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Correio Braziliense

Comemorado neste domingo, dia do palhaço celebra a gargalhada

A arte da palhaçada é comemorada em 10 de dezembro desde 1981


postado em 10/12/2017 07:30

Raquaquá e Chaubraubrau, os Irmãos Saúde(foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press - 28/10/10)
Raquaquá e Chaubraubrau, os Irmãos Saúde (foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press - 28/10/10)
 
 
Respeitável público! Hoje é dia de celebrar quem domina a arte de fazer rir, de deixar a vida mais leve: os palhaços. Com cambalhotas, piruetas e cara pintada, eles arrancam gargalhadas até dos mais rabugentos e lágrimas dos que têm o coração mais sensível. No Brasil, a tradicional arte da palhaçaria é comemorada neste domingo. A celebração foi realizada pela primeira vez em 1981, em São Paulo e, ao longo dos anos, passou a ser festejada em todo o país.

Esses artistas são figuras importantes na história do Brasil e do mundo. De Chaplin a Pimentinha, passando por Fuzarca e por Bozo, a palhaçaria ocupa diversos lugares, como a televisão, o cinema, as ruas e os teatros. Apesar dos escassos espaços de disseminação de sua arte, os palhaços resistem e cumprem um importante papel na cena cultural.

Em Brasília, não é diferente. A cidade é casa de diversas companhias compostas por palhaços que atuam em grupos itinerantes, nos palcos dos teatros, nas ruas das periferias e até nos hospitais, colorindo a vida de quem lhes assiste. A seguir, conheça figuras brasilienses que usam uma fórmula mágica (amor e dedicação) para levar a palhaçaria a diversos cantos do DF, do país e do mundo.

Legado de família

Canarinho é o nome do palhaço que deu vida ao Grupo Pilombetagem. A trupe, formada em 2004, no Gama, também conta com os palhaços Peteleco, Rabisco e Biliska. Por trás de toda a maquiagem e roupas coloridas, está a família Siqueira, composta por Robson, Leonardo, Henrique e Daiane.

Robson explica a origem do nome Pilombetagem: “É por conta do palhaço Pilombeta, que era meu mestre. Batizei a companhia com o nome dele, como se fosse dar continuidade às suas ideias”. Inspirado pelo mestre, Robson juntou o amor à palhaçaria com a necessidade de encontrar um emprego. “Eu estava desempregado e precisava de serviço. Comecei a fechar alguns trabalhos aqui em Brasília. Para me ajudar, eu chamei meu sobrinho, o Leonardo. Deu certo!”, explica o ator.

Ao longo dos anos, o grupo cresceu e ganhou Daiane e Henrique — também sobrinhos de Robson — em sua organização. Com mais de 10 anos de trabalho, os palhaços realizam shows por todo o Distrito Federal. Robson conta que a maior motivação da família é satisfazer o público com uma ferramenta simples: o riso, que “nasce da espontaneidade do palhaço, dessa ingenuidade. Isso é o que motiva a gente”.
 
Robson Siqueira, o palhaço Canarinho, fundador do Grupo Pilombetagem(foto: Kasha Lee/Divulgação)
Robson Siqueira, o palhaço Canarinho, fundador do Grupo Pilombetagem (foto: Kasha Lee/Divulgação)

De Brasília para o mundo

Trompetino e Berinjela levam a arte da capital candanga para diversos cantos do planeta. Os palhaços e acrobatas do Circo Rebote são interpretados por Atawallpa Coello e Erika Mesquita. A cia. brasiliense atua desde 2004, época em que realizavam apresentações e espetáculos de rua pela cidade.

A participação da dupla no festival de arte circense Planeta Circo, em São Paulo, foi o marco para o início de uma longa trajetória. Após o evento, Atawallpa e Erika começaram a viajar por várias cidades do país e do mundo, levando alegria com os espetáculos protagonizados por Trompetino e Berinjela.

O Circo Rebote se apresentou em países como Peru, México, Chile, Alemanha, França, Itália e Suíça. “Temos um grande prazer em representar a cidade em outros estados e países. As pessoas se surpreendem ao saber que em Brasília há uma produção tão intensa, com vários grupos de grande projeção”, explica Atawallpa.

Ele conta que viajar pelo país e pelo mundo com a arte brasiliense colaborou com a melhora da imagem que as pessoas têm da capital. “De certa forma, desmistificamos a ideia de que Brasília é apenas uma cidade política, burocrática.”

Atawallpa confessa que a palhaçaria é um ofício desafiador. Entretanto, revela que o trabalho realizado ao lado de Erika é gratificante. “É algo que nos motiva a seguir e que cura muito: tanto ao público, quanto a nós, palhaços. Também passamos por dias difíceis, por tristezas… fazer rir também nos cura”, admite o ator.

Sustentando sonhos

“Como a maior parte das cidades satélites não têm teatro, é no circo que acontece o primeiro contato com esse universo”, destaca Ankomárcio Saúde, o palhaço Chaubraubrau. Ele conta que a proximidade com a palhaçaria se iniciou cedo, ao assistir espetáculos circenses que desembarcavam no Núcleo Bandeirante, região administrativa em que cresceu.

Entretanto, Ankomárcio se tornou palhaço apenas mais tarde — antes, ele atuava como professor de educação física em uma escola. No local, ele conheceu o palhaço Serenata, que o introduziu nesse universo. “O Serenata me deu uma roupa, uma maquiagem, uma foto, um espelho e me disse: ‘se prepara, que você vai ser palhaço hoje’. Daquele dia em diante, eu me encantei com essa arte.”

Ankomárcio convidou o irmão, Ruidebran, para o acompanhar nos espetáculos e, desde então, eles iniciaram uma longa trajetória. Juntos, os Irmãos Saúde fundaram a Cia. Teatro Artetude, que conta também com Júlio César Macedo (palhaço Mandioca Frita) e Pablo Ravi (palhaço Espiga de Milho) em sua formação.


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O grupo, formado em 1999, roda o país em um ônibus, levando a arte para pessoas que, muitas vezes, não têm acesso à cultura. Eles se apresentaram em locais como a Serra do Tepequém, em Roraima, na comunidade quilombola dos calungas, na Chapada dos Veadeiros e em diversas favelas do país com seus projetos. Ankomárcio explica que essa é a maior intenção do grupo: “Nós levamos a nossa arte para pessoas que estão famintas de arte, famintas de sonhos”.

A Cia. Artetude participou de grandes eventos, como o 1º Festival de Mestres de Circo, que ocorreu em outubro deste ano, com atividades na região central de Brasília. Entretanto, Ankomárcio revela que, em 2018, o grupo pretende levar seu trabalho para as cidades do DF. “Essa é a nossa motivação: continuar arrumando recursos para ir aos lugares mais distantes.”

Com 18 anos de existência, a trupe segue colorindo a vida de diversas pessoas ao redor do país. Orgulhoso do trabalho que exerce, Ankomárcio completa: “O palhaço pode te fazer rir, mas também pode te fazer chorar. Ele pode te fazer relaxar, mas ele também pode te fazer refletir. No fundo, eu acredito que todos nós somos palhaços, só que apenas alguns têm a sorte de viver disso”.

Estagiária sob supervisão de José Carlos Vieira



Relembre memoráveis palhaços brasileiros


Arrelia
Waldemar Seyssel deu vida ao palhaço Arrelia. Veio de uma família de circo, mas foi primeiro a migrar para a televisão. Em 1955, comandava o programa Cirquinho do Arrelia, na Record. O programa foi ao ar até 1966. Waldemar Seyssel faleceu em 2005.


Carequinha
O palhaço Carequinha era interpretado pelo carioca George Savalla Gomes. Filho de trapezistas, iniciou a carreira no circo da família. Foi conhecido pela atuação no programa Circo Alegre, da TV Manchete, em 1980.


Piolin
Por trás da maquiagem do palhaço Piolin estava Aberaldo Pinto. O artista, nascido em Ribeirão Preto, destacava-se pelas habilidades como ginasta e equilibrista. Além disso, Piolin é o grande homenageado pela comemoração Dia do Circo no Brasil (27/3), celebrada na data de seu nascimento.
 

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