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Correio Braziliense

Exposição 'Delirious' vai além do racionalismo em novo museu nova-iorquino

Até janeiro de 2018, exposição no Museu Breuer, em Nova York, explora manifestações que extrapolam o racionalismo


postado em 24/10/2017 06:30

Instalação de Yayoi Kusama, um dos destaques da exposição sobre o delírio na arte(foto: Justin Tallis/AFP 26/5/16)
Instalação de Yayoi Kusama, um dos destaques da exposição sobre o delírio na arte (foto: Justin Tallis/AFP 26/5/16)

O Museu Breuer é a mais recente filial do Metropolitan Museum (Met), tendo sido inaugurado em 2016, no edifício que antes sediava o Whitney Museum of American Art no Upper East Side. Desenhado por Marcel Breuer e completado em 1966, a nova filial tem como foco arte moderna e contemporânea, constituindo-se em uma expansão voltada para a divulgação do acervo do Metropolitan, mas cujo diferencial tem sido a organização de exposições pioneiras e ousadas, como parte da estratégia do Met de manter-se na vanguarda e desafiar a hegemonia em arte moderna e contemporânea do MoMa (Museu de Arte Moderna de NY) e, mais recentemente, do próprio Whitney, reinaugurado em uma nova e impressionante sede no Meatpacking District.

Destaque até 14 de janeiro de 2018, em mais uma demonstração do caráter holístico e inovador do Breuer,  a exposição Delirious — Arts at the limits of reason (Delírios — Artes no limite da razão) retrata como "tempos delirantes exigem arte delirante". As obras em exibição foram produzidas entre as décadas de 1950 e 1980 e mais de um terço extraídas do acervo do próprio Met. O pano de fundo é o panorama político do período, no qual a ameaça contínua do conflito armado teria inspirado trabalhos que pretendiam romper com um racionalismo considerado opressivo.   Daí, justamente, a ênfase da mostra em apresentar criações marcadas pelo absurdo, desorientação, desordem e repetição de elementos.

Dividida em quatro seções — “Vertigem, Excesso, Nonsense e Distorção”, são cerca de 100 obras de 62 artistas, incluindo a avant-garde japonesa Yayoi Kusama, um dos maiores nomes da arte contemporânea, que marcou a cena artística de Nova York entre 1950 e 1970.  O argentino Antonio Berni, conhecido por seu trabalho engajado, a alemã Hanne Darboven, uma referência em instalações minimalistas em larga escala também são destaques. Dean Fleming, Nancy Grossman, Philip Guston, Sol LeWitt, Lee Lozano, Claes Oldenburg, Howardena Pindell, Paul Sharits, Robert Smithson, Nancy Spero também contam com obras na exposição.


Diversos artistas brasileiros têm destaque, incluindo Darcílio Lima, Lygia Clark, Hélio Oiticica,  Mira Schendel e Anna Maria Maiolino (ítalo-brasileira). A seção inicial — Vertigo apresenta trabalhos que rompem com formas geométricas ideais e conta com uma escultura em aço inoxidável de Lygia Clark—– “o dentro e o fora”, um belo exemplo da perspectiva interativa da artista. Oiticica, expoente do movimento de arte concreta também está presente, com obras como Metaesquema (1956) que utiliza formas retangulares de maneira não linear e cristaliza uma das marcas do estilo do artista, no qual dinamismo é mais fundamental que estabilidade.

A exposição busca, por meio de complexas instalações, pinturas, esculturas e filmes, desestabilizar as noções usuais de espaço e percepção, tentando retratar, frequentemente de forma impactante, estados emocionais e físicos. Diversas expressões de delírio são exploradas como forma de encarar a realidade e, ao mesmo, desafiar estruturas e técnicas lógicas.

Inquietante e atual, o Breuer explora o abraço da irracionalidade entre artistas americanos, latino-americanos e europeus em seu ímpeto de responder se é possível entender formas de loucura por intermédio de uma abordagem metódica. Vale, sem dúvida, ser vista.




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