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Correio Braziliense

'Não tá tudo bem': Ops usa o pop para cantar as agonias desta época

No disco de estreia 'Não tá tudo bem', Ops reflete o desconcerto do mundo e da sociedade atual


postado em 02/11/2017 07:00

Ops estreia com o álbum 'Não tá tudo bem'(foto: Diego Bressani/Divulgação)
Ops estreia com o álbum 'Não tá tudo bem' (foto: Diego Bressani/Divulgação)

 
Basta uma olhadinha para o lado para ver que não está tudo bem. De cabeça pra baixo e imerso em crises de todas as ordens, o Brasil (e o mundo!) vive tempos de ressaca. Conhecido na cena brasiliense pelo trabalho como DJ e agitador cultural, Rafael Ops canta as agonias e a pasmaceira desta época no álbum de estreia Não tá tudo bem.

Desigualdades, conformismo, problemas ambientais, fanatismo religioso e conservadorismo são alguns dos temas amargos abordados nos 28 minutos do disco. Primeira das oito canções de Não tá tudo bem, A sua culpa já adianta as pedradas que virão. “Olha à sua volta/ Tem alguém aí?/ Tem alguém doente/ Com a vida por um fio/ Mas não é sua culpa, né?”.

Para equilibrar a dureza das letras e das críticas, Ops usa a simplicidade dançante do pop. Mas, afinal, é para pensar ou para dançar? Os dois. Em Não tá tudo bem, o cantor e compositor mostra que a música pop também pode ser inteligente e contestadora.

“Não sou um músico muito talentoso. Eu tenho uma intuição boa”, avalia Ops, com certa modéstia. “Eu me inspirei muito na música pop porque pensei: ‘Se eles podem fazer músicas tão simples e tão bonitas, por que eu não posso? Aí fiz assim, inclusive com ritmos que são da cultura popular.”

A dureza dos temas, apesar da óbvia identificação com o presente brasileiro, vieram da observação de uma sociedade doente no mundo todo. “Claro que ver a situação em que a gente está hoje foi o grande catalisador. Mas eu não quis falar só sobre a atualidade porque o problema é mundial e mais amplo”, explica.
 
 

As canções foram a forma que ele encontrou para se opor a tudo isso. “Eu comecei a achar que a inércia que eu vivi nos últimos dez anos talvez fosse coletiva. Precisava fazer minha parte. A minha maior arma é a minha arte e a minha forma de protestar foi fazer esse disco.”

A inércia, inclusive, é um tema recorrente no álbum. Em Seu remédio, por exemplo, Ops canta: “Sua alegria tem moldura/ É um caixote de plástico e led”. Para depois concluir num refrão fácil de pegar: “Você só segue o ritmo/ E o que o Bonner diz/ Que desperdício de cérebro”.

Todas as canções do disco ganharão clipes. Alguns deles  estão disponíveis no YouTube. No vídeo dedicado à faixa-título, Ops critica duramente o conservadorismo e a cegueira de fanáticos religiosos. Claro que as reações agressivas foram instantâneas. “Quando entro num tema assim, eu estou falando com uma parcela muito conservadora, é natural que elas reajam com ódio, porque é justamente delas que eu estou falando. Então, isso não me toca”, garante.

Por fim, o amor talvez seja uma forma de aliviar os sofrimentos do nosso tempo. Pelo menos é o que dá a entender a faixa Olha a sorte que eu dei. “Faz tempo que eu quero te dizer/ Que a vida não tá fácil pra ninguém/ Mas é só lembrar de tu que eu sorrio e fico bem/ Em casa esquentando seu jantar/ Abro o vinho preferido e ligo o som pra te esperar”, canta Ops, que faz questão de dividir os louros do disco com a esposa e produtora Paula Rios. “Muito desse projeto é dela também.”
 
SERVIÇO 
Não tá tudo bem
Ops. Batedeira Cultural. 8 faixas. Disponível nas plataformas digitais.

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