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Correio Braziliense

Obra de Carlos Drummond de Andrade é lembrada e celebrada

Em homenagem aos 30 anos de morte do autor, seus escritos são celebrados em diferentes pontos do país


postado em 21/10/2017 07:35 / atualizado em 20/10/2017 19:02

Como parte dessas homenagens, temos a publicação de O poeta Carlos & outros Drummonds, de Edmílson Caminha, (Brasília: Thesaurus, 2017)(foto: Editoria de arte/CB/D.A Press)
Como parte dessas homenagens, temos a publicação de O poeta Carlos & outros Drummonds, de Edmílson Caminha, (Brasília: Thesaurus, 2017) (foto: Editoria de arte/CB/D.A Press)

 
Nesses 30 anos da morte de Carlos Drummond de Andrade, a vida e a obra do poeta itabirano, cada vez mais, têm sido lembradas e divulgadas. As homenagens são muitas, de norte a sul do país, em palestras, encontros, discussões e todo tipo de evento. Não poderia ser diferente, pois, afinal, estamos falando do maior poeta do Brasil, do gauche que se sentia estranho, sem pertencimento ao que quer que fosse, alheio a prêmios, grupos e academias, e crítico do título de poeta oficial que sempre quiseram lhe atribuir.

Como parte dessas homenagens, temos a publicação de O poeta Carlos & outros Drummonds, de Edmílson Caminha, (Brasília: Thesaurus, 2017), autor especialista na vida e obra do poeta. Caminha nos oferece seus textos, artigos e depoimentos da família sobre Drummond, fruto de longa convivência com o próprio poeta de quem se tornou amigo graças a um doce de caju, que só uma tia cearense sabe fazer, isca infalível que pescou o poeta pelo paladar e garantiu, com essa astúcia, que Caminha desfrutasse (com trocadilho) de sua amizade.
 

Além dos depoimentos que o poeta lhe deu, Caminha tem muito mais a dizer, pois foi amigo também do poeta argentino Manolo, genro de Drummond, tradutor de muita qualidade da obra do sogro, e grande sujeito. Mas a amizade persiste no contato com os três netos do poeta, filhos da única filha, Maria Julieta, cronista admirável.

Os netos, herdeiros do nome e da obra do avô, principalmente o caçula, Pedro Augusto, responsável pelo espólio cultural, com discrição e simplicidade, têm o amigo Caminha como fiel escudeiro do avô, Carlos.

E nesse trabalho incansável, Caminha já palmilhou muita terra. Foi Sherlock Holmes atrás de parentes, ou supostos parentes, na Inglaterra, Escócia, e vários outros lugares, buscando o DNA do gauche, que nunca se impressionou por ser descendente de quem quer que fosse, pois tinha os pés no chão de Itabira, a pequena cidade mineira que o viu nascer. Aquela que virou apenas uma fotografia na parede. E que doía tanto!

Caminha, nesse livro, nos dá farta informação que só um pesquisador apaixonado, sério e dedicado, incansável mosqueteiro a serviço do rei, pode dar. É obra para deleite, pelas curiosidades dos relatos, pela graça, bom humor e pelo tom intimista de quem participa da vida da família; e, por sua documentação inédita, rica e preciosa, é obra para pesquisadores que queiram fazer trabalho acadêmico.

Assim, neste ano da graça de 2017, ano das homenagens pelos trinta anos sem Drummond, Caminha nos conforta e consola com histórias em que sua poesia se faz presente em nossos corações e mentes, mostrando que o poeta triste, orgulhoso e de ferro está mais vivo do que nunca!

Vera Lúcia Oliveira é professora de literatura




O poeta Carlos & outros Drummonds
De Edmílson Caminha/Editora Thesaurus, 190 páginas

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