Publicidade

Correio Braziliense

Primeira edição do festival Mestres do Circo termina neste domingo

As apresentações reúnem malabaristas, palhaços, músicos e trapezistas de diferentes regiões do mundo


postado em 29/10/2017 07:30 / atualizado em 27/10/2017 18:44

Grupo Circo Teatro Artetude é tradição na cidade e faz parte da programação(foto: Pablo Peixoto/Divulgacao)
Grupo Circo Teatro Artetude é tradição na cidade e faz parte da programação (foto: Pablo Peixoto/Divulgacao)

 
Após seis edições de muito circo e palhaçaria na capital, a Mostra Zezito dá asas ao projeto Mestres de Circo, festival que reúne espetáculos com música, poesia, acrobacia e humor de diferentes cidades e países. São mais de 15 espetáculos apresentados gratuitamente com o objetivo de resgatar a arte circense tradicional e dar espaço à criação moderna. Celebrar a resistência é o conceito central da mostra, que enfatiza a história do circo e sua força através do tempo.

O homenageado da vez é o mestre Ary Pára-Raios, criador e diretor de uma das trupes de palhaços poetas e acrobáticos mais tradicionais e populares de Brasília, o Esquadrão da Vida, nascido em 1979. As apresentações acontecem em pontos diferentes do Distrito Federal, enfatizando a preocupação do festival em promover a descentralização da arte na capital.
 

Ankomárcio Saúde, integrante do circo teatro Artetude, é um dos idealizadores do festival e conta que os artistas que se apresentam nesta edição vêm de diferentes regiões do Brasil, da Argentina, do Chile e do Peru. Para ele, o circo continua a ocupar importantes espaços no mundo, principalmente em espaços onde o teatro, o palco tradicional e outras manifestações artísticas não costumam chegar de forma acessível. “Aqui em Brasília mesmo, há várias satélites que não têm teatro, então o circo ocupa esses lugares. O circo se espalha, ele está nas ruas, nas praças, no cotidiano. A arte circense pode se transformar em entretenimento, atividade física, reflexão”, destaca.

O conceito definidor do festival, de celebrar a resistência, surge justamente para celebrar a resistência circense diante de todo tipo de transformação através do tempo. “Imagina o que seria de nós sem o circo, a arte, a poesia, os sonhos? Nosso objetivo com o circo é resistir, existir, entender que todos somos importantíssimos uns para os outros, mesmo quando discordamos”, lembra Ankomárcio.

Para o artista, a arte tem a capacidade de unir homens, mulheres, pretos, brancos, crianças. A existência dos artistas do picadeiro possibilita ainda que se mantenha o incentivo ao riso no cotidiano. “Queremos manter o circo para que as pessoas possam ver, ouvir e acreditar no impossível e inimaginável, e possam sonhar”.


Tradição e novidade
 
Pé de Cerrado se apresenta com muita música no cabaré de circo(foto: Mestres de Circo/Divulgação)
Pé de Cerrado se apresenta com muita música no cabaré de circo (foto: Mestres de Circo/Divulgação)
 
O diálogo com o público contemporâneo acontece através da inovação, da possibilidade da tradição e da mistura de linguagens, como a música, o trabalho do corpo, acrobacia, malabares. Os artistas mostram quantas coisas o corpo e a mente do ser humano podem realizar, e o circo, enquanto linguagem universal, conversa com espectadores de diferentes idades, estilos e regiões. O objetivo do festival é fomentar a arte circense, principalmente na capital, além de proporcionar acesso gratuito a espetáculos de qualidade. Diferentes técnicas se misturam nos palcos, praças e picadeiros.

Quem também participa da programação, com a Festança dos palhaços, é o tradicional artista da cidade Zé Regino. Para ele, o circo tem a capacidade de, a partir do olhar do outro, transgredir e mostrar as capacidades fantásticas do ser humano. “A gente tem a necessidade do lúdico no cotidiano, de aliviar as tensões deste mundo cruel. A arte circense possibilita trabalhar com a emoção além da palavra e da narrativa tradicional, provocar emoções através do acontecimento”, destaca. Entre suas grandes qualidades está a capacidade de ir até aonde o povo está.


“Todos nós somos equilibristas lidando com as emoções do espetáculo da vida. Todos temos em algum tempo a destreza do malabarista, a coragem do trapezista e a humanidade do palhaço”
Akomárcio Saúde, artista circence

Irmãos Saúde estão à frente da produção do festival(foto: Pablo Peixoto/Divulgação)
Irmãos Saúde estão à frente da produção do festival (foto: Pablo Peixoto/Divulgação)


Vale lembrar que o riso e a possibilidade de se entregar ao fantástico são fundamentais no cotidiano. Para Zé Regino, rir é entender melhor a vida e permitir que ela não seja tão ruim quanto outras pessoas querem que ela seja. “As pessoas confundem o riso com algo mais irresponsável, mas é o contrário. Hoje, as indústrias novas e eficientes têm descoberto que um ambiente descontraído, onde as pessoas riem e se relacionam, é muito mais produtivo”, declara.

O circo pode reinventar a realidade explorando o lúdico.  Para Zé Regino, um artista circense, em suas atividades, dentro ou fora do picadeiro, já representa o circo. Para o artista, a arte circense leva o extraordinário e o maravilhoso do ser humano para os outros, mostrando a possibilidade que um artista tem de se dedicar e conquistar suas destrezas. A criação circense transita entre o fantástico e inimaginável, mas também entre o simples e potente. Não é um lugar que aliena, mas alivia, mostra que a fantasia é possível.

Festival Mestres de Circo
Neste domingo de outubro; no Conic, Feira da Torre de TV e Parque da Cidade. A entrada é franca e a classificação indicativa é livre. 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade