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Correio Braziliense

Seis bares que abrem espaço para bandas independentes de Brasília

Conheça os locais espalhados em lugares fora do Plano Piloto em que o palco é certo


postado em 27/09/2017 07:20

Toinha Rock Pub, em Samambaia(foto: Facebook/Reprodução)
Toinha Rock Pub, em Samambaia (foto: Facebook/Reprodução)

Só quem toca em uma banda independente sabe a dificuldade de se firmar no mercado. Muitas estão começando e carecem de público suficiente para lotar casas de show. Mesmo as formações já estabelecidas enfrentam a concorrência desleal de ritmos mais populares, como o sertanejo universitário. “O caminho até o topo é longo se você escolheu o rock’n’roll”, acertadamente disseram os sessentões do AC/DC.

Por afinidade dos fundadores e paixão intrínseca do público pelo gênero, muitos bares de Brasília têm criado pequenos palcos para que esses grupos possam se apresentar. Alguns não cobram nada por isso e ainda permitem que as bandas lucrem com a bilheteria. No Ragnarock Music & Motorcycle Club, em Ceilândia, funciona dessa forma. “Faltava um lugar com espaço amplo e com conforto para o público na cidade”, conta Wesley Lima, sobre o bar com capacidade para 300 pessoas. No Guará, o Zepelim quer evitar tributos ou covers para que a cena autoral e ganha corpo. “É um desafio trazer o público para ver bandas novas”, confessa o proprietário Rafael Lago. A cena se repete no Saloon Red Rock Alternativo. Cerca de 95% da programação é de bandas autorais de todo o Distrito Federal. Um ciclo virtuoso em uma lista que só aumenta. Confira o roteiro do Diversão & Arte.

Zepelim

(QE 40, Rua 11, Lt. 7, Polo de Modas, Guará II; 3208-6623), aberto de terça a domingo, das 18h às 3h.
Fundado em: janeiro de 2017
O que toca: O proprietário Rafael Lago dá conta da programação que abriga jazz, blues e rock. O último gênero tem maior predomínio. “Tenho envolvimento com música desde garoto. Ouvia e via muita gente reclamar da falta de lugares para tocar. Sempre tive a sensação de que o rock não acabou nos anos 1990”, afirma. Para tocar lá, basta ser relevante. “Não é preciso uma afinidade pessoal, mas musical. Descobri grupos fenomenais e que não fazia ideia que existiam nesses oito meses”, diz. Para enviar material, basta entrar em contato via Facebook. A programação musical acontece de quinta a sábado.

Alcatraz Pub, em Planaltina(foto: Facebook/Reprodução)
Alcatraz Pub, em Planaltina (foto: Facebook/Reprodução)


Alcatraz Pub
(Avenida Floriano Peixoto, Q61, Lt. 15A, Planaltina; 3389-4000), aberto sexta e sábado, das 20h à 1h.
Fundado em: 2016
O que toca: Três vezes por ano, o pub recebe festivais de bandas independentes de todo o DF. “Em Planaltina, há vários grupos lançando trabalhos próprios, como o Nenhuma Ilha”, afirma Wesley Thomas, sócio do bar. No entanto, os palcos são ecléticos. Da música sertaneja ao funk, do pagode à eletrônica, não há restrições de gênero.

Ragnarock Music & Motorcycle Club
(ADE, Qd. 1, Conj. C, Lt. 22, Ceilândia; ragnarock.df@gmail.com), aberto de terça a sábado, das 8h ao último cliente.
Fundado em: 1 ano
O que toca: todas as matizes do rock, blues, jazz e soul
Wesley Lima e Wanderson Rossi ocuparam a área de desenvolvimento onde há oficinas porque, geralmente, as casas de rock’n’roll têm problemas com a vizinhança. “Deixamos a curadoria em aberto. Muitas bandas tocaram pela primeira vez aqui”, conta. Se falta grana para pagar os ensaios, grupos da cidade podem agendar, às terças e quartas, para tocar gratuitamente no endereço. “É só levar as guitarras e as ferragens da bateria. Não cobramos nada por isso”, comenta Wesley. Para os shows, o espaço é cedido e é a banda quem decide o valor cobrado pela entrada. O lucro vai para o grupo que se apresentar. O que mantém o espaço é o bar. As vedetes são as cervejas, com preços de R$ 3 (Proibida Puro Malte) até R$ 30 (Paulaner e Colorado). Até agora, os festivais de punk e heavy metal tiveram boa acolhida de público. No dia 1º de outubro, eles sediam a seletiva de metal do Porão do Rock. No dia 21 do mesmo mês, a partir das 20h, quem sobe aos palcos é a banda Violator, entre os grupos de trash metal mais conhecidos de Brasília.

Fim da Linha Bar & Wash, em Taguatinga(foto: Facebook/Reprodução)
Fim da Linha Bar & Wash, em Taguatinga (foto: Facebook/Reprodução)


Fim da Linha

(ADE, Conj. 17, Taguatinga; 3028-6508), aberto de terça a sábado, das 18h às 3h.
Fundado em: 2014
O que toca: João Bosco comanda o bar em sociedade com Rogério Avelino. “Às vezes os próprios músicos nos procuram. Não temos palco. É bem underground. Fornecemos as baterias e equipamento de voz. O restante é com os integrantes”, diz João, que toca na banda Never Look Back, de hardcore. “Minha avaliação, independentemente de ser uma banda nova ou antiga, é qualidade musical”, diz. Como nos outros espaços, rock, blues e jazz — gêneros que historicamente se entrelaçam — têm maior predomínio. Os shows acontecem de quarta a sábado, com início às 22h30 e término às 2h. Materiais musicais para avaliação podem ser enviado para o e-mail fimdalinhawash@gmail.com.

Saloon Red Rock Alternativo
(QI 616, Conj. 2, Lt. 1, Samambaia; 3022-1233), aberto de quinta a domingo, das 19h às 3h.
Fundado em: 2016, com nova gestão há sete meses
O que toca: Paulo Atos e Dinei Oliveira, um produtor cultural e um músico, se uniram para repaginar o espaço com uma pegada mais alternativa com foco no reggae, rock alternativo e rock underground ‘pauleira’. Na nova fase, receberam gente da cidade, nomes da Finlândia e até do México, com 95% das atrações autorais. “O vemos muito mais como um polo cultural do que somente um bar. No sábado, por exemplo, teremos um evento de feministas negras”, adianta Paulo Atos. “É mais que um pub em si”, complementa.

Toinha Rock Pub
(QN 208, conj. C, Lt. 3, Samambaia Norte; 3458-5097)
Fundado em: 2009
O que toca: Fábio Alves de Lima, Antônia Francisca de Lima (a Toinha) e Alair Lima de Oliveira são os sócios do bar que, nos últimos anos, tem investido em bandas covers. Do pop rock ao metal extremo. É Fábio quem faz a seleção artística. “Procuro priorizar as que estão tentando levar a música no lado mais profissional. Há muitas se destacando”, comemora Fábio. A agenda anual é montada com bastante antecedência nos meses de dezembro e janeiro. “Hoje, a Samambaia já se desenvolveu bastante e o preconceito diminuiu muito. No entanto, até 2012 nós sofremos muito. O público em geral tinha medo de vir para curtir um show de rock. Imagina uma pessoa sair da Asa Sul ou Asa Norte para ir ao Toinha? Se me falassem isso há dez anos, eu riria”, afirma.

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