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Correio Braziliense

Cinema a céu aberto: estiagem favorece exibições ao ar livre

Cine Conjunto, Cine Circular e CineClube Farol somam o imponente céu de Brasília a exibições cinematográficas


postado em 13/09/2017 06:00

Cine Conjunto acontece no próximo fim de semana na praça Lucio Costa, em frente ao shopping Conjunto Nacional(foto: André Zimmerer/Divulgação )
Cine Conjunto acontece no próximo fim de semana na praça Lucio Costa, em frente ao shopping Conjunto Nacional (foto: André Zimmerer/Divulgação )
 
A estiagem que castiga Brasília entre os meses de agosto e outubro tem um lado positivo. Com ela, aparece uma boa dezena de iniciativas culturais ao ar livre, longe dos transtornos de uma chuva imprevista. No mês em que Brasília respira cinema (o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro começa na sexta) muitas dessas ações se concentram na sétima arte.

“Escolhemos essa época porque não há chuvas”, conta Moacir Costa, organizador e idealizador do Cine Circular. No cerne do projeto estão exibições de cinema ao ar livre antecedidas por apresentações culturais. A pipoca e o refrigerante são gratuitos, como cortesia aos 700 participantes.
Essa ocupação também é feita pelo CineClube Farol, com foco em curtas ativistas de realizadores do Distrito Federal. Itinerante, o projeto acaba de passar pela Casa Monstra, em Samambaia. Essa semana, uma praça em frente ao shopping Conjunto Nacional recebe o Cine Conjunto, na mesma premissa de democratização do cinema somado ao imponente céu de Brasília, abóbada  conhecida por inspirar músicos e poetas.

Cine Circular

O projeto exibirá filmes nacionais e internacionais em comunidades onde não há salas oferecem projeções com entrada franca. A ideia é democratizar o acesso à sétima arte levando em consideração aspectos sociais, como a difícil situação econômica pelo qual o país passa – e que se reflete diretamente no comportamento dos consumidores. O nome faz menção a linhas de ônibus de Brasília conhecidas como Circular (que rodam dentro de microrregiões). O termo brinca com a mobilidade do projeto.

Antes do filme, há uma apresentação cultural. Como cortesia, pipoca e refrigerante completam a experiência. A bilheteria para retirada do tíquete para trocar pelos dois itens abre às 18h. Uma hora depois tem início a programação, limitada a 700 pessoas. No próximo sábado e domingo, no Recanto das Emas (Quadra 104, Estacionamento da Castelo Forte) se apresentam  os músicos Chico Assis e João Santana e a cia de teatro de bonecos Mamulengos. Mulher Maravilha e Rango foram os longas escolhidos.
 
 

Moacir Costa, organizador e idealizador do Cine Circular, revela que os preceitos estão calcados na democratização do cinema e de outros gêneros artísticos, do circo ao teatro. “Queremos levar apresentações culturais a comunidades carentes”, conta. Ele já organizou, em Brasília, as quatro edições do Vivo Open Air, no Pontão do Lago Sul. “Percebemos a procura de pessoas de cidades de Brasília para participar. Foi daí que surgiu a ideia de criar um evento totalmente gratuito para eles”, conta. Todas as edições tiveram lotação máxima. O circuito se encerra em 1º de outubro. As próximas exibições acontecem em Arniqueiras e em Sobradinho. Confira a programação completa no site.

CineClube Farol 

Itinerante, o CineClube Farol pretende caminhar por e com Brasília em exibições gratuitas de curtas-metragens de realizadores da cidade. Fazem parte da equipe a antropóloga e crítica de cinema Juliana Melo e as produtoras culturais Renata Schelb e Bethania Maia. Juntas, elas formam o coletivo Amora Cine, responsável pela iniciativa. A última edição ocorreu esse fim de semana na Casa Monstra, em Samambaia.
 

 
Após a sessão, há sempre debate com a diretora. Nesse caso, no feminino. Na temporada vigente, que se encerra com o início do Festival de Cinema, o foco está em diretoras. Na volta, elas vão rodar pela cidade em diferentes espaços e com nova temática, muito provavelmente ligada a filmes queer, com olhar para pessoas trans e LGBT. “Queremos andar pela margem”, afirma Bethania Maia. “Tiramos do público essa obrigatoriedade de pagar R$ 30 por um filme comercial. Queremos fugir desse circuito. A curadoria é bastante ativista”, conta.

Cine Conjunto

A ação acontece no próximo fim de semana na praça Lucio Costa, em frente ao shopping Conjunto Nacional. A primeira edição ocorreu no ano passado com clássicos dos anos 1980 como norte. Dessa vez, em cada dia há uma “pauta”. Na sexta-feira, dois filmes do universo Star Wars; e no sábado, dois clássicos do inglês Tim Burton.
 
 
 
“A escolha foi feita por meio das redes sociais. Além de participar da programação, o público ajudará na construção das playlists que serão tocadas durante o evento”, conta Cláudia Durães, gerente de Marketing do Conjunto Nacional. A tela de 50m² é maior do que a de um cinema convencional, criada especialmente para cinema livre. O sistema de som também foi projetado para aquele ambiente. O ingresso é retirado mediante doação de 1kg de alimento não perecível (posteriormente doado a uma instituição de caridade do DF), a partir das 16h no dia da exibição. A sessão começa às 18h30, com capacidade para 400 pessoas.
 

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