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Correio Braziliense

Mostra no CCBB apresenta filmes chineses que inspiram exposição

Curadoria propõe diálogo entre o artista plástico paraibano Christus Nóbrega e a sétima arte produzida na China


postado em 12/12/2017 06:30 / atualizado em 12/12/2017 09:03

Filme do francês Jean-Jacques Annaud retrata a natureza, a exemplo do clássico dele, O urso(foto: Reprodução/ Internet)
Filme do francês Jean-Jacques Annaud retrata a natureza, a exemplo do clássico dele, O urso (foto: Reprodução/ Internet)

 
São vários os pontos unidos nos bastidores da programação da mostra de cinema chinês que será apresentada, a partir desta terça-feira (12/12), e por seis dias, a R$ 10 (inteira), no CCBB. A seleção de filmes, proposta em parceria com a curadora Renata Azambuja, trava um diálogo entre o artista plástico paraibano Christus Nóbrega, radicado em Brasília, e a ramificação de tecnologias orientais. Vale a lembrança de que Nóbrega responde pelas criações dispostas na exposição Dragão floresta abundante, montada com caráter multimídia (em cartaz, até 21 de janeiro, no CCBB).

Historiadora de arte, Renata Azambuja foi quem impulsionou a experiência de residência artística de Nóbrega, em Pequim, por três meses, no ano de 2015. Na Cafa (Central Academy of Fine Arts), o artista aprofundou o contato com traços do país asiático e, pelo cinema, articulou detalhes de Dragão floresta abundante, que se vale de elementos singelos como pipas, sem desprezar a modernidade chinesa, conferida em obra capaz de apropriar, por exemplo, dados de GPS de celular. Contrastes sociais e de tradição, por sinal, formatam o enredo do longa dramático A ária do rio Amarelo (2016), que dá a largada na programação de filmes, às 19h desta terã-feira.

Na trama de A ária do rio Amarelo, a existência de um filho adotivo mobiliza a revisão de tradições, por parte de Shao Han Tian, herdeira da secular diversão proposta pelos teatros de sombra. Com direção de Gao Feng, o filme situa a ação na província de Shaanxi (na República Popular da China) e questiona a necessidade de que laços sanguíneos deem respaldo ao aprendizado da arte de projetar imagens, com meio de luz e artefatos.

Curiosidades comportamentais também geram interesse pela mostra de cinema. Os prazeres da "manga cortada", como os chineses designam o assunto da homossexualidade, transparecem no painel de cinema proposto por Christus Nóbrega. Por meio do curta-metragem Mama Rainbow (a ser exibido nesta quarta-feira, às 19h, com legendas em inglês), o artista estreitou o contato com o diretor de cinema Fan Popo, que pode conhecer, pessoalmente. No país que enfrentou um período tumultuado, em meados dos anos de 1960 — com o abafamento de interferências dos intelectuais na sociedade, na vigência da dita Revolução Cultural Chinesa — o curta de Popo dá certo arejamento a temas tabus no maior e mais populoso país da Ásia Oriental: avança em questões de gênero e em temas ligados ao feminismo.

Documentário produzido há cinco anos, Mama Rainbow atenta para a relação de seis mães chinesas que — no país que não tolera gays no serviço militar — escancaram os sentimentos e as consequências de saberem da homossexualidade dos filhos. Aceitação, para além da orientação sexual alheia, veio como um dos reflexos da fita difundida entre o público em geral. Fan Popo é dos raros diretores a estimularem debate tão afunilado em tema considerado, ainda hoje, espinhoso. Ainda sob a aba dos choques causados pela Revolução Cultural, um filme impactou o paraibano Christus Nóbrega, Voltando para casa, produção recente assinada pelo renomado Zhang Yimou, e conferida na própria tevê chinesa.

Filmes de ruptura

Em Voltando para casa, o personagem Lu Yanshi (Chen Daoming) é obrigado a se desdobrar em obras de um campo de trabalho chinês. No novo filme, o celebrado diretor de Lanternas vermelhas volta a apostar em figuras femininas fortes: a filha de Lu é interpretada por Zhang Huiwen e se torna peça chave na trama em que Gong Li representa um dos grandes dissabores para o marido — vivendo uma mulher desmemoriada.

Numa atmosfera mais amena, a comédia Eu sou alguém (2015) mostra a empolgação de um moço do interior que busca inserção no círculo de Hengdian, a capital da indústria cinematográfica. Completam os títulos da mostra derivada da exposição Dragão floresta abundante, dois filmes: a ficção científica Upa — Meu monstro favorito (de Raman Hui) e Espírito de lobo (do francês Jean-Jacques Annaud), em que se configura uma ameaça externa às tribos dotadas de sagrada integração entre lobos e homens, pastores da Mongólia.

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