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Correio Braziliense

Climério Ferreira lança o livro 'Poesia de quinta', no Beirute da Asa Sul

A publicação da Editora Nova Aliança tem 116 páginas e o preço é R$ 20


postado em 19/10/2017 07:30 / atualizado em 18/10/2017 19:40

“Quisera escrever um verso tão pequeno/que coubesse no coração de todo mundo”, diz Climério Ferreira em Desejo I, o poema que abre o próximo lançamento do escritor e letrista, Poesia de quinta. Com textos curtos e simples, ele reúne cerca de 100 poemas que enviou para amigos em meados de 2010. “Toda quinta-feira, durante um ano, eu mandei e-mails para 52 amigos do Brasil inteiro e neles eu escrevia um versinho, um poema e eles começaram a chamar de ‘poesia de quinta’, daí o nome do livro”, explica o autor.

Este é o 11º livro de poemas do letrista e professor aposentado da UnB e é dividido em quatro partes. A primeira traz poemas curtíssimos, que foram os primeiros a serem enviados; e, na segunda parte, eles aumentam e se tornam quadras. Até então os temas eram variados, e essa era a graça, porque “ninguém sabia o tema seguinte”, segundo Climério.

Da metade do livro em diante, o poeta apresenta poemas mais longos com as impressões que teve de Minas Gerais numa viagem feita na época. Para finalizar, ele continua na linha de textos maiores e escreve sobre o fazer poético.

Uma das características da poesia de Climério é a liberdade. Ele escreve no Facebook uma poesia por dia. “É um exercício diário, preciso fazer isso, e costumo receber respostas dos amigos, e isso é legal, motiva. E é algo independente, ninguém controla, faço dentro do meu ritmo, do meu gosto”, afirma.

Os poemas também costumam ser musicados por colegas, o que ele considera divertido. “Eu não achei que isso ia acontecer quando comecei, mas sempre aparece alguém que pergunta se pode e eu deixo. Seja o que Deus quiser e está ótimo, porque quem não lê, canta.”

Climério enviou poemas para 52 amigos do Brasil inteiro: ele selecionou os melhores para o livro (foto: Ed Alves/CB/D.A. Press - 13/3/17)
Climério enviou poemas para 52 amigos do Brasil inteiro: ele selecionou os melhores para o livro (foto: Ed Alves/CB/D.A. Press - 13/3/17)


Carreira musical 

Ao lado dos irmãos Clodo e Clésio, Climério saiu do Piauí na década de 1970 e veio pra Brasília quando a cidade ainda estava nos primeiros anos. Eles se tornaram um dos grupos mais conhecidos da época e gravaram seis discos com bases do tropicalismo e influências da música nordestina.

Com o talento para composição, Climério conquistou grandes parceiros, como Dominguinhos, para quem fez canções que aparecem até hoje. “Ele deixou algumas músicas gravadas e uma delas foi apresentada a Elba Ramalho, que abre o disco Do meu olhar (2015) com ela — Olhando o coração.”

O letrista adianta que existe a possibilidade de uma outra parceria inédita entre ele e o sanfoneiro ser regravada. “O Zé Américo, de Fortaleza, me ligou (ontem) e disse que o Dominguinhos deixou gravada também O inverno é você e que existe o interesse do Mestrinho em gravar. Volta e meia aparece algo assim e fico muito feliz.”



POEMAS

Reza bruta

E se eu lançasse versos

Nos muros da cidade

E eles gritassem minha ira

Meu desalento urbano

Minha suburbana descrença

Na bonança das mansões

Nas missões dos salvadores

E se meus versos colassem

Nos muros da cidade

E cantassem minha paz

Minha utopia interior

Minha avassaladora crença

Na bondade dos animais

E na razão da poesia

Na humanização das pessoas

Na vida terna, amém



Acho que sou feliz

eu quero tudo o que tenho: 

só desejo o que posso

e sou da minha idade

será isso a tal felicidade?






Poesia de quinta
De Climério Ferreira. Editora Nova Aliança. 116 páginas. R$ 20. Hoje, Beirute (109 Sul), às 19h. Entrada franca. Classificação indicativa livre.







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