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Correio Braziliense

Historiadores pedem para ter imagem retirada da série do History

Produtores da série 'Guia Politicamente Incorreto', do youtuber Felipe Castanhari, foram acusados de 'ludibriar' os autores participantes


postado em 24/10/2017 09:29

Autores pediram para ter suas falas excluídas da produção(foto: Facebook/Reprodução)
Autores pediram para ter suas falas excluídas da produção (foto: Facebook/Reprodução)

A série documental Guia Politicamente Incorreto estreou no último sábado, 22, causando polêmica no canal brasileiro History. Baseado no livro de Leandro Narloch, o programa, em tom de humor, tem como objetivo "lançar um novo olhar sobre fatos históricos do Brasil", a partir de entrevistas com especialistas sobre os principais acontecimentos do país ao longo dos séculos.

Alguns historiadores entrevistados, porém, alegam que não foram informados sobre o conteúdo final, quando gravaram suas participações para o programa. Lira Neto foi um deles. "No dia 2 de fevereiro deste ano, uma equipe do History Channel veio em minha casa", disse Neto em publicação no Facebook. "Entrevistou-me para o que seria, segundo me informaram, genericamente, 'uma série sobre a história do Brasil'."

Só às vésperas da estreia, o historiador descobriu do que se tratava o programa, que levanta discussões sobre os acontecimentos históricos do país utilizando diferentes opiniões e humor, com apresentação do youtuber Felipe Castanhari. "O sentimento é de que fui ludibriado", desabafou Neto. "Ninguém me informou antes, durante ou logo após a entrevista qual era a inspiração do programa."

Após o depoimento de Lira Neto, outros historiadores relataram ter passado pela mesma situação, como Laurentino Gomes, Lilia Schwarcz, Mary Del Priore e Isabel Lustosa, além do jornalista Thales Guaracy.

O autor do livro que inspirou a série, Leandro Narloch, também se pronunciou sobre o caso nas redes sociais. "Entendo a queixa dos entrevistados e concordo com o pedido", afirmou. "Quem participa precisa saber do que está participando. O entrevistado tem todo o direito de saber com quem está conversando e qual o objetivo da entrevista - não só para decidir se aceita falar, mas para moderar suas opiniões."

Narloch, porém, elogiou a produção do programa, que decidiu ampliar o debate do seu livro. "Desde o começo, o History tomou a ótima decisão de ouvir gente com convicções políticas diferentes das minhas e incluir declarações que até contrariavam o que eu afirmo no livro. Adorei essa ideia."

Laurentino Gomes, pelo Twitter, afirmou que as explicações de Narloch o deixaram "satisfeito". "Acho que não houve má fé dele e do canal History", relatou. "Só amadorismo e ingenuidade da produtora."

Em uma nova publicação no Facebook, Lira Neto afirmou que foi procurado pelo diretor da série, Matheus Ruas, da produtora Fly, que conduziu a reportagem. "Falei com o diretor/entrevistador da série, Matheus Ruas, que enfim reconheceu o erro ético", escreveu na rede social. "E, para remediar a barbaridade, comprometeu-se a retirar minha participação dos episódios, bem como eliminar qualquer menção a meu nome no material de divulgação."

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