Diversão e Arte

Festival Finca é vitrine para novos músicos brasilienses desde 1999

O evento foi responsável por revelar nomes como Ellen Oléria e Móveis Coloniais de Acaju

Alice Corrêa*, Lígia Vieira*
postado em 23/10/2017 07:00
Móveis Coloniais de Acaju: a primeira oportunidade

O Festival Universitário de Música Candanga (Finca) realizou a primeira edição em 1999. A iniciativa partiu dos centros acadêmicos (CAs) da Universidade de Brasília (UnB), que percebiam a falta de espaço para eventos musicais na comunidade. No caso do Móveis Coloniais de Acaju, ;foi a primeira premiação, o primeiro reconhecimento que a gente teve. O que fez a gente construir um público dentro da universidade, que depois se transformou na base do nosso público de 2005, época do lançamento do disco.;, conta o ex-vocalista André Gonzales, que ganhou o primeiro lugar com a música Copacabana em 2002.;

O evento é promovido pela própria UnB em parceria com a antiga diretoria de esporte, arte e cultura (DEA), hoje desmembrada como Diretoria de arte e cultura (Dirarte) com o objetivo de estimular a produção cultural na universidade. O Finca ocorre quase anualmente, com fases eliminatórias e uma final, no qual os melhores avaliados pelo júri técnico e popular recebem prêmios em dinheiro. Além disso, na opinião da apresentadora do Finca em 15 das 17 edições, Sheila Campos, o Festival é ; um laboratório em que a gente observa a cena musical de Brasília se avaliando e se reinventando. O Finca é uma paixão antiga do brasiliense;.

Neste ano, o evento voltou a ocupar o Anfiteatro 9 da UnB depois de dois anos de pausa, por causa dos cortes orçamentários sofridos pela universidade. Chegaram à final 13 das 51 bandas inscritas, que se apresentarão na próxima sexta-feira, às 20h, no Centro Comunitário Athos Bulcão.

Quem passou

A banda performática Cantigas Boleráveis, que ficou em segundo lugar em 2014, ao apresentar a música O bolo lá de casa, entende o evento como uma forma de descoberta. ;Estávamos mais acostumados a nos apresentar em eventos de teatro. Foi no Finca que a gente se viu como uma banda de música;, conta Letícia Helena, integrante do Cantigas Boleráveis.

Além disso, por estar inserido em um ambiente fértil e de jovens, o cantor Alex Souza, que cantou Máquina para tudo, na época com a banda Caixa Preta, classificada em terceiro lugar em 2001, vê o Finca como um festival diferenciado. ;É um festival em que você se sente livre para criar, você pode mergulhar 100% nos sonhos. A universidade faz você criar composições puras, verdadeiras e sinceras.;
Ellen Oléria: a voz da cantora impressionou desde a primeira apresentação

Também é um local para encontrar novas vozes. Sheila Campos se surpreendeu com a passagem da cantora Ellen Oléria no Finca, que conseguiu o segundo lugar em 2003 com a música Senzala e, em 2006, o terceiro lugar com Ato II. ;Tem gente que passa pelo festival e a gente já sente que é uma voz que vai ganhar o mundo. Eu me lembro da primeira vez que ouvi aquela voz, tomei um susto. Era impressionante;, declara Sheila. [SAIBAMAIS]

O evento

Para estar apto a participar do Finca, é necessário que a banda apresente músicas autorais e um dos integrantes deve estar vinculado a algum centro acadêmico (CA), que é a entidade representativa dos estudantes do curso. Portanto, o evento apresenta pessoas de todos os cursos da UnB e isso o torna muito valioso, segundo a visão do cantor Alex Souza ;É um evento muito rico, porque você está em contato com outros gêneros, outros músicos, outros cursos. Além de gerar uma integração entre os próprios alunos;, segundo o ex-participante Alex Souza.

Por ser um festival dividido em etapas, a expectativa é grande e ela vinha antes mesmo das inscrições. Como só uma banda pode representar cada um dos centros acadêmicos ;havia até uma seleção prévia dentro dos centros acadêmicos;, explica a apresentadora Sheila Campos.

Crise orçamentária

Devido a crises e cortes de gastos na UnB, o Finca não foi realizado nos anos de 2015 e 2016. Porém, com a nova gestão da Universidade, o festival foi entendido como uma pauta de valor à comunidade acadêmica, fundamental para movimentar a cultura que surge na própria UnB. A reitoria voltou a disponibilizar a verba para a realização do evento no ano de 2017. O dinheiro é usado principalmente para premiar as bandas vencedoras.

A vocalista da banda Cantigas Boleráveis, Letícia Helena, julga essa premiação fundamental para o crescimento da banda. ;É uma oportunidade para bandas que estão começando a crescer. Nós usamos o dinheiro para gravar nossas músicas e lançar nas plataformas digitais. Além do mais, é fundamental, porque ser artista independente em Brasília é muito complicado.;

Música autoral

Um dos requisitos da DEA, diretoria responsável pela realização do evento, é que as músicas apresentadas pelas bandas sejam autorais. Além de apresentar a originalidade das bandas, também abre portas para o mercado musical. Na primeira edição, em 1999, muitos empresários e produtores foram prestigiar a etapa final e, em muitos momentos, esses profissionais mandavam bilhetes para o palco oferecendo instrumentos novos e shows em bares da cidade.

Apresentar músicas autorais reforça o papel do festival como uma porta de entrada para bandas locais. O Finca é uma vitrine de artistas brasilienses. Situado dentro de uma universidade pública, espaço efervescente de ideias e talentos, não poderia encontrar solo mais fértil na capital federal.

Confira os finalistas do Finca 2017


Categoria Candanga
; A outra banda da rua (CA de Antropologia)
; Banda Kizumba (CA de Letras)
; Comboio Percussivo (CA de Geologia)
; Koppa (CA de Odontologia)
; LFDAT (CA de História)
; Marcelo Café (CA de Línguas estrangeiras aplicadas)
; Ninfetas do Além (CA de Arquivologia)
; O Tarot (CA de Relações Internacionais)
; Saci Weré (CA de Gestão Ambiental)
; Trinato (CA de Comunicação)

Categoria Instrumental
; Forró Suçuarana (CA de Ciências Ambientais)
; Matheus Donato Trio (CA de Nutrição)
; Regional Candango (CA de Enfermagem)
*Estagiárias sob a supervisão de Severino Francisco

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