar nos estudos
 

 

A atriz Renata Soares saiu de Brasília com foco em aprimorar seus estudos e se aprofundar em técnicas trabalhadas especificamente nas produções norte-americanas, desenvolvida por Sanford Meisner, que parte da premissa de que o ator tem que se libertar de qualquer ideia de como a cena vai acontecer e foque toda a sua atenção em seu parceiro de cena, aprendendo a ser afetado pelo que vier a acontecer.

"O que me trouxe para Nova York nem foi tanto o mercado, mas a educação. Eu sabia que encontraria aqui técnicas que não são trabalhadas em Brasília. E, pessoalmente, eu sentia falta disso, de uma técnica, de um processo de construção de personagem”, destaca.

 


Rafaela Raposo conta que o fluxo de trabalhos artísticos é grande
Rafaela Raposo conta que o fluxo de trabalhos artísticos é grande

Rafaela Raposo se mudou após passar em uma audição para a New York Film Academy e conta que chega a fazer três audições por semana na cidade. "Nós temos aulas com artistas que trabalham constantemente, então criamos uma rede de contatos muito legal", conta.

Entre trabalhos e produções acadêmicas, a atriz já participou de cerca de 10 produções, entre peças e musicais. O fluxo de trabalhos, testes, treinamentos e estudos é grande e, para os artistas brasilienses, essa é uma ótima chance de trazer novas experiências para o DF e aprimorar a bagagem pessoal, cênica e profissional.

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